O presente estudo apresenta dezesseis mandalas circulares. O objetivo é puramente estético e sensorial.

 

Estas mandalas são subdivididas em dois conjuntos, sendo oito mandalas Solares e oito mandalas Lunares.

 

As mandalas de um conjunto (Solar ou Lunar) são apresentadas na progressão aritmética dos números primos de círculos que compõe cada uma delas (2, 3, 5, 7, 11, 13 e 17). É apresentado também, inicialmente a cada um dos conjuntos, o símbolo gerador, não-dual, de um único círculo.

 

Como o objetivo não é matemático (e também para não desviar o foco dos aspectos estético e sensorial), o arranjo angular para a disposição dos círculos não é explícito. Entretanto, estas equações podem ser facilmente deduzidas por um observador com conhecimentos básicos da geometria analítica. Este arranjo angular é o que aufere o caráter particularmente harmonioso dos símbolos.

 

Finalmente, observa-se que a progressão das mandalas Solares transmite a nítida sensação de movimento e de ampliação da forma circular (bidimensional) para a forma de um toro (tridimensional) saltando para fora do plano; isto é, pelo acréscimo de uma nova dimensão do espaço.

 

A progressão das mandalas Lunares, por sua vez, remete a ideia de repouso e de concentração da forma circular original, rumando para o centro, o ponto (adimensional), como se levasse à redução de ambas as dimensões do espaço.

 

Na verdade, como a única diferença entre os dois conjuntos de mandalas é a dualidade expressa pelo par de opostos luz e sombra, ambas as percepções estéticas são válidas e ocorrem concomitantemente. Isso reforça a ideia de que com o aumento da freqüência de vibração (maior movimento) é ampliada a capacidade de concentração; ou seja, aquela da percepção consciente.

 

Mandalas Solares (1, 2, 3, 5, 7, 11, 13 e 17; luz)

 

Mandalas Lunares (1, 2, 3, 5, 7, 11, 13 e 17; sombra)

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Sempre

maio 14, 2018

 

Os sábios alquimistas eram conhecidos por desenvolver investigações a partir dos quatro elementos básicos – a terra, o ar, a água e o fogo. Como estes experimentos foram realizados tão deslocados no tempo pretérito, boa parte da documentação quanto à manipulação destes processos se perdeu. Em parte por conta de traduções ou descrições imperfeitas dos documentos originais, em parte por causa das perseguições sofridas pelos alquimistas durante a idade média, que fez com que este conhecimento fosse tratado como profano, e transmitido secretamente entre pessoas de extrema confiança, apenas verbalmente ou criptografado; ou seja, descrito em linguagem de código.

 

De fato, neste começo do terceiro milênio, é tão pequena a reminiscência da alquimia em nossa cultura, que muito se especula inclusive sobre o real propósito desses laboriosos processos. A tecnologia se desenvolveu, os elementos básicos saltaram daqueles quatro originais para toda uma tabela periódica. Chegamos aos átomos; depois aos prótons, aos nêutrons e aos elétrons; mais tarde a outras partículas elementares, ainda menores, de decaimento rápido. Uma infinidade de processos químicos e físicos foi documentada com grande riqueza de detalhes, viabilizando estes processos a serem reproduzidos com precisão, eficiência e em escala industrial.

 

Tudo isso levou a um enorme progresso intelectual, a geração de riquezas e a melhoria da qualidade de vida do ser humano. Esta constatação é percebida tão diretamente pelos nossos cinco sentidos físicos – a visão, o olfato, o tato, a audição e o paladar – que falar em fogo, água, terra e ar como elementos básicos parece soar exageradamente simplista, ou remeter a imagem de um homem no tempo das cavernas.

 

Por outro lado, devemos nos lembrar de que a idealização do tempo linear é uma premissa do ser humano apenas. Uma forma de nos organizarmos para a manutenção da rotina, e que não presta para nada mais além disso. A história remete-nos a ideia de um tempo cíclico, na medida em que observamos a ascensão e a queda dos grandes impérios, o surgimento e a extinção de espécies, períodos de guerra intercalados por aqueles de paz, ou as altas e as baixas nas bolsas de valores.

 

Na verdade, até as teorias mais recentes da física (as melhores que temos em mãos, o que não significa que representam exatamente como funciona a natureza) já se dobraram ante ao mistério do tempo. A teoria da relatividade de Einstein propôs (e já foi demonstrada experimentalmente) a curvatura do espaço-tempo, que é a soma das três dimensões do espaço mais aquela da evolução no tempo, o meio no qual suavemente navegamos. Segundo Einstein, a maior velocidade possível é aquela da luz, c = 300,000km/s.

 

Por outro lado, a mecânica quântica é a física que descreve o comportamento das partículas elementares; ou seja, aquelas de dimensões microscópicas. O objeto na mecânica quântica tem a característica de se comportar ora como partícula (matéria), ora como onda eletromagnética (energia); e este comportamento também já foi demonstrado através de inúmeros experimentos. O experimento quântico é uma indeterminação no tempo (dualidade) que pode ser representada por uma densidade de probabilidade; por exemplo, podemos apenas saber qual é a chance de um elétron estar em determinada posição num instante de tempo específico. A observação de um evento quântico provoca o colapso dessa indeterminação (dualidade) numa realidade (resultado único), que pode ser aquela de uma partícula ou de uma onda. Também: a observação de um evento quântico (a consciência) afeta o resultado (a realidade). E ainda: tanto a teoria quanto o experimento quânticos apresentam a característica de não-localidade; isto é, a manifestação de resultados coerentes (mesma realidade) simultaneamente (exatamente ao mesmo tempo, ou instantaneamente) em posições distintas do espaço.

 

É fácil perceber que alguma coisa não vai bem com o tempo: A teoria da relatividade de Einstein, válida para os corpos do macrocosmo, descreve um comportamento suave que tem por características principais a curvatura do espaço-tempo e um limite superior para a velocidade. Enquanto a mecânica quântica, a teoria válida para os corpos no microcosmo, é caracterizada por um comportamento dual (partícula ou onda; binário; zero ou um) que se manifesta instantaneamente num resultado único (a realidade) através da observação (da consciência), mesmo havendo distâncias envolvidas. Essa disparidade entre os comportamentos dos corpos no macrocosmo e no microcosmo é coisa de fazer cair os cabelos de muita gente que pensa sobre isso.

 

Ainda que você, caro leitor, seja uma pessoa relax, dessas que acha que não precisa se preocupar com esse tipo de aporrinhação, coisa de quem fica procurando pelo em ovo, por se tratarem de aspectos muito sutis, que não afetam diretamente as nossas vidas, pode ser que você esteja redondamente enganado. E, na dúvida, eu recomendo que a gente fique, por ora, não com o tempo linear que alimenta a nossa rotina, mas com o tempo natural, cíclico, que é aquele sobre o qual nos dizem as revoluções da Terra, a sua translação ao redor do Sol, as fases da Lua e também o movimento das marés. Porque em tempos de smartphone, quem olha para o céu é rei.

 

A verdade é que – a despeito de todo o progresso intelectual, da geração de riquezas e da melhoria da qualidade de vida do ser humano que alcançamos graças ao desenvolvimento tecnológico – a luta pela sobrevivência parece só se agravar. Vivemos, agora, uma das mais graves crises de valores morais. As pessoas acusam-se umas às outras; cada um precisa provar todos os dias a sua inocência; proteger a sua casa para que não entrem bandidos; enquanto trabalha para pagar os impostos, que sabidamente serão desviados; ou compra produtos básicos, que vão ampliar a concentração de renda em favor dos cartéis econômicos. Na luta pela sobrevivência, tempo é o que falta e a natureza nos dá sinais de claros de esgotamento.

 

O pior, a meu ver, é o fato de que – apesar de admitirmos isso – prosseguimos adiante por esta senda nefasta, sem refletirmos sobre as razões de fazermos assim, sem refletirmos sobre o que deixaremos para as futuras gerações, sem refletirmos sobre eventuais desvios de rota que poderiam resolver a grave crise de valores morais. Seguimos como uma manada desenfreada de animais irracionais, guiada pelos seus instintos de sobrevivência, usando sobre os olhos a venda da tecnologia e avalizados pela suposta aura de sermos inteligentes.

 

Independente disso, pouco se sabe sobre os propósitos da alquimia. Há quem diga que o seu objetivo final era aquele da transmutação de metais comuns em ouro; outro possível objetivo seria a síntese de certo elixir para a eterna juventude, ou talvez até um elixir da vida eterna; havendo ainda, como terceira possibilidade, a busca pela tal pedra filosofal (espécie de amuleto obscuro para a profunda sabedoria).

 

Certeza nós temos apenas de que os sábios alquimistas eram conhecidos por desenvolver investigações a partir dos quatro elementos básicos – a terra, o ar, a água e o fogo. E, qualquer que fosse o propósito final da alquimia, ele dizia respeito aos intrincados processos de transformação da matéria-prima no produto final, denominado por quintessência.

 

O processo se iniciava a partir do esquema de uma cruz de lados iguais. Na extremidade inferior da cruz era disposta a terra. Na extremidade superior ficava o ar (ou o céu). À direita da cruz era colocada a água (ou o mar) e a sua esquerda, o fogo. Havia então dois pares de pólos opostos (ou dualidades): ao longo do eixo vertical da cruz, os elementos opostos terra e ar; enquanto que ao longo do eixo horizontal da cruz, os elementos opostos água e fogo.

 

Fazendo um paralelo com o homem, e começando da extremidade inferior da cruz, nós encontramos a terra. A terra representa o que temos de mais rígido e denso em nosso corpo: os ossos e os músculos. Percorrendo a cruz no sentido anti-horário, vamos encontrar a água a seguir. A água representa o sangue que corre em nossas artérias e veias, também o plasma e os demais fluidos do corpo humano. São mais sutis e acomodam-se ao vaso do corpo. Depois vem o ar, que inspiramos e expiramos em ciclos, um elemento ainda mais sutil. E enfim, o mais sutil dentre os quatro elementos: o fogo, que também está presente no corpo humano, especialmente no sistema nervoso, na forma de ampla rede de transmissão dos impulsos eletromagnéticos.

 

Se unirmos as quatro extremidades da cruz, teremos um quadrado ou quaternidade, a partir dos quatro elementos da matéria-prima. Este quadrado está girado de quarenta e cinco graus, formando um losango eqüilátero, a mais simples das mandalas.

 

Segundo os estudos de Carl Gustav Jung, o desenvolvimento psicológico do ser humano se dá pela circumambulation, que é a circulação ou dança em torno dos objetos sagrados. Essa circulação é a experiência incessante de movimento da consciência evitando a estagnação nos extremos de uma das polaridades apenas destes elementos duais, o que seria muito danoso sob o ponto de vista psíquico. Ainda segundo Jung, o processo do amadurecimento psíquico se dá através do conunctio, que é a conjunção, ou equilíbrio dos elementos opostos, numa união, integrando de forma saudável o consciente e o inconsciente. O símbolo da unicidade é o círculo. E se girarmos o quadrado em torno do seu centro, é exatamente essa a figura que vamos obter.

 

Se me permite uma interpretação pessoal, eu diria que estamos sempre realizando essa circulação em torno dos objetos sagrados, tomando decisões conscientes (quânticas) e buscando essa conjunção, ou equilíbrio integrando de forma saudável o consciente e o inconsciente. Essa geometria simultânea seria representada por aquela de uma espiral de diâmetro decrescente, girando no sentido anti-horário em direção ao centro, com saltos representando algumas escolhas conscientes mais significativas. Nesta imagem simbólica da trajetória pessoal do individuo, a redução do diâmetro diz respeito ao processo de tomada de consciência gradual de processos antes relegados totalmente ao inconsciente, e que através da experiência vão se desvelando.

 

Neste artigo apresentei oito dessas figuras. Cada uma das figuras é a representação artística da trajetória pessoal de quatro indivíduos. Cada um dos quatro indivíduos, representados em uma figura, tem como ponto de partida uma das extremidades da cruz. Eles iniciam, então, os seus processos contínuos de circulações anti-horárias, escolhas conscientes (saltos quânticos) e graduais tomadas de consciência. Observa-se que a trajetória de cada indivíduo é única, mas todas elas têm uma orientação preferencial, que é a busca pela conjunção, ou equilíbrio integrando de forma saudável o consciente e o inconsciente, pela absorção gradual de conteúdos antes relegados totalmente ao inconsciente, e que através da experiência vão se desvelando.

 

Essa dualidade entre consciente e inconsciente é uma das coisas mais fascinantes do ser humano. O consciente tem um papel ativo, representando o nosso ego, lidando diretamente com as nossas vontades e escolhas (livre arbítrio), os processos racionais e a interação com o mundo exterior. O inconsciente, por outro lado, tem o papel passivo; representa o nosso self, o si-mesmo ou o eu-superior; responde às nossas escolhas (livre arbítrio) através dos sentimentos; trabalha com os conteúdos emocionais, é o responsável pelas nossas intuições; e a interação com o mundo interior. Nesse sentido, o inconsciente responde por todas aquelas atividades sobre as quais não colocamos o foco momentâneo da consciência; como por exemplo, é ele quem gerencia a maioria dos processos fisiológicos do corpo humano, como a respiração, a pulsação, etc.

 

Por isso tudo, explicado no parágrafo acima, é muito mais difícil estarmos atentos ao inconsciente do que ao consciente. O inconsciente age mais como um mentor, ou anjo da guarda, que está sempre junto ao consciente, mas deixa que este último tome as decisões. No nosso quotidiano estamos fazendo escolhas a todo o momento. Se eu vou até a copa, pode acontecer de eu ficar em dúvida se eu tomo uma xícara de café ou um copo d’água. E são em momentos como este que parece haver duas entidades pensantes dentro de minha cabeça – uma forma sutil de se aperceber as trocas entre consciente e inconsciente. Toda a escolha parte de um evento quântico, de uma dualidade, que provoca o colapso da nuvem de possibilidades num resultado específico.

 

Mas uma escolha tão irrelevante – entre uma xícara de café ou um copo d’água – será mesmo um evento quântico? Ou seja, será que esta simples escolha, pode desencadear implicações quânticas (imaginando aqui um evento quântico com a mesma gravidade como aquela em que foi tratada no parágrafo referente ao microcosmo; isto é, implicações tão radicais quanto a dualidade partícula-onda)? Afinal, além de terra, água, ar e fogo, do que é feito ser humano?

 

O ser humano é composto por células. São inúmeros os tipos de células com ciclos de vida distintos. Apenas para ter uma ideia, começando pelo sangue: o corpo humano apresenta por volta de 2,4 milhões de glóbulos vermelhos; eles duram entre 100 e 120 dias. Os glóbulos brancos têm ciclos de vida entre 8 horas e 3 dias; e para combater uma infecção, o corpo humano é capaz de produzir entre 40 e 50 bilhões de glóbulos brancos. Já as plaquetas sanguíneas vivem de 5 até 9 dias. As células dos pulmões duram entre 2 e 3 semanas. As células do fígado, por sua vez, vivem em média 5 meses. As papilas gustativas da língua são substituídas a cada 10 dias. As células da pele tem o ciclo de vida de 2 até 4 semanas. Já as células ósseas do esqueleto humano são totalmente substituídas ao longo de 10 anos.

 

O cérebro humano apresenta em média 100 bilhões de células nervosas. Mas estas células nervosas, também aquelas dos olhos e as células do músculo do coração estão entre as quais permanecem as mesmas ao longo de toda a vida da pessoa. Além disso, o ser humano troca toda a água do seu corpo (que representa 70% de sua massa total) em intervalos de aproximadamente 25 dias. Agora, o mais impressionante é que, do montante total de células do corpo humano, habita nele uma quantidade dez vezes maior de células de bactérias. Estas bactérias se reproduzem por divisão celular e, uma vez que o número total delas permanece constante, podemos estimar que o ciclo médio de vida bacteriano é de 12 horas. Mas este é apenas um valor médio, pois a variedade de bactérias é muito diversificada, existindo algumas delas que podem viver por até milhões de anos.

 

Desses dois parágrafos anteriores, observa-se que o ser humano é a morada de um gigantesco e complexo microbioma. Além disso, fica claro que o homem está muito mais para um processo, um movimento, uma dança, um constante fluir, do que propriamente uma intrincada organização material (que é como geralmente nos imaginamos). E vendo o ser humano sob essa ótica; de uma gigantesca e complexa morada de bactérias, de fungos, de vírus e de células humanas propriamente ditas; fica claro como uma escolha aparentemente tão simples – entre uma xícara de café ou um copo d’água – desencadeará uma avalanche de desdobramentos distintos (quânticos) nesse nível de escala (microbiológico).

 

Assim como o Sol está para Mercúrio, Vênus, Terra, Lua, Marte… enfim, para todo o sistema solar – ele é o provedor de energia que nutre e estabiliza todo o sistema –, assim também o ser humano está para o seu microbioma. E assim também o planeta Terra está para todos os seus habitantes – sejam eles dos reinos animal, vegetal ou mineral.

 

Nesse ponto, parece ficar claro qual o objetivo da alquimia. Estas investigações de intrincados processos a partir dos quatro elementos básicos – a terra, o ar, a água e o fogo tinham como propósito final chegar à essência do ser humano, bem como àquela do macrocosmo e do microcosmo que, por similaridade, são exatamente as mesmas. O almejado resultado do processo alquímico, a quinta essência, é a vida.

 

A vida, este milagre que é a contrapartida do que reza o estágio atual do conhecimento científico. Sim, contrapartida; porque enquanto a terceira lei da termodinâmica demonstra racionalmente que os processos químicos geram entropia, que o estado natural de um sistema, aquele de menor energia, é o caos; está aí a vida, entranhada em todos os níveis das criaturas – do macrocosmo ao microcosmo – demonstrando silenciosamente, como um soberano observador inconsciente: a força da vida é aquela capaz de sustentar o universo.

 

Ao contrário do caos (ou o desmantelamento do sistema para o seu estado de menor energia), a natureza mostra-nos que existe um sentido de orientação da vida que vai das criaturas mais simples para aquelas de complexidade e grau de consciência crescentes. A natureza demonstra também que o mecanismo predominante de relacionamento entre as criaturas é a simbiose; isto é, a mútua colaboração.

 

Se isso não resolve de pronto os problemas de nossa civilização, ao menos aponta um caminho, indica um sentido natural a ser seguido. A luta pela sobrevivência e a falta de tempo não passam de efeitos colaterais de um processo destrambelhado do desenvolvimento humano, um simples resultado (ou reação) para a forma como nos comportamos até aqui. Mas o futuro se faz agora. Basta lembrarmo-nos de que fazemos escolhas conscientes a todo o instante.

 

Eu vejo nuvens de possibilidades adiante. Toda a vez que escolhemos a mútua colaboração em detrimento da luta pela sobrevivência (do egoísmo apenas), certamente teremos dado passos seguros em direção a uma realidade melhor.

 

Abaixo o PDF para Download…

um_experimento_de_alquimia

Sobre a sua barriga

abril 28, 2018

 

Quieto, não digo nada.

É da minha natureza observar.

Eu tenho presas e garras afiadas. Eu uso bigodes. Eu tenho um rabo como aquele do demônio.

Mas eu não sou.

Quieto, eu me banho ao sol da manhã.

À noite, sobre o muro, eu observo as estrelas.

Em cada uma delas, o brilho de uma vida.

Vejo na lua o reflexo do sol.

Quieto, eu observo a natureza.

Caminho por entre os arbustos. Eu sinto a brisa.

E o que eu vejo é reflexo de mim mesmo.

Se você mora no meio do quarteirão, eu estarei, simultaneamente, refestelado em ambas as esquinas.

Aguardando, ansioso, que você me atropele com o seu carro, enquanto dirige rápido, desapercebida.

Enquanto isso eu me banho, lambendo os meus pelos.

É que eu preciso morrer sete vezes para cumprir o meu carma.

E me tornar um bicho melhor.

Mas se você me vê, como eu realmente sou, e me dá carinho; irei retribuir em dobro.

Caminharei com as minhas patas macias sobre a sua barriga.

 

Deixa

abril 25, 2018

Quantum prayer

abril 22, 2018

Go(o)d

(infinit)(sourc)e

L(ove)(ight)

(Pe)(H)a(ce)(rmony)

every(time)(where)

(alw)(gr)a(ys)(teful)

I Am

 

(23r0) Simple excerpts from Siddhartha, an Indian tale, by Hermann Hesse.

 

(0n3) Tenderly, he looked into the rushing water, into the transparent green, into the crystal lines of its drawing, so rich in secrets. Bright pearls he saw rising from the deep, quiet bubbles of air floating on the reflecting surface, the blue of the sky being depicted in it. With a thousand eyes, the river looked at him, with green ones, with white ones, with crystal ones, with sky blue ones. How did he love this water, how did it delight him, how grateful was he to it! In his heart he heard the voice talking, which was newly awaking, and it told him: Love this water! Stay near it! Learn from it! Oh yes, he wanted to learn from it, he wanted to listen to it. He who would understand this water and its secrets, so it seemed to him, would also understand many other things, many secrets, all secrets.

 

But out of all secrets of the river, he today only saw one, this one touched his soul. He saw: this water ran and ran, incessantly it ran, and was nevertheless always there, was always at all times the same and yet new in every moment! Great be he who would grasp this, understand this! He understood and grasped it not, only felt some idea of it stirring, a distant memory, divine voices.

 

(7w0) In a friendly manner, he lived side by side with Vasuveda, and occasionally they exchanged some words. Vasuveda was no friend of words; rarely, Siddhartha succeeded in persuading him to speak. “Did you,” so he asked him one time, “did you too learn that secret from the river: that there is no time?”

 

Vasuveda’s face was filled with a bright smile. “Yes, Siddhartha,” he spoke. “It is this what you mean, isn’t it: that the river is everywhere at once, at the source and at the mouth, at the waterfalls, at the ferry, at the rapids, in the sea, in the mountains, everywhere at once, and that there is only the present time for it, not the shadow of the past, not the shadow of the future?

 

“This is it,” said Siddhartha. “And when I had learned it, I looked at my life, and it was also a river, and the boy Siddhartha was only separated from the man Siddhartha and from the old man Siddhartha by a shadow, not by something real. Also, Siddhartha’s previous births were no past, and his death and his return to Brahma was no future. Nothing was, nothing will be; everything is, everything has existence and is present.”

 

(7hr33) Quoth Siddhartha, smiling from his old eyes: “Do you call yourself a searcher, oh venerable one, though you are already of an old in years and are wearing the robe of Gotama’s monks?” “It’s true, I’m old,” spoke Govinda, “but I haven’t stopped searching. Never I’ll stop searching, this seems to me my destiny. You too, so it seems to me, have been searching. Would you like to tell me something, oh honourable one?”

 

Quoth Siddhartha: What should I possibly have to tell you, oh venerable one? Perhaps that you’re searching far too much? That in all that searching, you don’t find the time for finding?” “How come?” asked Govinda.

 

“When someone is searching,” said Siddhartha, “then it might easily happen that the only thing his eyes still see is that what he searches for, that he is unable to find anything, to let anything enter his mind, because he always thinks of nothing but the object of his search, because he has a goal, because he is obsessed by the goal. Searching means: having a goal. You, oh venerable one, are perhaps indeed a searcher, because, striving for your goal, there are many things you don’t see, which are directly in front of your eyes.”

 

Ciclope

abril 13, 2018

 

OlhOs estãO para enxergar

nO mundO dOs sentidOs

mas para ver

– transcendendO a dualidade –

sãO Os OlhOs da alma

 

Em planta

abril 11, 2018

através dos ventos solares

a luz da lua refletida

concentrada em gotas de orvalho

logo, logo(s)

brotará da terra

a semente

só o amor (r)existe

(e) terna mente

 

3d Yin-Yang

abril 5, 2018

Uma explicação metafórica do intercâmbio entre os mundos da criação e da manifestação

 

Este texto traz uma visão simples, conceitual e esquemática para a abordagem de um assunto relativamente complexo, que é o estudo do intercâmbio entre inconsciente e consciente, matéria de interesse especialmente da psicologia. Por tratar-se de uma explicação metafórica, não tem ancoragem na bibliografia acadêmica, devendo ser apreciada mais como imagem poética, exercício da criação de uma pessoa simples interessada nas relações entre as criaturas – tanto nos seus aspectos objetivos quanto subjetivos. Também não espere encontrar aqui nada novo, coisa que nunca foi dita ou que vá se chocar contra àquilo que cada um de nós traz (intuitivamente) dentro do peito. Apenas a roupagem é diferente. A proposta deste texto é um exercício de simplicidade e poesia, reitero.

O ponto de partida para essa nossa viagem é o símbolo tradicional do Yin-Yang, conforme apresentado na Figura 1, uma imagem bidimensional (2d). É sabido que este símbolo é a representação do eterno movimento, ou de permutas entre pólos opostos de natureza dual; aqui representados pelo Yin (sombra, feminino, Lua, reativo) e o Yang (luz, masculino, Sol, ativo). É interessante observar que o pequeno círculo de sombra interior ao Yang remete a ideia de que o Yang nasce do Yin e, vice-versa, o pequeno círculo de luz interior ao Yin remete a ideia de que o Yin nasce do Yang. O símbolo como um todo, por sua vez, transmite a ideia de movimento no sentido horário, sendo que a interface Yin-Yang é representada por uma onda em progressão, também associada ao território da manifestação, ao mundo dos sentidos, morada da dualidade, onde se dão as trocas conscientes entre as criaturas.

Nossa viagem prossegue pelo exercício da imaginação de um símbolo Yin-Yang 3d, conforme apresentado na Figura 2. Esta transmutação do símbolo resulta numa esfera. O Yang é como um vórtice ou redemoinho que gira no sentido anti-horário, vindo do equador, e cujo epicentro está no pólo norte. No topo da esfera, ou pólo norte, nós temos o ponto onde o Yang nasce do Yin.

Por sua vez, no pólo sul, ou vale da esfera, temos o ponto onde o Yin nasce do Yang. O Yin gira no sentido horário, num redemoinho ou vórtice, descendo do equador em direção ao pólo sul (vale). E, nessa analogia geográfica com o nosso pequeno planeta – a Terra –, vamos encontrar na zona tropical a região de interface entre Yin e Yang. Uma região turbulenta, onde outros redemoinhos se formam (eles são representados por quatro vórtices na Figura 2), como forma de acomodar nesta área a interface entre Yin e Yang, onde naturalmente dá-se a experiência entre estes pólos opostos.

Esta representação idealizada da Figura 2 é a morada dos sentidos, o mundo exterior, do qual estamos conscientes. Um mundo de múltiplas manifestações e criaturas (identificadas pelos redemoinhos da Figura 2), onde impera a dualidade e aprendemos (lentamente) uns com os outros através do atrito entre nossos egos, que são as nossas interações no plano da matéria. Mas, assim como existe um mundo exterior, há também um mundo interior, subjetivo, do qual muita vez não nos damos conta.

Nossa jornada prossegue através dessa nova abstração, que nada mais é que o lado de dentro dessa mesma esfera. A Figura 3(a) revela o mundo interior, simbolizado pelo interior da esfera, morada do inconsciente, de onde parte a intuição. Por dentro, podemos observar dois redemoinhos (ou vórtices): Um redemoinho Yang que parte do topo da esfera (pólo norte), gira no sentido anti-horário e desce em direção ao centro – conforme representado na Figura 3(b). E o outro, um vórtice Yin que parte do pólo sul (vale), roda no sentido horário e sobe em direção ao centro – vide Figura 3(c).

Bem no centro desse mundo interior, vamos encontrar um ponto onde estes dois redemoinhos convergem: um ponto de quietude, imanente, não-dual. Este é aquele ponto atribuído ao inconsciente coletivo, o que está a conectar todas as criaturas do universo. Este ponto é a morada da criação, de onde resultam todos os seres e as manifestações do mundo exterior.

Dessa viagem pela geometria do Yin-Yang 3d podemos extrair algumas ideias e interpretações poéticas. Ainda que elas não sejam de natureza científica, podem nos ajudar através de nossa jornada nesse nosso pequeno planeta. Afinal, o que é a vida terrena senão uma experiência transitória no mundo da manifestação, cujo objetivo é o próprio aprendizado e a evolução? Então, aí vão algumas ideias, e você tem todo o direito de concordar ou não com elas, afinal eu sou apenas uma esfera, dentro da esfera da Terra, junta a bilhões de outras esferas humanas.

Existem esferas dentro de esferas. O número delas cresce infinitamente tanto externamente quanto internamente a nós mesmos. Por exemplo: aquela esfera da Figura 2 pode ser imaginada como a esfera de uma família de quatro pessoas, onde cada uma das pessoas é um daqueles quatro vórtices próximos a linha do equador.

Apesar de vivermos (predominantemente) no mundo exterior – aquele da manifestação – e realizarmos a troca de nossas experiências com todos os outros seres através dos nossos cinco sentidos (o tato, o olfato, a visão, a audição e o paladar), devemos estar atentos em fazê-lo de acordo, em consonância, com o nosso eu-interior – que pode ser também chamado de inconsciente ou de super-ego. Sempre que nos manifestamos em desacordo com a nossa intuição, isto resultará em divergências que, por mais que tentemos dominar, em algum momento elas se exteriorizarão. E quanto maior a tensão consciente / inconsciente, mais explosiva se dará a manifestação. Não há como fugirmos de nós mesmos.

É da moderação através dos pólos norte e sul, topo e vale, Yang e Yin – ambos ilustrados nas Figuras 2 e 3 –, ou seja, das trocas constantes entre o mundo interior e o mundo exterior, de uma espécie de afinação ou de sintonia entre eles, é que conseguimos caminhar de forma equilibrada através do mundo da manifestação. A criatura pode estar em meio a uma verdadeira batalha, e ainda assim sentir-se em paz e feliz. Noutro extremo, a criatura pode estar na quietude de um santuário, na melhor das companhias, com o coração aos solavancos, em meio a um turbilhão de sentimentos conflitantes (a pronunciada separação entre consciente e inconsciente). Em última instância, a vida é uma experiência do ser consigo mesmo.

No interior de cada criatura, bem no seu centro, está o espaço de quietude, o seu lugar imanente, não-dual, onde todas as aparentes ambigüidades se acomodam. Outros chamam este lugar de inconsciente coletivo. Este é o mundo da criação, origem de todas as criaturas e as suas manifestações. Muita vez a criação dá-se de forma inconsciente, noutras vezes sendo percebida como intuição. Mas existe um sentido pré-estabelecido, e é sempre este: do mundo interno, aquele das ideias, para o mundo externo, o da manifestação. Este é o trabalho, a tarefa da existência aqui na Terra: perseguir essa senda, trazer do inconsciente para o consciente, elevar a sua luz. Apenas os seres iluminados, aqueles que trabalham do espaço imanente, em sintonia com o inconsciente coletivo, são aqueles capazes de criar conscientemente a realidade.