quando eu era um bebê não era assim.
eu imaginava que era parte do todo que era a minha mãe.
e isso, por si só, era mais do que eu imaginei por muito tempo.
(mas não mais do que eu imagino agora.)
depois eu cresci e passei a me identificar comigo mesmo;
e ao outro, e ao mundo, como diferente de mim.
os cinco sentidos são assim:
portais para as trocas com o mundo externo.
e não foi só comigo, isso foi acontecendo com cada um de nós,
quando nos demos conta, já estávamos pensando, refletindo,
cada qual criou identidade própria, única, pessoal
– ao mesmo tempo miraculosa e assustadora.
quando a razão se instalou em mim
eu passei a viver na superfície das coisas.
nesse campo de batalha que é a morada da matéria,
do manifesto, da diferenciação e da impermanência.
porque você há de concordar comigo que aqui
tudo é cíclico, insustentável, e, no limite,
nunca nos entenderemos.
a lei da entropia garante:
cada um de nós retornará, a seu tempo,
ao estado de mínima energia.
ou você é água, ou você é fogo,
ou você é ar, ou você é terra:
e a razão pede que eu tome partido.
(mas se é verdade que há um liame
ao lado de dentro das coisas)
na planície há um lago onde sopra a brisa ao sol
que sempre será.
e se com uma lupa eu ampliar o seu cérebro
não restará nem vestígio da ideia
de tão separados os neurônios como
as estrelas do céu.
(mas se é verdade que há um liame
ao lado de dentro das coisas)
há uma convergência das linhas do tempo
para esse lugar.
o big bang das ideias está espalhado
mas é possível juntar os cacos dentro.
a todo momento que você for capaz
de submergir.
(existe esse lugar de integridade)
nada do que aparenta ser obtuso
é de fato irreconciliável
(na simples mudança de dimensão:
espaço íntimo do ser).

aquilo_tudo_jorge_xerxes

É certo que havia vivenciado eventos de natureza telecinética. Como aquela noite no Rio de Janeiro, onde o apartamento, no último andar do edifício, fora inundado pela chuva que, súbita e inusitadamente, atravessara o telhado.

E aquela tigela invertida que chamamos de Céu,

Sob prisão rastejante vivemos e morremos…

Tudo é um Tabuleiro de Xadrez de Noites e Dias

Onde o Destino joga com os Homens como Peças.

 – Rubaiyat, de Omar Khayyam

Outro acontecimento, de natureza improvável, foi a vez em que seu apartamento, já transmudado para a cidade de São José dos Campos, fora inundado por uma simples torneira deixada aberta numa manhã em que faltou a água da rua. Fato é, quando o abastecimento foi restabelecido, não bastou a torneira aberta, sendo necessária também a ocorrência inusitada de entupimentos, duplos e simultâneos, dos ralos da pia e daquele do banheiro. A água escorreu pelo piso inundando não só o apartamento, como também desceu pelas escadas de incêndio, esparramando-se pelo hall do edifício e o salão de festas. Muito suspeita a coincidência.

Você não sabe, Esculápio, que o Egito é uma imagem do céu, ou, para ser mais preciso, que tudo que era governado e que se movia no céu desceu para o Egito e foi aqui transformado? Se a verdade foi contada, a nossa terra é o templo do mundo inteiro.

 – Hermes Trismegisto

Some-se a estes, o terceiro evento de natureza inexplicável, quando o móvel inteiro da cozinha, com fogão, pia e prateleira com louças, veio abaixo, desabando no chão de uma única vez. É interessante que todos estes fenômenos estão associados ao elemento água: o último acontecimento, mais recente, de colapso súbito do móvel da cozinha deu-se num sábado chuvoso.

Seja modesto, correto, moderado, coma pouco, contente-se com alguns bens para que o vergonhoso amor pelo dinheiro não possa macular a glória da sua ciência divina.

 – Firmicus Maternus

Parece evidente que a elevação da umidade do ar catalisa os eventos de natureza telecinética, servindo os íons O+ e os ânions OH- de veículo para o fluxo de corrente energética, que posteriormente resultará em efeito mecânico sensível e inteligente, operado a média distância. De certa forma, estas ocorrências corroboram para a transcendência das faculdades conscientes para aquelas instâncias inconscientes com a mesma magnitude e sentido de orientação em contrário.

Para qualquer visão deve haver um olho adaptado para aquilo que existe para ser visto.

 – Plotino

4qu1l0 7ud0 d3v14 519n1f1c4r 4l9um4 c0154.

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4s cOis4s

março 2, 2010

 

O t4tO

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