Da arte-manha felino querubim

agosto 12, 2013

 querubim_jorge_xerxes

Um plano secreto entorpece os intentos

se três gatos em diferentes pontos cochilam.

Esta é implacável aritmética felina.

E não me admira que de minha rede

eu sinta o sono deles escoar pela tarde.

É questão associada à preguiça do Sol.

Dela desenvolvo a equação: da rede não caio,

sustenta-me em sonho.

Não é brincadeira de cochichar

de copo >——–a——–< copo

unidos pela linha tensa com o irmão.

As ondas sonoras viajam pelo fio.

E eu não caio nessa do ar leve

que o rarefeito das ideias

não conduz.

Ligados a Terra.

Raízes, rastros, pegadas

espalham-se firmes, profundas,

mesmo sob condições adversas.

Mas a gravidade não abala,

não impõe restrição ao movimento.

Em última instância a esfera celeste

flutua ao vento.

Sem pressa, espera de nós

o milagre da vida, que bela,

bate à janela pela mão dum jasmim

a invadir o teu quarto

em cheiro

– se quer o bem.

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2 Respostas to “Da arte-manha felino querubim”

  1. Betusko said

    Excelente poema, amigo Xerxes!

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