Highway pics

setembro 27, 2013

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Eu dirijo.

Buda me guia.

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Noite

setembro 12, 2013

noite_jorge_xerxes

Fazia um dia de sol na praia. Eu era um adolescente de uns dezesseis anos e estava junto de três outros meninos, todos na faixa dos oito anos. Brincávamos descontraidamente, conversávamos, jogávamos água com os pés uns nos outros. Eu tinha a impressão de ter responsabilidade por aqueles três garotos, como se eu fosse um amigo ou irmão mais velho.

Eu disse a eles que ficassem na areia enquanto eu dava um mergulho para refrescar o corpo. Mergulhei na água salgada e fui nadando em direção ao mar aberto. Gosto de ficar flutuando um pouco depois da rebentação. De súbito, fui puxado por uma corrente que me levava mar adentro. Tentei lutar contra a corrente, mas ela era mais rápida que eu conseguia nadar em direção a areia. Isso me deixou preocupado; mas preferi desistir da batalha e permanecer tranquilo, na superfície. Não dava para lutar contra aquela corrente. Percebi então que estávamos às bordas de um remoinho, uma gigantesca circulação d’água no sentido anti-horário, cujo raio era de aproximadamente cem metros. Escrevi “estávamos” porque havia outros banhistas naquele movimento circulatório. Havia também peixes, polvos, arraias, golfinhos – todos girando em torno do centro, no sentido contrário aquele dos ponteiros do relógio. A água estava muito límpida e a visibilidade era excepcional. Um espetáculo fascinante, e era estimulante participar daquela circulação d’água e de vida.

Observei um tubarão a minha esquerda, ele também era tragado pelo remoinho, estava a um arco de circunferência no sentido horário, atrás de mim. Ele se aproveitava da circulação para devorar pequenos peixes que encontrava pela frente, e ele nadava em minha direção. Isso me causou grande apreensão. Pus-me a nadar em disparada no sentido anti-horário, contornando por fora e ultrapassando outros banhistas que também faziam parte da circulação. Eles não estavam nada tranqüilos, pareciam mesmo deseperados e isso piorava a situação deles; alguns lutavam para não se afogar, manter-se na superfície. Fiquei preocupado com eles, mas eu nada podia fazer: o tubarão estava vindo, eles serviam como obstáculos, escudo ou eventual banquete para a fera marinha.

De repente o nível d’água começou a baixar. Era diferente daquele efeito de um ralo: o remoinho estava se abrindo, a circulação líquida ficava à margem, deixando uma área central circular. Essa área lembrava o centro de uma viela do século dezenove. Tudo muito antigo, uma paisagem bastante verde e bucólica, característica do interior. Havia pessoas caminhando com trajes de época, usando chapéus. Havia algumas contruções singelas: algumas casas, uma igreja. Por motivo que desconheço aquela viela me parecia estranhamente familiar. Senti-me acolhido naquele local. Tive a sensação de uma viagem no tempo.

PS: Este texto é a simples descrição de um sonho muito vívido, que deixou uma forte impressão.

Sobrevivência

setembro 6, 2013

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Silêncio.

A hora ou o dia pouco interessa. Jacinto chega à praia, tira a sua camisa, avança os pés descalços pela areia.

Agora ouça ao fundo: oceano. Ele toma um gole da aguardente enquanto espera pelo momento oportuno de salgar o corpo.

Jorge imagina Jacinto que (por sua vez) o descreve com a esferográfica. É o que tem que ser. Jacinto existe e filtra o mundo através dos seus sentidos.

Ele é essa massa humana. E = m c2, segundo Einstein. E quem sou eu para duvidar dele? Quanto maior a massa, mais de Jacinto atrelado ao seu próprio mundo.

Jorge está do outro lado. Noutro plano, donde expulsa ideias imundas sobre o papel. Um punhado menor da inércia nesse sistema ligado de molas, de amortecedores. A energia se equilibrando nos pratos da balança.

E deve você saber que Jacinto fumava tranquilamente um cigarro natural ao longo de todo o último parágrafo.

Ah, o mar! Pensa Jorge. Jacinto recebe uma baforada refrescante da maresia. As ondas fluindo, energia em movimento. Jacinto leva-as diretas na cara. Até aquele ponto que chamamos de realidade.

Jacinto toma mais um gole da aguardente. E o outro se decide finalmente por um mergulho…

Sobreviveremos?