Livro na íntegra publicado originalmente em 2015.

Abaixo os arquivos para o download gratuito:

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Os arquivos abaixo apresentam a capa e o miolo do livro ‘Trama e Urdidura’, em versão PDF gratuita para o download. Este é o terceiro livro de Jorge Xerxes, lançado originalmente em novembro de 2012.

   

Estou disponibilizando a versão digital de ‘Trama e Urdidura’ em comemoração aos dez anos do blog ‘Palavras Órfãs de Poesia: O que Restou’, que serão completos em breve, daqui a exatamente um mês, no próximo dia 03 de dezembro.

   

Boa Diversão!

   

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setembro 30, 2018

    

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Sob um equilíbrio instável

setembro 17, 2018

    

É praticamente consenso,

nesse nosso tempo,

que o comunismo é uma utopia.

E estamos próximos do dia

em que a democracia

será considerada, também,

um ideal inatingível,

nessa nossa Terra.

O verdadeiro comunismo,

e a verdadeira democracia,

só no fim:

Todos vamos morrer, um dia!

   

Sem nome

setembro 14, 2018

   

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setembro 9, 2018

 

INTRODUÇÃO

   

Sempre tive curiosidade em entender o mecanismo por detrás das redes sociais, como por exemplo o Facebook. Este interesse está especialmente ligado a real capacidade para a divulgação de ideias, sob o ponto de vista de quem as divulga; também a atenção na leitura e a capacidade de entendimento, da parte de quem recebe a informação.

   

Para isso, tive de bolar um procedimento simples, mas que me permitisse extrair resultados conclusivos; isto é, valendo-se de uma metodologia científica. Este procedimento, ou experimento, deve ser, necessariamente, um estímulo neutro, o que significa que não deve atrair a atenção do leitor, através do mecanismo de recompensa da resposta, devendo ser tão imparcial quanto possível.

   

O melhor que eu pude conceber foi o que chamei de Experimento Animal Mineral Vegetal, uma simples postagem, tão neutra quanto possível, onde é pedido unicamente que a pessoa se manifeste no comentário, descrevendo o nome de uma espécie dentre essas categorias. Dessa forma, imagino que ninguém é impelido a participar almejando uma recompensa, sendo motivado unicamente pela leitura, solidariedade e empatia.

   

EXPERIMENTO ANIMAL MINERAL VEGETAL

   

Postagem publicada no Facebook no dia 09 de setembro de 2018 às 22h55m:

   

“Estou desenvolvendo um experimento científico sobre redes sociais, atenção e divulgação de ideias. Não posso revelar além do que será descrito abaixo para não descaracterizar o experimento.

   

Se você puder participar, peço que, por favor, escreva o nome de um animal, de um mineral ou de um vegetal no campo de comentário. Apenas um nome por pessoa, podendo ser simples ou composto, de vegetal, mineral ou animal. Não se preocupe se o nome que você escolheu já foi escrito por outra pessoa. Pode haver repetição. Você tem total liberdade de escolha.

   

Peço também que você, por favor, não clique nos botões de curtir esta postagem ou qualquer um dos nomes nos comentários. Obrigado pela sua atenção e participação.”

   

RESULTADO

   

Comentários e curtidas em ordem cronológica dos eventos:

   

1 Gerbil (animal)

2 Fuinha (animal)

3 Capivara (animal)

4 Gabirú (animal)

5 Cajueiro (vegetal)

6 Cachorro (animal)

Total de Curtidas = 1 (outro) – 9h de experimento

7 Cipreste (vegetal)

8 Cavalo (animal)

9 Opala (mineral)

10 Liz (vegetal)

11 Mais um tijolo na parede (mineral)

12 Água (mineral)

13 Couve-romanesco (vegetal)

14 Lontra (animal)

15 Ipê (vegetal)

16 Hiena (animal)

17 Beterraba (vegetal)

18 Gato (animal)

Total de Curtidas = 4 (outro) – 15h de experimento

19 Coelho (animal)

20 Turmalina (mineral)

21 Cachorro do mato (animal)

22 Tubarão (animal)

Total de Curtidas = 4 (outro) – 18h de experimento

23 Jandáia (animal)

24 Bolsonaro (animal)

25 Águia (animal)

26 Cachorro (animal)

27 Nabo (vegetal)

28 Dragão (animal)

29 Alface (vegetal)

Total de Curtidas = 5 (outro) – 24h de experimento

30 Guaxinim (animal)

31 Nióbio (mineral)

32 Abacate (vegetal)

33 Cristal (mineral)

34 Abelha (animal)

35 Homo sapiens (animal)

Total de Curtidas = 5 (outro) – 1dia + 10h de experimento

36 Orquídeas (vegetal)

Total de Curtidas = 6 (outro) – 1dia + 14h de experimento

37 Abóbora (vegetal)

38 Olho de tigre (mineral)

Total de Curtidas = 6 (outro) – 2dias de experimento

Total de Curtidas = 6 (outro) – 2dias + 12h de experimento

Total de Curtidas = 6 (outro) – 2dias + 19h de experimento

Total de Curtidas = 6 (outro) – 3dias de experimento

FIM (critério de parada: 24h ou mais sem evolução)

 

   

CONCLUSÃO

   

A partir da análise dos resultados, observa-se que houveram 44 manifestações; sendo 38 comentários com nomes de animais, minerais ou vegetais (como solicitado pela postagem original) e 6 curtidas (manifestações indevidas).

   

Foi considerado como critério de parada, ou fim do experimento, o intervalo de tempo de 24h sem que houvessem novas manifestações. A duração total do experimento foi, portanto, de 72h (ou 3 dias).

   

Essas 44 manifestações foram, sem dúvida, motivadas pura e simplesmente por solidariedade ou empatia, uma vez que se tratava de um estímulo neutro; isto é, não há nenhuma recompensa em ler o texto de três parágrafos que descreve o experimento e manifestar-se descrevendo o nome de um animal, mineral ou vegetal. As pessoas que o fizeram, responderam espontaneamente, por solidariedade ou empatia.

   

Fica evidente também que 6 dessas 44 pessoas que interagiram sequer leram os três parágrafos, visto que se manifestaram indevidamente, curtindo a postagem. Estava explícito no texto do experimento que não era para fazer isso. Apesar dos propósitos de divulgação da ideia e de atenção não terem sido atingidos no caso dessas 6 curtidas, ainda assim me parece certo que as pessoas se manifestaram por solidariedade ou empatia também nesses casos.

   

Finalmente, o dado mais estarrecedor, certamente é o de que, dentre 1344 contatos no Facebook, apenas 44 pessoas se manifestaram. Isso porque, apesar de se tratar de um estímulo neutro, o texto originalmente postado descrevendo o experimento solicitava o favor de que as pessoas participassem. Esses contatos se omitiram por uma das três razões: (1) não terem tido a oportunidade de ler a postagem; (2) terem sumariamente desconsiderado a postagem; ou (3) não terem se solidarizado com o pedido.

   

Independente disso, fica demonstrado que, ao menos no meu caso, o alcance efetivo de uma postagem no Facebook gira em torno de 3.3% do número total de contatos apenas. Vale para a reflexão antes de perder tempo significativo com a postagem em redes sociais!

   

Refeição

agosto 28, 2018

   

<< Refeição >> (de Milton Filho, por Jorge Xerxes) é derivada da arte culinária, uma tentativa de disposição alternativa dos ingredientes de << Nacos >>, livro de poesias, Milton Filho, 168pp., ISBN: 978-989-52-1240-8, Chiado Editora, 2017. Uma experiência de ressignificação dos sabores num prato balanceado dos nutrientes – carboidratos, sais minerais e proteína humana. O equilíbrio proposto nessa síntese, porém, é uma farsa. Porque tudo é movimento quando se trata de alimentar as ideias. Tudo flui, é mastigado, é digerido, é excretado. Mas a essência, a essência é a mesma. A quintessência: << Luz >> intangível. Estamos distantes de apalpá-la.

   

<< Refeição >>

de Milton Filho, por Jorge Xerxes

   

Não componho poemas, poesias e

Todas essas delicadezas que, vez ou outra,

Me rodeiam.

São elas que transitam em mim,

Abrindo a alma e a face em sulcos profundos.

À maneira das serpentes,

Rastejamos sinuosamente,

A diferença é que

Fazemos isso na vertical.

Morremos à mingua de nós mesmos.

Nada obstante, sou muito grato

A essas dores, elas me colocam

Diante dos degraus e me obrigam à subida.

E tudo ilude o homem atento

Porque a chave deste mundo

É essa dor que bem dentro sinto.

Não se dar conta do que é,

Eis o maior dos constrangimentos.

Há nisso uma filosofia para incendiários.

Quando digo te amo,

Sou incêndio me consumindo.

Imenso e sem fim,

Sem água e no resto de suas forças.

As estrelas expiam por nós,

Enquanto observamos a noite.

Um coração de látex resistente às ironias

E traições várias.

As ilusões exigem um corpo

A prova de bala.

Há poemas que não podem de jeito nenhum

Serem escritos ou mesmo declamados,

Simplesmente não podem.

Entender um poema

É entender um pouco de si mesmo

E isso, absolutamente, não é para qualquer um.

Temos essa indisfarçável inveja dos animais.

Das cobras não direi muito.

Elas não voam, mas nós já pousamos na lua.

Mas os dias são navalhas discretas,

Bem amoladas

E vão cortando fundo sem que se perceba.

Somos uns fundamentalistas

Abarrotados de ceras nos ouvidos.

Sim, o poema te emprenha pela nuca,

De surpresa, em qualquer posição,

Mesmo sentado numa rústica cadeira

Ou tomando um café da manhã.

Ao lado do teu cônjuge,

Uma sutil traição, que ninguém liga,

E redesenha esse triângulo de lados desiguais.

O poema te ama e te esquece

Com a mesma facilidade

Que tu, na estante, o abandonas.

O mundo agora é pequeno, querido Drummond,

Embora sua poesia continue maior.

Não é todo mundo que tem essa coragem,

Aliás, amar sempre foi uma coisa dificílima.

A morte virá e,

Segundo o mundo quântico,

Segundo Einstein,

Já aconteceu e nem percebi.

Agora topo em uma pedra e, enquanto sangro,

Agradeço e peço desculpas por importunar

O belo exercício solitário daquele cascalho.

Como é próprio das nuvens lindas e pequeninas.

Mas hoje chorei e foi muito bom chorar, desaguar as artérias,

O derramar sobre si mesmo esse tipo de mimo.

O que resulta dessa poesia,

Se for assim tão linda,

É essa esmola de ficar contente.

Sofrendo feliz a dor de parir cada vão momento,

Pelas frestas, fendas, deste que se dá.

Página por página e cada livro composto é um Milton

Que não existe mais.

Por que não haveria um poeta compondo o mundo,

Esta poesia intraduzível?

Mas não eu, que não sou outra coisa senão um poeta

Que desconfia,

Com grande margem de acerto, não ser um poeta.

Minha filosofia é morrer para o sentido

Das coisas que não há sentido algum

Ou gentil, te aguarda nas estantes, se teu cérebro soluça

Na imaturidade.

Sobre a pedra fria em forma de cruz.

A poesia me sugere alguns caminhos

E isso, de certa forma, me faz querer ser melhor.

Pelo sim e pelo não,

Vou manter minha postura de educado.

Mas antes que a morte me leve,

Vou tirar algumas dúvidas.

A este corpo prometido aos vermes.

Sob o sol causticante das ideias.

Iluminando o resto claudicante do meu pensamento.

Com o coração pejado de amor e dívidas.

Nem mesmo toda a força

De um belo nariz adunco.

Nada pode garantir que amanhã mesmo

Eu não esteja mais aqui.

Não amamos a altura de sua graça.

Trincamos em punhos como frágeis pugilistas.

Com outras mil faces em cada folha

E um espírito arteiro colorindo cada letra.

Este cisco nos meus olhos

Arranca algumas lágrimas e todos irão pensar

Que ando triste e choro…

Se morro feliz ou não

É um outro texto.

De qualquer modo,

Este poema ainda não sei construir.

Este, por exemplo, estende a mão

Embora um aperto de mão, um abraço,

Esteja um pouco difícil nos tempos de hoje.

Mas, por timidez, deixo as mãos nos bolsos.

Risque a atmosfera cintilante.

Asas fazendo um cafuné em pleno ar.

Poesia não voa, é a febre que te ergue no espaço,

Sempre me esforço por lembrar.

Entregues ao mundo, nós a perdemos.

O que vês aqui, amor ou medo?

Sabes que és tu em qualquer escolha.

Teus olhos, uma espoleta

Disparando infinitas imagens,

A umidade de tuas retinas.

A depender da forja,

Da distância do seu fundo,

Da competência de criar um mundo.

Ah… esses poemas não podem ser capturados

Com míseras palavras.

Como escolher os mais belos paralelepípedos.

Denunciando o atropelamento de um poema distraído.

Ou dizendo, curto e gentilmente, siga.

Não sofra minhas fantasias infantis,

Porque meus poemas

São exatamente isso,

Ilusões, quimeras, fábulas de criança.

Cristais reverberando

Esta humilíssima poesia.

Nada obstante, move as plantas dos teus pés

Em direção ao outro que caminha também sem rumo e sem raiz.

Mas, em algum momento desses onde tudo calha,

Nos abismos da lucidez.

   

 

 

a poesia das notas

agosto 18, 2018

   

se a civilização parece Ré troceder

e o quotidiano dos dias uma Fá bula

não é preciso ter Dó

lembra que o Sol ilumina a todos

cuida de Si

que eu cuido de Mi

e um dia a gente se encontra

   

música e arranjo :: Bino

iniciativa :: Luiz Neto

    

no dia do juízo final
de nada servirão os múltiplos pézinhos
do tatu-bola:
ele sairá girando!
todas as vaquinhas de presépio
cairão por terra.
só restarão os verdadeiros gatos,
de longos bigodes.
eu lhe disse, charles,
nem tudo é herança gen ética.
essas ideias im plantadas ajudam,
mas não salvam vidas.
não passam de mitos lógicos,
o tempo irá di ssolve-los.
o que há de melhor,
de mais nobre e de valor
se conquista com esforço.
se um cometa queima
na gravidade
é porque já perdeu sua sus
tentação no e s p a ç o,
sua razão de existir.
e de nada adianta
chorar o leite derramado.
melhor entender antes
do que lamentar depois
– só uma dica.
e para os malabaristas de plantão
saibam que do chão não caem
as bolinhas.
sim,
as girafas triunfarão ao final
porque esticaram o pescoço.
na árvore da sabedoria
pastarão tranquilas e imunes
ao choro dos bebezões:
seres hu, manos,
que só querem tirar vantagem
de tudo.
no dia do juízo final,
mas só lá, marck,
entenderemos, afinal,
que os poetas não são tolos.
no é?