Química, vida e alquimia

janeiro 13, 2012

“Et sic Philosophus non est Magister lapidis, sed potius minister.”

Hermes Trismegistus *

Deixe suas roupas

Esqueça o que você já sabe

Seu medo

Jogue-o para o alto

Seus pensamentos devem ser colocados no bolso da calça

A calça no cesto

Para lavar

Erradicar os maus pensamentos

Ponha um chapéu a sua frente

Sapato à esquerda

Você no meio

Agora tome em uma das mãos o coração

E o que restou

No meio ainda há você

E ao seu lado

Tudo pode ser você

Sapato à esquerda

Seu medo

Jogue-o para o alto

“De todos os campos da química, o estudo dos ácidos nucleicos é, talvez, o mais emocionante, uma vez que estes compostos são a substância da hereditariedade. Examinemos muito sumariamente a estrutura dos ácidos nucleicos para ver depois, na secção seguinte, que relação ela deve ter com o papel literalmente vital que desempenha na hereditariedade.”

“Embora, quimicamente, sejam bastante diferentes das proteínas, os ácidos nucleicos assemelham-se-lhes num ponto fundamental: existe uma longa cadeia – uma espinha dorsal – que é a mesma em todas as moléculas do ácido nucleico; ligados a esta espinha existem vários grupos, cuja natureza e ordem de seqüência caracterizam cada um dos ácidos nucleicos.”

“Enquanto a espinha dorsal da molécula da proteína é uma cadeia poliamídica (uma cadeia polipeptídica); a espinha dorsal da molécula do ácido nucleico é uma cadeia de poliéster (denominada cadeia polinucleotídica). O éster é derivado do ácido fosfórico (a parte ácida) e de um açúcar (a parte alcoólica).”

O éster é ao mesmo tempo maior e menor que tua mente,

se consideras, simultaneamente,

o tamanho dela

e do que ela

pensa.

E se pensares no éster desprezível,

tanto menor será o pensamento.

E aí te enganas.

O éster será tão pequeno

que terás pena

E visto do lugar dele,

tua mente nunca se acaba.

“Trabalhando com modelos moleculares, Watson e Crick montaram uma estrutura em que todas as unidades estruturais se encaixavam umas nas outras sem estorvo, e primordialmente importante, permitindo a maior estabilização possível por meio de ligações de hidrogênio, mas ligações de hidrogênio da espécie que Pauling tinha mostrado serem as mais fortes, aquelas que permitiam uma disposição linear de N—H—N ou de N—H—O. Em Abril de 1953, Watson e Crick publicaram a estrutura a que tinham chegado, a agora famosa hélice dupla, e em 1962, foi-lhes conferido um prêmio Nobel.”

“O DNA está constituído por duas cadeias polinucleotídicas enroladas à volta uma da outra, formando uma hélice dupla, de 2nm de diâmetro. Tanto uma hélice como a outra são dextrorsas e tem cada uma dez resíduos nucleotídicos por espira, sendo o passo correspondente de 3,4nm ao longo do eixo. As duas cadeias correm em sentidos opostos; quer dizer, as unidades de desoxiribose estão orientadas em sentidos opostos.”

Das curvas verdes e velhas,

penso sempre nas redes atadas a abismos.

Todo o resto é supérfluo.

Tenha uma mão

e a outra te dando adeus

e você terá qualquer outra coisa que quiser.

“Até o momento tratamos apenas da estrutura secundária dos ácidos nucleicos. No nível terciário e superiores considera-se o modo como eles se ligam a proteínas, e como estas nucleoproteínas se enovelam e dobram, constituindo o cromossoma – como, por exemplo, quatro metros de DNA se podem acomodar numa única célula com uma espessura de 0,2mm apenas.”

As curvas que existem numa reta serão sempre retas se não nos livrarmos dos antigos preconceitos. E se é monótono o que une o começo e o fim, não se justifica o meio. As cabeças olham torto o que vêem e por isso pensam torto. Eles já sabem o que dirão e o que verão no inverno. As cabeças olham retas curvas e vêem retas retas. Não existe prova maior.

“Todavia no centro de tudo isto está uma hélice dupla, não só obedecendo aos postulados estruturais enunciados por Watson e Crick, como fazendo-o ainda com uma simplicidade e beleza imprevisíveis, a qual é responsável pela capacidade do DNA para desempenhar o seu duplo papel: repositório da informação hereditária e diretor da síntese das proteínas.”

O dia ou a hora que for

seja hoje e já

neste momento.

E que a partir de agora

e intermitentemente

o futuro seja presente

e o presente passado

do que é agora.

Que o que ontem foi vá.

E amanhã,

o que hoje é,

seja ontem também.

“Como é que a estrutura da parte constituída por ácidos nucleicos desempenha, porém, a sua função de hereditariedade? Os ácidos nucleicos controlam a hereditariedade no nível molecular. A hélice dupla do DNA é o repositório da informação sobre a hereditariedade do organismo. A informação é armazenada na forma da seqüência das bases ao longo da cadeia polinucleotídica; é uma mensagem escrita numa linguagem que só tem quatro letras.”

49u4, f090, 73rr4, 4r

51n7353 d4 v1d4

“Em primeiro lugar, o assunto da auto-duplicação. A ordem por que se dispõem as bases numa cadeia governa a ordem por que elas se dispõem na outra cadeia. Segundo as próprias palavras de Crick: as duas cadeias assentam uma na outra como a luva sobre a mão. Quando se separam, sobre a mão forma-se nova luva e, debaixo da luva, nova mão.”

O artigo primeiro garante a estabilidade do pensamento. E sendo ele leve, é possível que seja bom e útil aos outros. É interessante que este tipo de ideia tenha como premissa a iniciativa atuante no exato sentido da necessidade das pessoas e indo de encontro aos objetivos comuns do inconsciente coletivo. Só assim é possível ter-se certeza de tudo aquilo que está sendo proposto. Qualquer outra vertente ou deslize pode ser tarde demais. E o inferno está cheio de boas intenções.

Referências aos excertos (entre aspas):

Morrison, R. T., Boyd, R. N., “Organic Chemistry”, 4th edition, Allyn and Bacon, Inc., Boston, 1983.

* “And thus the philosopher is not the master of the Stone but rather its minister.”

Hermes Trismegistus

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Uma resposta to “Química, vida e alquimia”

  1. Patricia Amorim said

    Adorei Jorge!

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