O poema surdo

abril 14, 2013

Olá Rodrigo, Tudo bem? Desculpe-me de antemão por escrever sobre os meus anseios e expectativas sem termos nos encontrado pessoalmente em vida. Eu gosto muito de literatura, especialmente da brasileira contemporânea, que acompanho já há algum tempo. Sou engenheiro e trabalho aqui no centro do Rio; faz oito meses que me mudei do interior de SP para Niterói em busca de oportunidade melhor. A minha vida é corrida, tenho meus Filhos e Namorada no interior de SP, viajo quase todos os finais de semana para encontrar-me com Eles. Além disso, adquiri esse hábito maldito de escrever, sempre que ideias estranhas me sopram a cabeça. Isso consome bastante tempo e energia. Mas é uma atividade que me traz, sobretudo, alguma satisfação quando consigo um resultado estético interessante, após múltiplas agitações e as diluições sucessivas: enfim, a Arte. Daí os três monstros de papel vieram: uns quatrocentos exemplares de cada um de meus livros, que dividem comigo o apartamento em Niterói, sem pagar o aluguel. A gente escolhe muito cedo o que faz da vida, acho que se fosse começar de novo faria psicologia, para tentar me entender. Enfim, de tanto pensar, não cheguei à conclusão alguma. Acumulei material para outro volume, mas ando com pena das árvores, de suas folhas; elas também têm o direito à vida, e o meu apartamento não suporta outro desses monstros. Tenho dúvidas se o mundo os absorveria, também se este seria um comportamento sustentável, livre da emissão de carbono. Não entendo muito da dinâmica do mercado literário. Tenho apenas observado de longe: percebo que os Escritores nacionais contemporâneos são um bocado corporativos e existe uma tendência às reverências recíprocas, circulares – afinal são seres humanos – e o Rio dá as cartas em termos daquilo que deve ou não ser consumido (numa análise fria dos dados, o lado engenheiro aflorando). Isso tem o seu lado bom e também o seu lado p3rv3r50. De uns anos para cá ficou fácil publicar livros, e algumas pequenas editoras alimentam-se das ilusões de pretensos escritores e poetas. É preciso peneirar o joio do trigo. Mas acho que não existe um filtro realmente eficaz (senão o tempo): ainda há muito conteúdo de baixa qualidade sendo escoado pelo mercado, enquanto parte da substância fica às margens desse processo. Perdem-se escritores e os leitores; além de uns dos outros. Acho interessante o trabalho que Você vem fazendo ao deixar a curadoria ou responsabilide de sua obra com o Rafael de Salles Levy. Por isso decidi escrever; gostaria de saber se Você poderia ajudar-me de alguma forma? Mesmo que para detonar de vez o projétil contra os meus ouvidos (tipo: o pior cego é aquele que não quer ver). Abraços and keep on moving, Jorge.

ps: Lamento quanto ao incidente do japonês com a zarabatana.

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Uma resposta to “O poema surdo”

  1. E viva o post de número 200 no “Palavras Órfãs de Poesia: O que Restou” !

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