Gato através do vidro

março 23, 2009

Observa atentamente o semblante animal distorcido.

Seus bigodes saltaram há tempos da face.

Intento de abraçar o etéreo com a extremidade fina;

característica dos filamentos suicidas.

As orelhas antenadas aos ouvidos

do espectro de freqüências submersas;

embora inconscientes de todo o universo paralelo.

Ante este pesadelo dos sentidos,

deixa-se iludir que é apenas Você que o examina.

Não o gato que te vê.

Mas no âmago de seu ser habita a certeza

que a paz já te deixou.

E isto é muito mais grave que deixar a paz.

Viaja agora pelo fluido como peixe miserável;

com suas guelras; com seus olhos redondos.

A boca alevina que devora eterna

a fome insaciável da vida aquática que te resta.

O tempo sob quatro garras afiadas;

com o mesmo fio da lâmina de uma adaga.

Tem pena do felino preguiçoso.

Preso para sempre do lado de fora do aquário.

Maldita a gravidade que não o permite flutuar.

 

 

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