La Scuola degli Dei – Fragmentos

fevereiro 3, 2011

Este artigo apresenta dezesseis fragmentos coletados a partir da leitura cuidadosa de “La Scuola degli Dei” (título original em italiano), de Stefano Elio D’Anna. O livro pode ser encontrado sob o título: “A Escola dos Deuses”, Stefano Elio D’Anna, ProLíbera Editora, 396 páginas, ISBN 978-85-61080-00-6, (2007). Espero que apreciem os excertos colhidos; e que este breve artigo ajude a conquistar novos leitores para essa obra de beleza singular.

i) “Ler este livro foi uma das grandes viagens que já empreendi. O autor nos leva a trilhar o caminho para nosso interior. Em ritmo ágil, vai levando o leitor a fazer um novo pacto com a vida”. “O sal da vida está em ousar a ser quem se é por dentro. Pessoas que estão firmemente ancoradas em seu interior têm o condão de ver barreiras imensas como pequenas dificuldades circunstanciais. Têm coragem e clareza para mudar a realidade para si e para os outros”. Hebert Steinberg na Apresentação ao leitor brasileiro, pp. 7.

ii) “Este livro é um mapa, um plano de fuga. Seu objetivo é mostrar a trajetória que um homem comum seguiu para escapar da hipnótica narração do mundo, da lamentosa e acusatória descrição da existência, para escapar da trilha de um destino já traçado. Este livro jamais teria existido, nem eu poderia ter escrito uma linha sequer, não houvesse encontrado o Dreamer e Seus ensainamentos. A Ele, o Dreamer, dedico minha infinita gratidão por ter me conduzido pela mão do mundo do sonho, no mundo da coragem e da impecabilidade, onde o tempo e a morte não existem, e a riqueza não conhece ladrões nem ferrugem”. Stefano Elio D’Anna no Prefácio à obra, pp. 9.

iii) “Reais guerreiros não lutam pela supremacia ou pela hegemonia sobre os outros; não lutam pela glória, nem pelas posses ou recompensas, mas para ganhar a única coisa que realmente importa: a própria liberdade interior”. “Tratei de entrar na questão da diferença entre a impassibilidade – apatheia – pregada pelos estóicos, e a indiferença da alma em relação às paixões e aos pensamentos externos da mística lupeliana. Para Lupelius, a impassibilidade é conferida pela recuperação da integridade, aquela unidade do ser que é uma condição natural e da qual o ser humano se esqueceu. Do vazio que a alma cria, ao se liberar dos pesos das coisas exteriores e carnais – sem mais a ilusão de que existe algo fora de nós –, nasce um estado de ser que é um contínuo, um natural movimento em direção à eternidade, à imortalidade, ao ilimitado”. “Tudo aquilo que sinteticamente chamamos de mundo, os eventos e as circunstâncias da nossa vida, são projeções nossas. Se somos sabedores disso, podemos projetar somente a vida, a prosperidade, a beleza, a vitória. Se somos vigilantes, atentos, podemos projetar liberdade, um mundo sem obstáculos, sem limites, sem velhice, sem doença nem morte”. pp. 59.

iv) “Sua fé mais irremovível… sua convicção mais nociva é acreditar que existe um mundo externo a você, alguém ou alguma coisa de quem depender, alguém ou alguma coisa que possa lhe dar algo… ou tirar-lhe algo, escolhê-lo ou condená-lo. Se um guerreiro acreditasse, só por um minuto, em uma ajuda externa, perderia no mesmo instante a sua invulnerabilidade”. pp. 97.

v) “Mude o sonho! É impossível deixar os trilhos da repetitividade, da recorrência, se não se muda o sonho. Você deve abandonar o seu destrutivo modo de sonhar. Sonhe um sonho novo, aprenda um jeito novo de sonhar, um sonho em que o poder da vontade comanda, o poder do amor cria e o poder da certeza vence. Seja mais sincero, mais honesto com você mesmo, e perceberá que atrás da sua falsa convicção de querer mudar sua vida, existe um secreto projeto de perpetuá-la assim como é. O mundo é assim porque você é assim”. pp. 125.

vi) “Desde quando o Dreamer me havia aberto os olhos sobre a condição empregatícia, revelando-a como uma moderna transposição da escravidão, aquele exército de homens e mulheres que se encaminhava ao trabalho parecia um enxame de insetos movido por uma necessidade cega. Todas as manhãs via-os invadirem andares inteiros de grandes edifícios, ocuparem milhões de celas, pequenas como alvéolos, e dominá-las com o seu zumbido. Nas suas glândulas transportavam uma espécie de vida em estado limoso: uma carga de pensamentos escuros e o xarope denso das suas emoções. Enquanto eu mesmo dirigia-me à minha cela, pensava na infinita população planetária destinada, como eu, a despender nas organizações a maior parte da própria vida em troca de uma retribuição. Perguntava-me qual era o significado evolutivo de todo aquele esforço e para onde era dirigido o afã de tantos homens engaiolados no espaço hipnótico dos seus papéis e funções. Dentro e fora das organizações, via-os atormentados pelo medo; reconhecia neles as minhas angústias, a minha infelicidade. Sob a sutil película de racionalidade, eu via escondida a lógica conflituosa, o pensamento destrutivo, aquele impulso de morte que nos estimula incessantemente a prejudicar primeiramente a nós mesmos e, depois, aos outros. Sob camadas emocionais sedimentadas há séculos, reconhecia a degradação do ser, resultado de ansiedade, dúvidas, inseguranças e de um enorme medo, seja de viver, seja de morrer”. pp. 175.

vii) “O medo é a morte dentro. O herói é o homem em ausência de medo, em ausência de morte interna. Herói… Eros… amor, a-mors significa imortal. Herói é um grau na escala humana que não se obtém no clamor da batalha, mas em solidão, vencendo a sim mesmo. A batalha serve somente para tornar visível o que o herói já conquistou no invisível. Sua invencibilidade ou invulnerabilidade é simplesmente a prova dos nove de alguma coisa que já aconteceu no ser, o teste de tornassol da sua vitória sobre a morte”. pp. 209.

viii) “O mundo é o desenvolvimento no tempo daquilo que sonhamos… Um compromisso é sempre consigo mesmo… Ou melhor, com uma parte de você, mesmo que você não a conheça. Pessoas e eventos surgem e se dissolvem seguindo um roteiro já escrito no ser”. “Quando você planifica e acredita nisso, está se distanciando do mundo real… Mais você se convence de que os compromissos e encontros acontecem como programados, mais você reforça o seu senso de morte… E assim você se vê com pessoas abúlicas, que planificam e programam como você, e iludem-se de estar escolhendo ou decidindo sem jamais reconhecer a própria impotência”. “Um dia sua agenda será a de um ser humano livre, a agenda de um ser humano que realmente faz porque sabe que tem a solução sempre consigo… que é ele a solução. Você interpretará os encontros e os papéis e deixará o mundo livre para acontecer… do melhor modo possível. O mundo tornar-se-á sua obra-prima, nem esforço ou pressão. Somente então a sua agenda será a agenda de um verdadeiro líder… terá só páginas em branco”. pp. 234.

ix) “Enquanto você não redescobrir sua vontade sepulta, enquanto você não alcançar sua verdadeira liberdade, sua integridade, o passado estará sempre à espreita para reconduzi-lo àquilo que é velho e deteriorado. A ignorância está sempre a um palmo de distância… Se você deixar de vigiar e se esquecer do sonho, será pilhado num instante e, com você, cada conquista, cada entendimento, ainda que perseguidos a duras penas, degradarão. Não importa quanto trabalho você tenha dedicado. Enquanto você não atingir a totalidade do ser, estará sempre em equilíbrio instável sobre o abismo da sua ignorância… A totalidade do ser significa domínio de si; é o resultado de um longo trabalho de Escola… Antes disso, um homem não é mais que um sonâmbulo suspenso entre o nada e a eternidade”. pp. 259.

x) “O horror é ter transferido Deus para fora de nós”! “Era uma vez um ser sem religiões. Elas surgem quando, por um abalo de sua religiosidade, o ser se degrada e transfere a divindade para fora de si”. pp.278.

xi) “Quando alguma coisa é bem-feita, é feita para sempre! Todo o universo é informado disso, e você não terá mais necessidade de repeti-la. Depois de uma breve pausa, completou: Somente a imperfeição se repete. A perfeição não se repete nunca, porque continuamente transcende a si mesma. Uma perfeita crisálida deve cessar de ser uma crisálida perfeita e morrer para ter acesso a uma condição superior de ser”. “…com impecabilidade daquele gesto teria consertado para sempre seu universo pessoal… sairia de uma faixa acidental da existência, onde tudo já está programado, do nascimento à morte, e modificaria seu destino… O mundo é o reflexo, uma ressonância do ser…” pp. 291.

xii) “Quem ama aquilo que faz não depende. Quem ama não tem tempo para vender… Somente quem não ama pode ser recrutado, retribuído. Um ser humano que ama é impagável”. “Entre as grandes ilusões de quem trabalha, existe aquela de receber uma retribuição. Na verdade, aquilo que é considerado uma compensação, um salário, é somente um modesto, um parcial ressarcimento pelos danos produzidos pela condição de dependência”. “A economia não está baseada no trabalho, mas na felicidade. A felicidade é economia”. “Aos sete anos, os espartanos deixavam de depender. Eram colocados em uma escola de coragem, em que se forjavam heróis, guerreiros luminosos, invencíveis. Atualmente, com a mesma idade, as crianças são incluídas no triste exército dos adultos. É observável a transformação que sofrem. O gosto pelo jogo, o frescor pelas impressões, o entusiasmo, a adaptabilidade, a coragem são substituídos pelas emoções aparentemente humanas (inveja, ciúmes, rancor, ansiedade, temor), pela aquisição de hábitos insanos (lamentar-se, o falar excessivo, o esconder-se e o mentir) e pela imitação daquelas deformações, que são as máscaras da degradação que sofreram. Engaiolar a liberdade da criança – cortar as asas do sonho – é uma imoralidade que a humanidade, assim como é, nem consegue ver. Sua paga são os inúmeros males sociais que a afligem e uma economia baseada no fracasso”. “Como o barulho do trem friccionando fortemente os trilhos, que depois de um tempo já não percebemos mais, assim se torna a dor da dependência para nós: uma coisa só com a existência, uma constante natural e, absurdamente, uma presença reconfortante na vida. Abandoná-la será, quando chegar à idade adulta, uma tarefa… quase impossível”. pp. 308.

xiii) “No paraíso não pode entrar nem mesmo um grão de inferno, sintetizou poderosamente. Para um indivíduo vertical, a perda de um só átomo da sua integridade significa perder tudo. Ele não fica em paz enquanto não restabelece a própria completude. Adicionou que santo, em seu significado mais profundo, além dos dogmas eclesiásticos cristãos, significa são, curado. Santo é, portanto, um ser integro, inteiro, que elegeu a completude, a unidade do ser como objetivo de sua vida; é um ser vigilante em relação aos seus estados e às suas emoções, porque sabe que o menor desvio da totalidade de si mesmo o precipita aos infernos da pequenez e da mediocridade”. “Na verdade, santos eram os homens e as mulheres que tinham simplesmente ousado acreditar em si mesmos; pessoas comuns que, sabedoras da própria incompletude, fizeram a viagem de retorno à integridade perdida”. pp. 318.

xiv) “Para poder atrair algo miraculoso, para poder dar concretude ao impossível, um homem deve elevar-se no ser, aproximar-se daquela condição de unidade, de integridade, que é seu direito de nascimento… É a parte mais verdadeira, mais concreta de cada um de nós: o sonho”. pp. 321.

xv) “A diferença entre nós é que meus átomos dançam bêbados do eterno néctar da imortalidade e você é atraído e governado por tudo aquilo que é mortal… Eu venci a morte e você investiu tudo na inevitabilidade dela”. “Eu fui você e você será Eu. Separam-nos éons de tempo e um abismo na consciência. Acelere”. “Tome uma decisão de uma vez por todas”! “Sonhe um novo sonho. Sonhe um novo mundo!… O mundo é como você o sonha. O mundo é como você o quer!… Você o quis violento, falso, mortal. O mundo será diferente quando seu sonho mudar. Seu contínuo lamentar-se do passado o conduz sempre ao velho…, retomou depois de uma longa pausa. Abandone-o! É tempo de dedicar-se em tempo integral…” pp. 327.

xvi) “Um ser humano que acredita em si mesmo dá um passo aparentemente no vazio, e somente então inevitavelmente verá o terreno materializar-se sob seus pés para dar razão à sua loucura luminosa… Crer para ver, e jamais o contrário”! pp. 331.

 Crédito da imagem: Hieronymus Bosch, The Garden Triptych, Left Wing, The Betrothal of Jacob and Sibylle by Christ (enlarged), 1469-70.

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