Atenção ao sublim(in)ar

outubro 23, 2012

Nestes nossos dias orientados para a morte, espero por alguém que dê amparo, carinho, e vem você me vilipendiar. Dá-me porrada na cara, diz que sou vagabundo, desatento ao de valor; diz-me das coisas de um mundo mensurado em garoupas, onças pintadas, micos-leões-dourados, araras, garças, tartarugas e beija-flores apenas – tamanha a tua insensatez. Logo eu, consciencioso do trajeto das formigas sobre a pia da cozinha, que reconheço a natureza prismática da luz refletida em sete cores nas gotículas do chuveiro. Vem você e me pede atenção ao subliminar. Pois saiba que te dou com os para-choques de minha inconsciência, que são feitos para bater e amortizar as dores da alma. Estou a fitar os sorrisos nos rostos das crianças, eu sinto o vento na minha cara, eu assisto ao remoinho no levitar despedaçado de um dente-de-leão. E não adianta esconderes em tua máscara último tipo, porque a chuva que depreende de minha nuvem ainda atravessa o teu para-brisa. É fria e inexorável a realidade final do teu jazigo, aquele que você paga em suaves prestações; e também sou desatento a isso, você bem o sabe. Mais atenção ao subliminar. Minha vala nada vale posto que fica muito além da tua: acredito na derrocada da carne ante aquela do espírito. Acredito no brilho das estrelas, em caudas de cometas, na sombra de uma palmeira. Rogo pregas ao teu toba, que você inche, exploda junto à merda do capitalismo. E atenção ao sublimar!

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