Colecionador de Fantasias

janeiro 21, 2016

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“A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida.” Cesare Pavese

Este breve artigo trata do excelente romance As Fantasias Eletivas, de Carlos Henrique Schroeder, lançado pela Editora Record, Rio de Janeiro, 2014.

Carlos Henrique Schroeder é natural de Trombudo Central (SC), onde nasceu no ano de 1975. Ele estreou na literatura em 1998 com a novela O publicitário do diabo (Manjar de Letras), e de lá para cá lançou quase uma dezena de livros. O seu gênero literário é o pós-modernismo. Sua coletânea de contos As Certezas e as Palavras (Editora da Casa) recebeu o Prêmio Clarice Lispector de contos da Fundação Biblioteca Nacional.

Este texto não é propriamente um artigo, sendo mais precisamente uma seleção de minhas passagens prediletas colecionadas ao longo da leitura atenta de As Fantasias Eletivas.

Deus me perdoe por esta minha obsessão pela síntese e a carnificina operada sobre tão valiosa obra. (De antemão, o leitor deste texto se considere avisado quanto ao spoiler).

Se Você ler o romance: f0r7un4

Se Você ler este artigo e também o romance: 804 50r73

Se Você ler apenas este artigo: 50r73

Se Você não ler o romance e nem mesmo este artigo: 1nf0r7un10

Quando se entregou para o mar, nem as ondas o quiseram.

Mas ela me fala coisas maravilhosas, de quando dançava, e eu adoro mulheres que dançam, e ela me conta como foi uma estudante aplicada, e que é ciumenta.

Num daqueles domingos em que as pessoas são geralmente felizes, antes de começar o Fantástico.

“Como a lua está linda hoje, né?!”, disse ela.

“Pois então, a lua sempre parece mais bonita aqui na praia, não é?”

Mas isso já faz dois anos, e trabalhar no turno da noite mostrou-lhe um caminho diferente, nem melhor, nem pior, mas um caminho.

Os últimos contatos de Renê com o filho foram quando Léo tinha três anos.

Renê tinha esperança de que um dia Léo soubesse diferenciar passado, presente e futuro, e o perdoasse.

Você está viajando porque quer ser feliz por uns momentos ou quer fingir ser feliz por uns momentos ou quer mostrar para os outros que pode ser feliz por uns momentos.

E, por fim, a coragem de fazer o que achava que devia fazer.

Enquanto Copi, sofregamente, segurava o pincel, dois raciocínios a assustavam: o primeiro era de que havia muita palavra no mundo, muito mais do que gente. E o segundo de que o que nos liga ao passado, a memória (que rege essas inúmeras fantasias eletivas que chamamos de lembranças) empalidece ao sinal do primeiro desejo.

Renê estava naquele estágio entre a irrealidade e a incredulidade, como se aquilo não fosse com ele, mas sim com qualquer espectador passivo, como se estivesse assistindo a um filme ruim.

Era uma maneira de descobrir algo mais, ver seu rosto, mas com certeza ela estava vacinada contra estranhos, com a máxima ‘nunca fale com estranhos’. E, como gosto de imaginar o futuro das pessoas, enquanto continuava minha caminhada, tentei imaginar o futuro dessa menina sem rosto, sem voz.

Músicas incidentais:

Just (Radiohead)

Luck (Radiohead)

Karma Police (Radiohead)

No Surprises (Radiohead)

Paranoid Android (Radiohead)

Idioteque (Radiohead)

The Bends (Radiohead)

“Não Ratón, você é burro, mas tem bom coração, o que é melhor do que ser esperto e sacana…”

“Quietinho, Ratón, quietinho, só escute, apenas escute, está tão difícil as pessoas escutarem…”

“E isso torna a fotografia mais humana ainda, pois ela nasce de um desejo humano de se reproduzir enquanto imagem, de permanecer.”

“O que me move para a fotografia são as similaridades com a literatura. A fotografia quer congelar um instante, e a literatura, recriá-lo, e ambas têm essa capacidade de permitir uma outra visão das coisas.”

Dentre todas as solidões, a do nocaute é a mais dilacerante. A Bíblia é clara ao dizer que para cada homem haverá um nocaute.

E quando Goethe, cego, no leito de morte, gritou “Luz, luz”, na verdade imaginava um ginásio vazio.

…chegam ao Brasil (terra de fanfarrões, onde ninguém leva nada a sério, nem mesmo coisas importantes como a cerveja)…

Alguns minutos antes, ela existia em partes independentes, a seda de um lado, o fumo de outro,… estimuladas por mãos ágeis, nasce por fim o baseado, este suporte da imaginação.

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