um dia, em minhas andanças,
eu estive no lado negro da Lua
e fiquei encantado com o que vi
a paisagem é esplêndida e iluminada pelo Sol
mas não é possível avistar a Terra
as matas lunares são de um verde exuberante
e pássaros lunares produzem melodias celestiais
ainda mais incríveis são os mares da Lua
Você pode não acreditar, mas escrevi isso,
botei dentro de uma garrafa
e arremessei ao mar
quando encontrar essa mensagem Você saberá
porque pôde enxergar a si mesma
através dos meus olhos
assim como pude enxergar a mim mesmo
através dos olhos teus
e, agora, a Lua nos pertence por inteira
desvendamos os segredos de Nós mesmos
abraçamos a Via Láctea
a partir de nossos Corações

            

Anúncios

O presente estudo apresenta dezesseis mandalas circulares. O objetivo é puramente estético e sensorial.

 

Estas mandalas são subdivididas em dois conjuntos, sendo oito mandalas Solares e oito mandalas Lunares.

 

As mandalas de um conjunto (Solar ou Lunar) são apresentadas na progressão aritmética dos números primos de círculos que compõe cada uma delas (2, 3, 5, 7, 11, 13 e 17). É apresentado também, inicialmente a cada um dos conjuntos, o símbolo gerador, não-dual, de um único círculo.

 

Como o objetivo não é matemático (e também para não desviar o foco dos aspectos estético e sensorial), o arranjo angular para a disposição dos círculos não é explícito. Entretanto, estas equações podem ser facilmente deduzidas por um observador com conhecimentos básicos da geometria analítica. Este arranjo angular é o que aufere o caráter particularmente harmonioso dos símbolos.

 

Finalmente, observa-se que a progressão das mandalas Solares transmite a nítida sensação de movimento e de ampliação da forma circular (bidimensional) para a forma de um toro (tridimensional) saltando para fora do plano; isto é, pelo acréscimo de uma nova dimensão do espaço.

 

A progressão das mandalas Lunares, por sua vez, remete a ideia de repouso e de concentração da forma circular original, rumando para o centro, o ponto (adimensional), como se levasse à redução de ambas as dimensões do espaço.

 

Na verdade, como a única diferença entre os dois conjuntos de mandalas é a dualidade expressa pelo par de opostos luz e sombra, ambas as percepções estéticas são válidas e ocorrem concomitantemente. Isso reforça a ideia de que com o aumento da freqüência de vibração (maior movimento) é ampliada a capacidade de concentração; ou seja, aquela da percepção consciente.

 

Mandalas Solares (1, 2, 3, 5, 7, 11, 13 e 17; luz)

 

Mandalas Lunares (1, 2, 3, 5, 7, 11, 13 e 17; sombra)

Em planta

abril 11, 2018

através dos ventos solares

a luz da lua refletida

concentrada em gotas de orvalho

logo, logo(s)

brotará da terra

a semente

só o amor (r)existe

(e) terna mente

 

Eu Te Amo C.Q.D.

dezembro 11, 2015

cqd_jorge_xerxes

enquanto eu aguardo

o meu Coração bate devagar

ao ritmo da espera

a estante da sala

repleta de livros

explica-me de muitas diferentes formas

por diversos pontos de vista

e argumentos obtusos

que a vida é dura

e você vai demorar a chegar

porque deve ser assim

e ponto

nenhuma dessas respostas

no entanto

me satisfazem

e eu não desisto de buscar

a solução positiva

(porque eu Amo)

aquela que justifica o equilíbrio deste mundo

com as estrelas no céu

a órbita da Lua e aquela do Sol

o que eu posso demonstrar

por um mosaico de sístoles e diástoles

que eu compus no decorrer dos anos

a cada noite

encerrado comigo mesmo

apenas

 

Uivar para a lua cheia

junho 23, 2015

jorge_xerxes_bolinha

Quando Bolinha apareceu na chácara de Seu Tatá foi só alegria. O céu de um azul intenso, o verde das matas, o brilho do sol, era como a primavera trazendo de novo o alento. O velho e bagunceiro Escovão tinha morrido há pouco tempo, Seu Tatá sentia falta doutro cão vira-latas daquele. Ele tinha ficado apenas com Batatinha e Xanadu, que eram filhotes, por isso não podiam acompanhá-lo na lida do pomar, nas idas e vindas até a vila para tratar dos negócios da chácara ou mesmo para uivarem juntos, sem compromisso, se a lua era cheia.

É fato que Bolinha não estava sempre presente. Ele vinha de muito longe (ao menos para um cachorro), visto que morava noutro extremo da vila, onde ganhava o seu sustento como cão guia de um senhor cego. Bolinha era habilidoso na condução do seu dono através do calçamento e dos cruzamentos das vias. Mas o que ele gostava mesmo era da vida alegre na chácara e de acompanhar o Seu Tatá nos seus afazeres. Ao contrário do senhor cego, Seu Tatá não precisava dele, sabia se virar muito bem com a rotina da chácara, mas demonstrava carinho pelo divertido e desastrado Bolinha, meio sem tino para com as plantas.

Bolinha, como todo vira-lata, gostava de se exibir, trazia uma manga na boca se Seu Tatá a arremessasse para longe. Abanava o rabo pedindo para Seu Tatá jogá-la novamente. E de novo. E de novo. E de novo. Ficava se esfregando nas pernas do Seu Tatá. E por ser correspondido, achava mesmo que Seu Tatá precisava dele. Mas aquelas brincadeiras do Bolinha eram bobagens. Só mesmo os cães, que não raciocinam, não percebem o quanto são, por vezes, ridículos em suas atitudes. Pidões e carentes; demasiado inocentes. Sair correndo, trazer uma manga na bocarra ou uivar para a lua cheia: Bolinha não se apercebia de que nada disso agregava a chácara, ao Batatinha, a Xanadu ou ao Seu Tatá. É verdade que se divertiam, mas só.

A vida é grave. Existe um sentido maior para cada ato e toda a criatura deve se colocar no seu devido lugar. Então, quando Bolinha clamava por mais atenção, julgava-se merecedor de morar com Seu Tatá, assim como a Xanadu e o Batatinha, Seu Tatá foi ter com Bolinha:

– Olha Bolinha, você é muito bonitinho e divertido, mas é cão guia do senhor cego lá na vila. Essa é a sua função nessa Terra. Pense bem, se não fosse por você, o senhor cego não poderia trafegar com segurança pelo calçamento e através dos cruzamentos entre as vias, cumprindo tarefas ainda mais importantes que as tuas, na infinda escala dos desígnios das criaturas. Há um plano maior que alicerça e a tudo dá sentido. Veja como você é afortunado: mesmo sendo um cachorro vira-latas, você é também um guia, Bolinha. A Xanadu, o Batatinha e eu somos gatos. Nós somos independentes, não precisamos de você aqui na chácara. E depois, o Batatinha e a Xanadu vieram antes. Não podemos mudar uns pelos outros apenas. Precisamos estar orientados a um objetivo pré-estabelecido, anterior. Por isso, Bolinha, eu peço que você não me procure mais.

Apesar de Bolinha pouco ter entendido quanto às motivações mais profundas que norteiam a aguçada percepção felina, mesmo para a parca sapiência de um reles cão vira-latas a colocação de ordem prática de Seu Tatá tinha sido bastante contundente. E Bolinha se conformou; com o rabo entre as pernas, ele retornou para o outro extremo da vila, onde morava com o senhor cego.

Agora Bolinha tem consciência de como é afortunado, porque sabe que, por intermédio dele, o senhor cego pode realizar tarefas tão importantes que Bolinha é sequer capaz de concebê-las. Bolinha entendeu também que catar os objetos atirados e trazê-los de volta ao dono, assim como ficar roçando as pernas das criaturas em nada lhes acrescenta de valor, por isso desistiu desse seu feitio.

Bolinha gostaria de entender a razão dos gatos, mas isso a sua natureza canina não permite. Deve haver motivo muito forte para um mundo assim tão justo e sisudo. Cada qual trabalhando como engrenagem de uma grande moenda a esmagar a si mesma. E a noite, em meio a seus devaneios, Bolinha ainda se recorda do quanto ele apreciava uivar para a lua cheia.

Lua e Terra

outubro 16, 2014

lua_e_terra

A Terra e a Lua são os corpos celestes mais próximos de nós mesmos.

Muito se especula sobre a formação destes astros.

Existem inclusive teorias contraditórias.

Ainda assim um grande número de cosmologistas dedicou

(e outros tantos dedicarão)

a melhor parte dos seus dias

a desvelarem destes mistérios da natureza.

Certo é que a Lua e a Terra interagem entre si em diversos sentidos.

E apesar de seus comportamentos distintos,

compõem no céu uma dança,

espécie de bailado sagrado

através do qual, sem sombra de dúvida,

agregam propriedades que os fortelecem.

Graças à Terra nossa lua é a Lua;

e graças à Lua este planeta é a Terra

– tal e qual as conhecemos.

Considerando o tempo de vida médio do ser humano,

as causas que levaram estes corpos celestes à composição

na qual eles nos apresentam

tornam-se pouco,

talvez até irrelevantes.

Sensibiliza-me mais a suavidade,

a poesia,

a cumplicidade dos movimentos.

Quero amar-te como a Lua e a Terra se dão.

Viveremos os dias,

sonharemos as noites,

a fluidez de cada revolução.

 

Para pescar a Lua

janeiro 2, 2011

De um canto da sala

Salta a idéia perdida

A idéia semente da idéia

Tão distante quanto ausente

Momento

Será sempre a riqueza do agora

Parto feliz

Para pescar a Lua

Esquinas da lua

dezembro 8, 2010

– poesia espacial

Assim como havia sido antes

O planeta contribui com energias telúricas

As estrelas, em contrapartida,

Com a radiação eletromagnética

E a energia luminosa

A outra parte está no que as estrelas

Representam para a gente

Nas percepções intangíveis

Que nos impulsionam a seguir adiante

Por isso seremos eternamente gratos às estrelas

Nos levam daqui até elas num piscar de olhos

Donde é possível compreender

E contemplar tudo

Lá do alto

Esquinas da lua

As estrelas, tão distantes,

Servem de suporte às pontes imaginárias

Um dia havemos de construí-las

Pois se as estrelas existem

E nós insistimos em existir

Compartilhamos dos mesmos sonhos

Elas querem estar conosco

Assim como nós queremos estar junto delas