No fronte

maio 2, 2015

no_fronte_jorge_xerxes             

Era o início / do caminho de chão batido / que leva ao Portal.

A distância entre nós / é maior que a gente pensava, / eu habito neste mundo / de mares mutáveis e um incerto / cielo / e você vive exatamente / em um universo paralelo.

Possuindo um senso de humor e uma visão crítica, as pessoas adeptas são difamadas como “satânicas”, devido aos seus gostos voltados para o lado misterioso da vida e o visual sombrio, caracterizados pelas roupas fetichistas ou com características do medieval, com cores escuras, uso de saias, sobretudo e coturnos.

O escopo humano em se forjar é uma armadilha que catapulta sentimentos e estilhaça a nobreza da fé, retendo a crença e a confiança instalada nos olhos inocentes. Não se esmiúça, muito menos adentra, sem percorrer as divisas obscuras. Há camadas, muitas facetas que envolvem o humano. Há escolhas e caminhos, muitas vezes sombreados pela declinada inconsciência.

Um mistério! / Só cabe aos visionários / o domínio das imagens, dos sons / dos sonhos estranhos / e da Realidade oculta das coisas.

Esforço-me para chegar ao poema, mas levo minha vida de forma poética com todos os desafios que a vida nos oferece. A poesia mostra um lado humano e divino do ser humano. E Cassiano registra isso em sua vasta obra da qual tive a felicidade de ler muitos livros.

Fim do acordo de paz / entre mar e terra: / ressaca.

Algumas pessoas simplesmente se recusam a aceitar as limitações ou os problemas que a vida lhe impõe… Essas pessoas, em vez de abaixar a cabeça, fazem o contrário, se enchem de determinação e acabam por realizar os seus sonhos, mostrando a todos que aquele que acredita que pode, realmente pode… Basta ter uma vontade indômita.

A pergunta, manifestação de busca e saciedade, é muito mais essencial que o “responder”, até porque não há apenas uma verdade, uma resposta. A resposta é um produto da subjetividade, da incerteza – a pergunta não, a pergunta é a própria certeza, talvez a única forma de certeza, mas também uma certeza falida, diagnosticada infame e cancerosa, posto incompleta –, e este não é o princípio básico que faz movimentar a filosofia.

Os tempos que dormem reencarnam o Zé Craverinha / Feito de andorinha vive a poesia de Rui de Noronha / Lá no Bairro Indígena, ainda tem o charuto de poesia / Escrito a timbre de voz das casas de madeira e zinco.

Por isto eu – o seu mordomo – digo / com toda a certeza e veracidade / quem disse que Zaratustra falou / naqueles dias, mentiu.

Não falou mesmo, / pois eu estava lá.

Parabéns para você, cuja maior vocação é dar conselhos, mas não tem aptidão para ouvir uma crítica sequer.

Seu nome é tão lindo Sofia. Não sei quem é mais sortudo, por aqui, e arregalou um sorriso do tamanho da sua felicidade. No horizonte o poente emitiu raios azuis, amarelos.       

Ouvi-la tocar é entender a frase de Friedrich Nietzsche: “Sem música a vida seria um erro.”

                        

*    *    *

                         

Esta é uma composição livre a partir de um emaranhado de excertos dos textos em prosa, artigos e poesia dos colegas da Revista Entrementes Número 1. Sinto-me honrado por estar, de alguma forma, conectado a cada um de Vocês!

                        

Ricola de Paula, “Conto da caixa de sedex”

Dalto Fidencio, “Manuela Tomassi Ferreira”

Joka Faria, “Os sobreviventes”

Nunes Rios, “Assim não falou Zaratustra”

Germano Xavier, “As perguntas sem resposta de Matrix”

Domingos dos Santos, “Haikai” e “Paralelos se encontram no infinito”

Fernanda Toffuli, “Um cenário underground para ser descoberto”

Escobar Franelas, “Parabéns”

Alexandre Lúcio Fernandes, “Mascaramento”

Elizabeth de Souza, “O começo da Graciosa”

Sanjo Muchanga, “Poesia de combate II”

                 

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