Pluto and Charon as seen by Hubble

Diogo passava os seus dias cuidando de imenso jardim na grande mansão. Em troca daquele seu trabalho simples, natural, daquele seu cuidado às frágeis criaturas do reino vegetal, é que ele garantia sustento. A contrapartida de suas mãos calejadas: o quarto singelo para repousar o seu ser à noite, ante a gravidade da terra e o etéreo das estrelas flutuantes, acima de sua cabeça; um bom prato de comida que Luiza preparava; e água a vontade, para beber, lavar o corpo e dar de beber a sua verde companhia.

Daquela sua simplicidade singular irradiava o sorriso ingênuo, e um brilho por vezes inconcebível, que habita apenas os retardados e os mentecaptos. Diogo não entendia das coisas do homem, cada cuidadoso golpe de sua enxada separava, paulatinamente, as ervas daninhas das mais variadas espécies de plantas, e resultava em gotas de suor que lhe corriam a face. O mesmo sol que possibilitava a fotossíntese castigava a sua cara.

Os elegantes moradores da mansão avançavam orgulhosos com os seus visitantes através de caminhos cuidadosamente traçados, entre magníficas folhagens, as belas flores e sublimes perfumes, mas mesmo estando ali, em meio às plantas, Diogo passava-lhes desapercebido.  E assim Diogo, abandonado na crosta terrestre, crescia para dentro, deslocado da escória do ser humano.

Certa noite de primavera, logo após o crepúsculo, Diogo deu-se conta de um corpo sutil e brilhante que recém avistara no céu. Então ele, como uma criança, correu e chamou Luiza para compartilhar da descoberta. ‘Onde está, Diogo?’ Ele apontava com o dedo indicador de sua mão esquerda, ao mesmo tempo em que fechava o seu olho direito, num espetáculo de lhe tirar o crédito, ‘está lá, viste?’ ‘Pois eu não vejo é nada, hôme.’ ‘É pequenino como um grão de areia.’ ‘Deixe de besteira que eu vou me recolher’, disse Luiza, já imaginando que Diogo tivesse com segundas intenções.

As noites e os dias se desdobravam numa sucessão da mesma rotina, como que para imprimir-lhes o duro signo da realidade, de uma vida tranquila e sem sobressaltos para os patrões, do quotidiano sofrido dos empregados. Foi durante esse período que Diogo acompanhou a aquiescência do firmamento ao surgimento de nova esfera celeste: esta assomava em volume e brilho a cada anoitecer.

Todas as noites, um Diogo assombrado clamava por Luiza para compartilhar dessa sua descoberta. Ela olhava, buscava, mas nada via. Ela procurava também perscrutar um eventual desígnio secundário advindo daqueles miolos matutos de Diogo, mas este esforço também, lhe era vão. Foi exatamente naquela noite quando Luiza finalmente decidiu permitir-se e ceder à aproximação do seu corpo ao corpo de Diogo que, para seu espanto, ela vislumbrou pela primeira vez a pedra celeste que se avolumava e avançava perigosamente em rota de colisão com o planeta Terra.

Não tardou muito: os observatórios ao redor do planeta só tinham olhos para o asteróide; os cientistas, alarmados, debatiam sobre as implicações e a possível origem de misterioso objeto que viajava em velocidade assombrosa, cruzava o espaço, e seguia em direção a nossa Terra. Os jornais sanguinolentos, os noticiários sensacionalistas da tv, as páginas fúteis da internet, o assunto monopolizava atenções, causando verdadeiro alvoroço, especialmente entre os mais abastados, os mais cultos e os eminentes, que temiam a ideia de serem esmagados como se fossem formigas.

Luiza observou um estranho paradoxo no transcorrer daqueles dias. Diogo permanecia absorto pelas demandas com as plantas do imenso jardim na grande mansão. O seu cuidado com as verdes criaturas era inabalável. À noite ele passava a admirar o asteróide, como fizera desde a sua primeira observação da pedra celeste. Um estranho brilho reluzia de seus olhos, algo nas entranhas daquela cabeça matuta e surrada pelo Sol parecia começar a ferver a quentura das ideias. Diogo não precisava ir chamar por Luiza para observarem juntos ao asteróide, ela vinha por vontade própria encontrá-lo, beber daquela sua gradual e crescente sapiência.

Certa noite Diogo lhe falou da alquimia, que era para ele a supremacia do espírito sobre a mente, transcendendo a matéria. Ele explicou sobre o conceito do grande regenerador, sobre a necessária transformação pela destruição, queima e consubstanciação de velhos aspectos imanentes para o surgimento de padrões organizacionais mais elevados. Luiza ouvia a essa fala admirada, ao mesmo tempo em que pouco ou quase nada compreendia.

Outra noite parecia a Luiza que os olhos de Diogo tinham luz própria enquanto ele dissertava longamente sobre a mitologia romana e o deus do mundo inferior. Vez por outra mudava o enfoque, mesmo o seu jeito de narrar, abordava a questão sob a luz de diferente disciplina. Agora o tema era a astronomia. Diogo falava sobre um senhor de nome Percival Lowell e o projeto de busca do nono planeta, denominado ‘Planeta X’, ao alvorecer do século XX.

Com a aproximação gradual, verdadeira invasão do céu pela misteriosa esfera celeste, que agora competia em área e brilho com a nossa Lua cheia (embora apresentasse tonalidade ligeiramente mais escura e avermelhada), Luiza percebia que os donos da mansão e os seus visitantes estavam às raias da loucura; de tão transtornados pelo medo. Por outro lado, Diogo em sua simplicidade e pureza, parecia exultante com a boa nova.

Foi quando a área do asteróide no céu parecia uma ordem de grandeza superior àquela da Lua cheia (i.e., pelo menos dez vezes maior), e a Terra dava sinais claros de exaustão (através da intensa ocorrência de tsunamis, terremotos e a erupção de vulcões); que a comunidade científica admitiu finalmente, em um comunicado oficial à imprensa internacional, que o choque da pedra celeste com o nosso planeta seria inevitável, decretando o fim inexorável da humanidade.

Luiza, que assistiu à grave declaração em transmissão simultânea através de seu ultrapassado televisor de tubo, estava inconsolável e foi ter com Diogo. ‘Você já ouviu falar de Plutão? Esse, que já foi considerado o nono planeta do sistema solar, foi rebaixado no início do século XXI ao grau de planeta anão. Plutão e Caronte, o seu maior satélite natural, caracterizam em verdade um sistema binário, porque o baricentro (ou centro de massa) das suas órbitas está fora do volume definido por cada uma dessas esferas celestes’, disse Diogo com sua tranquilidade habitual.

Fato é que o asteróide continuou a crescer assustadoramente no céu e, quando o choque e o fim pareciam inevitáveis, o seu movimento subitamente cessou, ao estabelecer com a Terra a configuração de um novo sistema planetário binário no sistema solar.

Diogo despertou ao meio da noite, num sobressalto. Sua pele eriçada como se lhe soprassem graves os ventos do espírito. O coração batia forte e descompassado, a ponto de lhe saltar pela boca. Dada a sua natureza cabocla, matuta, ignara muito pouco ou quase nada ele apreendeu conscientemente de inusitada experiência. Mas, de alguma forma, esse conhecimento foi incutido às instâncias mais profundas de seu ser. Como a semente que cai na terra, algo em seu íntimo foi posto em movimento.

Diogo passava os seus dias cuidando de imenso jardim na grande mansão. Daquela sua simplicidade singular irradiava o sorriso ingênuo, e um brilho por vezes inconcebível, que habita apenas os retardados e os mentecaptos. E assim Diogo, abandonado na crosta terrestre, crescia para dentro, deslocado da escória do ser humano.

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É sabido que a noite de Lua nova é escura como o breu. Mesmo naquelas cercanias habitadas pelo verde pungente dos desvarios hostis; nessas noites que se fundem a serra em estrelas gordas a espalharem-se ao acaso pelo céu.

Jorge ascendeu ao cume pela via tradicional trazendo consigo o fumo de rolo – diversão certa dos matutos habitantes das fazendas e sítios.

Antonio subiu o monte na hora acordada, trazendo uma resma de folhas de palha para a elaboração do cigarro caipira.

Diogo estava lá sentado; em pose essencialmente tosca; aguardava. Nada levou, além de seu corpo simplório e a determinação nauseante do por vir.

Jacinto, o último a apresentar-se dentre os quatro homens, trouxe num dos bolsos de suas vestes uma caixa com palitos daqueles de fósforo: auto-incandescentes pelo atrito de suas pontas.

Quando a bagana queimou firme, a bruma ergueu-se densa. Sobrepôs-se de forma inquebrantável ante o verde sufocante. Surgiu – como que miragem onírica – as formas fluídicas da sacerdotisa que dançava em suas vestes frouxas, alvas e deliciosamente translúcidas. Juliana em seus cabelos longos. Seios fartos e saudáveis de mulher madura. Pernas roliças, esculpidas em força e lisura inebriantes. Bunda que assuntava os céus. As estrelas num frêmito: tensão que dominava rígido o tesão dos homens simples e puros de suma ignorância quanto à natureza daquelas delícias.

Sacerdotisa Juliana iniciou a preleção afirmando que a compreensão de natureza sutil, da qual versava a disciplina, requeria a capacidade de distanciamento da aritmética tradicional, por se tratar de conhecimento antigo e intuitivo. Disse também que a totalidade destes ensinamentos, bem como a sua mais profunda significação, estava além da capacidade humana de cognição. Disso decorria a necessidade da atenção redobrada por parte dos gentios na aprendizagem da geometria dos símbolos. “No grau em que Vocês se encontram parte do que será dito deve ser compreendido logicamente, enquanto o complementar da lição, apenas em sentido figurado. Entretanto, dependendo do tópico, a razão será mais ou menos requerida, enquanto exigir-se-á menos ou mais da subjetividade. Porém, e apesar da variabilidade sensorial, o nível de conteúdo dos tópicos é aproximadamente o mesmo – e assim deve ser entendido – visto tratar-se das sete formas de desdobramento do universo, que em sua essência, é sempre o mesmo.”

(a) A primeira figura é o círculo completo. Este é o símbolo do ponto indivisível, que representa o espaço infinito, onde habita o movimento incessante. O espaço pode ser diminuído, estricto – o que se dá pela redução do diâmetro da circunferência –, mas nunca dividido. Ao mesmo tempo, o círculo é infinito, o espaço que tudo contém, com seu diâmetro livre para crescer indefinidamente. A primeira forma é a desse movimento incessante, de expansão e de constrição, do ponto uno. Imanente a pulsar – o que é representado metaforicamente pelos círculos de menor e de maior diâmetro, desenhados em complemento ao símbolo original, característica dessa geometria.

(b) O segundo símbolo é aquele derivado do anterior: o círculo com um ponto central. Essa geometria representa o espaço infinito, com seu movimento incessante e a semente. A semente é o ovo primordial, que existe apenas em potência. Isto é, o ovo reside no universo das possibilidades, encontrando-se além do alcance, da compreensão do homem. Sobre a figura, o que pode ser dito é que toda semente assim é nalguma instância – e de alguma forma – para depois deixar de ser isto.

(c) Decorre então o círculo com um traço longitudinal partindo-o ao meio, que é a forma geométrica de terceira espécie. Seu simbolismo é aquele dos opostos: o claro e o escuro, o yin e o yang, a Lua e o Sol, dentre tantas outras dicotomias. Pode-se dizer que toda a experiência sensorial humana decorre de uma imensa colcha de retalhos dessa miríade de zeros e uns; destas partições binárias ponderadas num contexto específico da mente; isso caracteriza Maya ou aquilo que (erroneamente) chamamos de realidade – o que é e o que não é: a ilusão. Apesar da capacidade de abstração dessa idéia, ou conceito, até os símbolos de terceira instância não dá-se a vida, ao menos na forma como lha compreendemos no estágio atual. O importante no tocante a essa geometria em particular é termos em mente que da luz decorre a escuridão, que das trevas resulta a luz: é eterna a dinâmica do universo, por vezes simbolizada pela serpente (réptil peçonhento) ou dragão (criatura mitológica) a devorar seu próprio rabo, i.e. ourobouros.

(d) O círculo com uma divisão longitudinal ao longo do diâmetro, acrescido de uma partição vertical de sua extremidade inferior até o centro da figura. Ou, simplesmente, o Tal. Esse símbolo da geometria de quarta espécie traz intrínseca a representação da trindade – eu, tu, ele. Caracterizam as formas mais simples de vida na Terra, os organismos unicelulares, e outros, cuja reprodução dá-se de forma assexuada, pelo mecanismo de bi-partição. Está também associada ao simbolismo de quarta espécie a noção dos fenômenos físicos; do vínculo estabelecido entre observador, objeto e o espaço-tempo. De fato, a geometria de quarta espécie é o pano de fundo de Maya. 

(e) A cruz que divide o círculo em quatro partes iguais ao longo do seu diâmetro em direções ortogonais. Este é um símbolo fálico. Decorre daí a associação com as criaturas mais evoluídas de nosso planeta, cuja reprodução é sexuada. É fundamental o entendimento de que as formas simbólicas de quinta instância trazem em seu centro o germe da transfiguração (quinta-essência). De fato, toda a geometria apresenta – em verdade – o movimento, potência ou tendência natural evolutiva. O que se pretende enfatizar aqui, no que diz respeito especificamente às formas quíntuplas, reside no ponto central, à conexão da cruz: as relações estabelecidas entre o pai, a mãe e o filho levam, por indução, a todos os conceitos associados à transcendência: a interdependência, a continuidade da criatura, a ligação subjetiva do ser com o outro, o inconsciente coletivo, enfim – e no limite – todos somos um só.

(f) A geometria do símbolo hexagonal, apesar de sua grafia plana – o círculo com três partições ao longo do diâmetro – deve ser entendido como uma esfera bipartida em dois planos ortogonais. É observado que resulta da transcendência da quinta para a sexta instâncias a nova (terceira) dimensão do espaço simbólico. Esse nível de compreensão do universo transcende a percepção do humano. O nível quarto – também chamado de grau médio – é aquele onde a complexidade em Maya atinge o seu ápice, para a posterior depuração em estruturas organizacionais menos densas, em níveis subseqüentes que  levam a sublimação. Toda a idéia já está sintetizada na geometria de primeira instância: o movimento incessante, de expansão e de constrição, imanente a pulsar.

(g) Como já foi dito, o universo desdobra-se em sete instâncias. O símbolo da geometria de sétima espécie deriva da anterior (como todas as demais): a esfera bi-partida em dois planos ortogonais, com um hexágono demarcado num plano (representando as seis diferenciações anteriores) mais o salto para fora (ou o ponto de fuga na extremidade superior do plano ortogonal). Resulta daí a forma elementar de sete lados. Observa-se que os lados internos do hexágono apresentam todos os seus ângulos internos de sessenta graus, enquanto os ângulos internos entre as faces opostas triangulares descrevem, todos, noventa graus. Os lados hexagonais têm comprimento igual à metade do diâmetro da esfera; enquanto os outros lados, cujo ponto de fuga é uma de suas extremidades, apresentam sempre o mesmo comprimento de raiz de dois sobre duas vezes o diâmetro. A geometria de sétima instância é de difícil abstração, mesmo para as criaturas que já abandonaram sua natureza predominantemente tosca. Mas é fácil provar que com oito figuras dessas monta-se uma nova esfera de diâmetro aumentado de raiz de duas vezes àquele original. Ou seja, a oitava forma geométrica é novamente o círculo perfeito, que é geometria elementar de primeira instância (e além): movimento incessante, de expansão e de constrição, o imanente a pulsar, infinitamente.

Jacinto risca um palito na caixa de fósforos e aproxima a chama dos contornos fluídicos de Juliana. O vestido da sacerdotisa se inflama e ela derrete-se; como o plástico quando vai ao fogo, condensa-se num múltiplo emaranhado, até o seu completo desvanecer. As brumas dissipam-se. Os quatro homens se encontram então novamente a sós, ao topo do silente e soturno monte.

 – Caralho! Por que você fez isso? Brada Diogo, em voz inconsolável.

 – Caralho é a porra: eu não estava entendendo picas do que ela dizia. Defende-se Jacinto, o bárbaro.

 – Mas você é burro, hein?! Deixasse-a falar; uma puta gostosa dessas não é toda noite que aparece. Opina Antonio, todo matuto de si.

 – Muito ainda terá de ser dito novamente. Nessa e noutras infinitas formas, tão saborosas quanto. E não restará pedra sobre pedra. É a fala do último dos gentios.  

A noite cai, e com ela todo um leque de possibilidades agrestes. As luzes de velhas estrelas a povoarem timidamente o céu. Nessa noite, em particular, a lua, cheia, é o astro da vez. Grilos – aos montes – entoam cânticos, e os sapos são os répteis a marcarem o ritmo alucinante da dança iridescente de vaga-lumes. Uma noite assim está fadada aos cataclismos.

O terreiro enevoado pela bruma. As aves em seus poleiros: se fazem de cegas, de surdas, de sonsas. Medo que lhes arranquem as cabeças às dentadas. Lá se reunirão os homens para o encontro marcado.

Diogo é quem chega primeiro, vindo da direção norte. Pica um naco do fumo de rolo. Agasalha a grã-finagem na palha e prensa o cigarro caipira. Os homens vêm ter com ele. Cada um deles oriundo de uma direção de outros pontos cardeais – como se o enevoado dos terreiros fosse a Green(-)wi(t)ch dos esquecidos.

Antonio traz consigo bigode, o cenho franzido pela urgência e gravidade desmesuradas. Jorge é a própria visão da criatura em sua jaqueta preta de brim sujo surrado. Nos lábios de Jacinto o sorriso tênue dos loucos. Acendem o cigarro e tragam dele, solenes, a suprema quietude das idéias fixas.

Antonio avança com a perna esquerda. Ele traça com sua bota no chão o arco de meia circunferência. Depois inscreve um pequeno círculo cheio acima do desenho – uns cinqüenta graus à direita – com o giro do seu pé. Os outros olham, atentos, para as figuras desenhadas na poeira. Jacinto traga forte e traz a fumaça no peito. Jorge leva a mão direita para coçar a nuca. Antonio desfaz-se das formas geométricas.

– E então? Diogo é o primeiro a falar. A fumaça flui abundante das narinas de Jacinto. Lembra a figura de um dragão chinês. Os olhares dos homens se entrecortam.

– É mister abandonarmos as obras a repetirem-se assim. Diz Jacinto num tom inconteste (voz consoante aos cânticos de grilos, ritmo quente dos sapos, dança frenética dos pirilampos, das aves mudas de terror). – Daqui para frente só vamos tratar daquilo que trouxer a essência do ZO>O. Deixemos esta esfera celeste saturada do mesmo.

– Pena que nós nascemos da Terra nesses dias, das descobertas todas já feitas. Arrisca-se Jorge, um bocado inseguro. Antonio amassa a cinza da bagana no pé.

– Ao contrário. Cabe a cada um de nós buscarmos a saída: o elemento transcendente das idéias! Brada Jacinto.

– A es-sên-ci-a do no-vo. Disse Diogo, enfim.