Um drink dos deuses

novembro 28, 2013

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Borboleta azul

novembro 17, 2013

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 “– Jamais dei um passo nesse sentido e aqui estão os motivos de minha indiferença.” Allan Kardec

 

os planetas desabaram 

o céu colapsou

dobrou-se

quando encontrei em Águas da Prata

a borboleta azul

perguntei-lhe qual o segredo

para do minúsculo da sombra

extrair plena a luz

ela me disse que do xixi do grilo

advinha a energia

para o brilho vistoso

elegante

ou voo ziguezagueante

o flanar solto

ao sabor do vento

bom

eu lhe perguntei se eu sorvo dele

de canudo

o que me acontece então

ela gargalha

(já ouviste o riso da borboleta?)

deixe de ser tonto

asa é pra quem tem

imaginação

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O brilho das sombras

novembro 11, 2013

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Terminei agora a leitura cuidadosa, quase um estudo, de nossa antologia de contos O Mistério Das Sombras.

A referida antologia, organizada por Afobório e publicada no último mês de setembro pela Editora Multifoco, conta com a participação de trinta e cinco contos de diferentes autores, escritos em homenagem ao famoso escritor estadunidense Edgar Allan Poe.

Referi-me a obra no primeiro parágrafo como “nossa antologia de contos”, pois me sinto um afortunado pelo fato do conto Convalescença, de minha autoria, ter sido um dos trinta e cinco selecionados para compor a antologia.

Digo isso porque após a leitura cuidadosa do livro, que recebi pelos Correios algumas semanas atrás, é patente o esmero com que cada autor se dedicou ao conto, de modo a compor um conjunto consistente e conteúdo narrativo de primeira grandeza.

Acabei por não conseguir cumprir o desafio que eu mesmo me propus quando respondi às questões enviadas pelo Afobório para a entrevista da antologia: “Escolha o seu preferido!” – vide a terceira parte desse texto. De fato, como escolher um conto dentre trinta e cinco histórias tão criativas quanto distintas, cada qual uma sincera homenagem ao grande mestre do suspense? Impossível.

Este texto era para ser uma resenha, mas acabou saindo assim: um agradecimento aos trinta e quatro colegas autores com os quais compartilho dessa fascinante experiência no âmbito das letras. 

O título que escolhi para o texto – O brilho das sombras – pode à primeira vista soar paradoxal, racionalmente destituído de sentido. Mas trata-se de uma alusão às quatro potências da cosmogonia que regulam o fluxo dos fenômenos naturais: a construção (a gota clara representando o yang), a destruição (a gota escura característica do yin), a criação (o pequeno círculo claro interior ao yin) e a regeneração (o pequeno círculo escuro do yang).

Quero dizer com isso que a literatura se renova; ela definitivamente não está restrita a um conteúdo estanque representado pelos medalhões do passado. Cada um de Vocês é único. Uma estrela singular no universo. Que brilhem com todas as suas forças!

A segunda parte desse texto traz trechos selecionados dos doze contos que mais me sensibilizaram, seguindo a ordem em que os mesmos aparecem na obra. A terceira parte, como já mencionado, diz respeito a minha entrevista concedida para a antologia.

 * * *

Afobório et al., “O Mistério Das Sombras”, EDITORA MULTIFOCO, ISBN: 978-85-8273-324-0, Rio de Janeiro, 2013.

1 Uma Canção Ao Desastre

E toquei como nunca antes tocara, como nunca antes sonhara em tocar, o arco dançando sobre o violino como o tempo em torno do ser – e eu senti – seus olhares, seus corações, suas almas hipnotizadas, sua mente se prendendo àquilo como que por magnetismo.

2 Nas Terras Do Poderoso Senhor Valdez

Chamou-nos a atenção a coloração esverdeada à volta da ferida. Cutucando com o canivete, o ferimento mostrava-se profundo. Profundo e verde.

3 A Estranha Família K

O silêncio daquele lugar era absoluto. Nenhum ruído saía da mata, nenhum bicho, pássaro, ou mesmo o vento, davam o ar da graça. Nada se movia ou fazia barulho, era como se eu estivesse cruzando um lugar desfeito de vida, onde o tempo não existia, ainda assim, me sentia observado por milhões de olhos, sendo julgado e sentenciado.

4 A Maldição

Algo naquele olhar e naquelas palavras fez com que eu engolisse seco. Meu coração acelerou denunciando o inesperado e inexplicável nervosismo que estava sentindo, mas meus amigos estavam lá, zombando.

5 As Irmãs Fox

Pensou por trás do antiquado cavalheirismo, que aquilo tudo, poderia ser uma farsa grotesca, à custa de um trabalho insano, mas com excelentes dividendos para a fé.

Hydesville, apenas uma parada no meio do nada, vizinha de New York apenas três centímetros medidos no papel do mapa; na prática, um mero intervalo empoeirado entre o nada e coisa nenhuma, em mil oitocentos e quarenta e sete.

6 Edgar

Aos poucos os olhos se acostumam ao breu e enxergam os contornos da beira das estradas do interior. As pastagens vastas e calmas. Os animais. Os montes. Ora ou outra, um trecho de mata fechada. Um ou outro vilarejo e a imagem favorita: os casebres perdidos no meio do nada.

7 O Busto De Clitemnestra

Renasci com um novo nome, Alberich Klein, especializei minha arte de escultor, para confeccionar bustos para famílias burguesas.

Com o tempo, acabei caindo nas graças de alguns mecenas mais poderosos que me patrocinaram. Fico pensando se eles realmente se enxergavam da forma como os representava na escultura ou se percebiam que, conscientemente, eu suavizava suas marcas mais obtusas.

8 O Dragão

Sua maior paixão era quedar-se ali na varanda ensombrada a observar sua fazenda de chá, onde os trabalhadores chineses mourejavam aumentando sua fortuna já imensurável. Era um patrão cruel com aqueles a quem considerava uma forma de vida inferior, que devia ser esmagada, espremida, sugada de toda a energia produtiva. E tinha a lhe garantir essa tirania, a pior malta de capatazes possíveis de se arranjar. Alguns malaios, alguns mongóis e alguns portugueses. Todos com passados obscuros e que a ele deviam alguma coisa.

9 O Mistério Da Bruma Verde

Um vento forte caiu sobre ele carregando consigo as folhas e um destino incerto… E a despeito do medo que agora o invadia os sentidos o homem seguiu em frente.

10 Olhos Azuis

Lembro-me da gente maior, quando a minha turma acabou. Cada um foi para o seu lado. Acho que chega um momento na vida que a solidão cabe melhor a todos, ao menos foi assim com a gente…

Louco, os faróis dos carros passando animavam a minha alma reluzente e sem caminho certo. Eu sabia o que procurava, mas não imaginava uma rota para o inferno…

11 Parte De Algo Maior

Ela atravessa a rua assim que sua vítima se desprende do resto da manada, seus saltos altos ecoam facilmente desafiando o barulho da chuva, e antes que ele pudesse apertar o controle do alarme do carro, ela já o alcançava veloz e decidida. Retirou o capuz da capa vermelha para poder ver, e ser vista.

12 Sasha

Dirigir sem nenhum objetivo ou chegada é um dos melhores prazeres que um ser humano pode provar. Não há planos, não há fim, só existe o agora e o infinito de oportunidades. É imortalidade, meu caro amigo.

* * *

Jorge Xerxes – canhoto e pisciano – escreve sobre o drama e o inusitado da condição humana. Natural de São João da Boa Vista, SP; publicou: As Cinquenta Primeiras Criaturas, Editora Multifoco, dois mil e dez; Para Pescar a Lua, Ryoki Inoue Produções, dois mil e onze; e Trama e Urdidura, Scortecci Editora, dois mil e doze. Mantém o blog Palavras Órfãs de Poesia: O que Restou, (https://jorgexerxes.wordpress.com/). Contato com autor (jorgexerxes@gmail.com).

1 Jorge Xerxes, como você e a literatura se conheceram?

Na esquina do prazer pela leitura com o exercício da criatividade. De supetão.

2 Por que a profissão de escritor lhe interessou?

Apesar dos três livros já publicados e da participação nessa antologia, escrever para mim é antes uma necessidade que uma profissão. É um hobby, também uma terapia, exorcismo dos meus demônios, uma forma de organizar as ideias e aprimorar minha visão de mundo.

3 Por que participar de uma antologia?

Para interagir com os colegas escritores e os leitores. Para uma troca saudável no âmbito das letras.

4 Fale um pouco sobre O Mistério Das Sombras?

Gostei do que li. Uma seleção de contos relevantes. É interessante analisar como cada autor desenvolve sua narrativa a partir de um mesmo ponto de partida: Poe. Escolha o seu preferido!

5 Como você define o processo que envolve a compilação de uma antologia?

Creio que a maior dificuldade foi a de escrever um bom conto e ser selecionado para a antologia. Depois tudo foi bastante facilitado pela ajuda do Afobório e da Multifoco. Vejo com bons olhos as produções coletivas como essa.

6 Como você vê o mercado editorial brasileiro para os novos autores?

Os novos autores brasileiros têm imensas dificuldades. Hoje em dia é relativamente simples produzir, editar e lançar um livro. A dificuldade está em conseguir divulgá-lo e distribuí-lo no mercado. Se você não publicar por uma grande editora, com contatos bem estabelecidos na grande mídia e nas livrarias, terá de vender o seu produto por conta própria.

7 Em sua opinião, é possível viver de literatura no Brasil?

Eu acho pouco provável. Assim como é muito difícil para um cantor, jogador de futebol ou modelo. O que eu quero dizer com isso é que depende, além de talento e perseverança em doses cavalares, de muita sorte. Viver de literatura no Brasil é para muito poucos.

8 De que maneira a internet atua em sua vida de escritor?

A internet ajuda muito. Mantenho o meu blog Palavras Órfãs de Poesia: O que Restou desde o final de 2008 e divulgo os meus textos nas redes sociais.

9 Qual a influência de Edgar Allan Poe em sua literatura?

É um dos meus autores prediletos, dentre tantos outros.

10 Para encerrar: quais seus planos daqui pra frente? Já tem um livro na manga, projetos, publicações?

Continuo firme na divulgação e comercialização dos meus três primeiros livros – “As Cinquenta Primeiras Criaturas”, “Para Pescar a Lua” e “Trama e Urdidura” – através do blog. Escrever é o meu vício. Pretendo continuar elaborando e divulgando novos textos, sempre que pintar a inspiração! Desejo a todos vocês boa diversão com “O Mistério das Sombras”!

Botânica Poética

novembro 4, 2013

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Queria um poema simples

Então deixei o nó no peito de lado

Como a gravata abandonada sobre a cama

Ouça: não é meu o perfume, vem daquela flor

Mas eu o sinto

Dependurei o casaco no cabide

Não há razão para eu me proteger

Se de meus pontos cardeais vazam

A seiva pura em planta

Meus filhos, tudo o que quis dizer e eu não disse

Guardei nas palavras para esses versos

Os pássaros já não bicam minha alma

Tenho próprias as asas da imaginação

As luvas eu não sei delas

Tampouco me importam

Se eu tenho agora de manusear pétalas

Não mais os espinhos

Nessa lavoura sem enxadas

Minha pena leve de poeta

Sempre que um cisco ofuscar tuas vistas

Que a gente consiga soprá-lo logo para longe

Com a suavidade da brisa

Para que novas em folha

Possam apreciar plenas

Estas vastas paragens

Elevadas de poesia