Palavras órfãs de poesia: o que restou

julho 6, 2014

Então é domingo.

Pai, eu vou deixá-lo na sua solidão,

dormitando em frente da t.v.

Mãe, a bocarra escancarada,

o ressonar baixo, bíblia sobre o colo,

eu vou deixá-la na sua solidão.

Eu vou depressa,

pela estrada,

para alcançar a minha solidão,

que já partiu.

O amor é uma casca de ferida espessa

que eu descolo da carne

com as minhas unhas compridas;

dói cada gota de sangue

que vaza.

Será que você sente

se eu destilar as minhas palavras

órfãs de poesia,

meias-vidas obscurecidas

pela avalanche do bom mocismo infame?

Bem do fundo dessa tua cachola,

você e eu sabemos da farsa,

arquitetada por nós mesmos,

de nossas tolas solidões.

E tudo isso é muito pouco,

pra quem é poeta,

o seu abridor de latas não resolverá

a minha equação transcendental.

Posto o início, o exposto

e o que restou.

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