aquele gatinho

abril 16, 2019

         

sabe, aquele gatinho é lindo.

ele será adotado,

vai dar e receber muito carinho,

e, tendo realizado a sua trajetória,

um dia voltará para o céu dos gatinhos.

mesmo assim a história dele é única.

porque todo o gatinho escolhe o seu dono

e se desdobra para realizar o seu melhor ronronar.

do ponto de vista da ideia,

um gato será sempre um gato.

mas para cada dono,

mesmo que ele tenha muitos gatos,

apenas um gatinho toca a sua alma,

e, porque tem o ronronar que mais lhe agrada,

realiza o seu ideal do gato.

tendo sete vidas,

também o gatinho terá muitos donos.

mas para ele, cada dono é único,

porque tem um olhar diferente do mundo.

e, dentre os sete donos,

seis serão apenas donos,

mas apenas um será o dono ideal do gato.

 

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Da simbiose imperfeita

junho 27, 2012

imagem capturada pelo Deputado O. S. Ozz em Savannah, GA, USA, 27/06/2012

Nada ao que digo. Parece não lhe fazer sentido. Por isso boia, inconstante: o desejo de aproximação e de repulsa simultâneos. Assim mantemos a distância segura dos indecisos, subjugando-nos aos caminhos escusos das presas em potencial, ou ao olhar aguçado da ave de rapina – a perscrutar do cimo – quando, em verdade, tudo o que subsiste é o amor e a entrega. A vida não volta. Ela passa rente às retinas, numa sucessão rápida de imagens difíceis de apreender. É porque não mergulhamos o suficiente além da superfície para compreendermos da essência. Ela pulsa submersa, latente nas ideias, que ficam a especular sobre aquilo que não foi, sobre o que poderia ter sido ou mesmo sobre o devir. Mas somente quando tivermos firmeza e segurança de sermos nós mesmos, sintonizados à frequência do sentimento mais profundo, da verdade interior de cada criatura, seremos verdadeiros heróis na aventura do viver.

     

pois caga

e come desses dejetos servidos aos brasileiros

mastiga bem

para a boa digestão

para não ferir a camada de ozônio

para um processo com certificado verde

para a estética saudável ao maximizar toda uma vida de bosta

e engole sem fazer a cara feia

sorrindo para a câmera da tv

a história sempre foi (sempre será)

escrita pelos demônios que se vestem de branco

na expansão inconsequente do vazio

– espaços ermos

      

ou então:

vá para o campo de batalha

se para isso lhe forem caros

os dentes

O paradoxo do policial

agosto 19, 2010

Retornava do dia de trabalho quando observou, através da janela do coletivo, o policial tomando notas em seu talão.

A motocicleta abandonada, estacionada em posição irregular, acrescentava ao fluxo caótico da avenida.

De súbito, o passageiro cai em si: Era dele próprio o veículo. Logo, o policial não devia estar a penalizar-se.

É difícil dar-nos conta. São nossos os próprios erros. Os deles, o meu, o seu.