Comentário de natureza pessoal

agosto 14, 2012

No último domingo, dia 12/08/2012, estive na Bienal do Livro de São Paulo para o lançamento de meu terceiro livro de contos, crônicas e poesias – “Trama e Urdidura”. Foi uma experiência e tanto. Vale ressaltar que nunca havia participado de um evento literário dessa proporção; tanto como leitor quanto como autor. E a trilha sonora do dia certamente foi o álbum “Bob Dylan’s Greatest Hits”, que eu havia adquirido no dia anterior, em versão cd. Lembro desse vinil girando ininterruptamente na vitrola da república em Barão Geraldo, nos idos de um mil novecentos e noventa e tanto: saudosos anos de Unicamp!

Foi muito gratificante participar da Bienal e poder contar com a presença de poucos, mas grandes amigos – pessoas realmente importantes em minha vida. Agradeço-os de coração!

Em meio àquele universo de livros, de pessoas ávidas pela leitura, se eu tenho uma crítica a fazer, essa diz respeito ao fato de que ainda lemos muito do mesmo. As obras clássicas – o que é bastante positivo – pois são textos que conseguiram tocar o inconsciente coletivo, atravessando gerações, acrescentando novos elementos e percepções à experiência humana nessa nossa pedra celeste. Mas também muitos livros sobre outros livros: explicando, imitando, parodiando ou mesmo distorcendo as obras supracitadas ou textos com alto grau de ineditismo – estes sim, em minha opinião, aqueles que são realmente relevantes. E, para terminar, uma avalanche de livros bastante superficiais: aqueles de autoajuda e uma miríade de romances insossos.

Independente disso, procurando bem, é possível encontrar textos literários de qualidade. Sim, pois vivemos um momento histórico de grande dinamismo, o que favorece a efervescência das ideias, aguça-nos a criatividade e os sentidos. Resultando daí obras contemporâneas com alto grau de ineditismo e relevância; embora sejamos ainda um tanto incompetentes em filtrar tamanho volume de informação, e muitas vezes sucumbimos às artimanhas de um mercado editorial fundamentado no lucro imediato em detrimento de um trabalho consistente e sério de depuração.

“Trama e Urdidura” é o último livro da trilogia dos “Livros Negros” de Jorge Xerxes; trilogia esta composta pelas obras “As Cinquenta Primeiras Criaturas” (2010), “Para Pescar a Lua” (2011) e “Trama e Urdidura” (2012). Quem lê atentamente “Trama e Urdidura” desvendará a origem do heterônimo Jorge Xerxes, sob o qual decidi assinar a minha produção literária. Também entenderá porque designei acima essas três obras como a trilogia dos “Livros Negros”.

Quem me acompanha de perto sabe que escrevo pouco. A experiência da escrita para mim resulta sempre num evento catártico. É como se eu fosse uma “pilha” absorvendo a “energia” do relacionamento humano, dos ambientes nos quais circulo, das experiências boas e ruins nas quais me vejo envolvido. Tudo isso vai sendo captado pelos meus sentidos, aumentando a tensão, crescendo dentro de mim em intensidade. E, de repente, num ímpeto de saturação, toda essa “energia” – estas impressões inconscientes – é transmitida, pelo processo de sublimação, para a composição de um conto ou de uma poesia. A conexão entre os textos é tênue, como são os laços que unem as gotas de um lago, ou as moléculas do ar. Tudo se mistura (e ao mesmo tempo não), tudo se agita, é uma escrita viva. Assim eu vejo a minha escrita.

Enfim, como escritor, não tenho a pretensão de ser melhor ou pior que ninguém. Acho que por isso minha obra pode soar, à primeira vista, fragmentada, sem pé nem cabeça, paradoxal. Pois faço absoluta questão de que aquilo que escrevo seja uma expressão sincera de minha alma – com suas angústias, inseguranças, alegrias, tristezas, amores e êxtases. Trocando em miúdos: quando você lê os meus textos eu gostaria que você usasse os meus óculos, que você enxergasse o mundo como eu o vejo. Isso pode te parecer por vezes assustador, maravilhoso, aterrorizante ou sublime. Mas faço votos de que, através de sua experiência pessoal da leitura usando esses meus óculos, você possa enxergar o mundo sob uma perspectiva diferenciada e ampla (assim como eu creio que aconteceria comigo, se eu pudesse usar os seus óculos). Quando eu te empresto meus óculos, dôo-te um pedaço do meu ser. 

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2 Respostas to “Comentário de natureza pessoal”

  1. Caríssimo Xerxes, mesmo que quiséssemos, não poderiamos estar presentes: a gripe nos derrubou. Conhecendo sua obra, através de seus textos, só podemos esperar sucesso com o novo livro, merecido, desde sempre, pela qualidade da escrita: sua “pilha” está sempre recarregada. Abraços, Tânia e Pedro Du Bois.

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