Circumambulation

dezembro 3, 2008

A dança em torno dos objetos sagrados. Esta é uma bela metáfora para a representação da vida. No centro está tudo aquilo que necessitamos, valorizamos e almejamos. Enfim, são os objetos deste nosso universo, em toda a sua diversidade.

 

Num plano mais imediato estão os alimentos, a moradia e a saúde. Para a satisfação das necessidades básicas da criatura. O trabalho, a luta pela sobrevivência. Numa esfera intermediária os nossos pequenos prazeres. Uma refeição requintada. A boa música. A beleza da criação que se infunde nas paisagens naturais, nas artes plásticas e nas curvas do corpo de uma mulher. Daí até os modelos da coleção de verão; o último lançamento da indústria automobilística, motores mais potentes, freios abs e transmissão automática; celular novo; vídeo-jogo de última geração; televisores cada vez maiores, com menor profundidade, e melhor definição; peitos e bundas de silicone; as peles esticadas de botox. Por que aquilo que realmente importa para o consumista é objeto do seu desejo.

 

Cada um escolhe aquilo que é sagrado para si mesmo. É grande o direito que temos. Exercício puro da liberdade. Lembre-se que estamos tratando da dança em torno dos objetos sagrados. Para outra criatura haverá objetos mais sutis. Ou subjetivos. O perfume da mulher amada. Os cheiros, os gozos. Sussurros. A compreensão sobre determinado assunto. Um livro. A impressão causada por um filme ou determinada peça de teatro. As sensações emanadas da leitura de uma poesia. Um toque suave. O olhar penetrante ou coisa que o valha. Uma palavra de estímulo no momento certo. Ou a reprovação arbitrária e infundada. Por que é sagrado tudo aquilo que nos toca – para o bem ou para o mal.

 

Também os entes, com os quais determinada criatura se relaciona, são objetos sagrados para ela. As vibrações positivas que emanam dos apaixonados. A sintonia entre os membros de uma mesma família. Os amigos. E noutro extremo os nossos inimigos – por que havemos de tê-los à altura; para uma luta digna, franca e que valha a pena. Aqueles que nos querem mal. Ou ainda pior.

 

O somatório disso tudo, no plano alquímico das idéias, compõe o núcleo dos objetos sagrados para a dança de determinada criatura. Giramos em torno destes. O equilíbrio por vezes instável. Resultante de forças antagônicas. Das paixões. Os desejos que nos atraem. Os medos e as ameaças que nos repelem.

 

E uma vez que no centro há a diversidade do universo, é através deste que se dá a conexão entre as criaturas. A idéia de auto-referência. Modelo metafísico da vida e da organização entre as criaturas nos diferentes planos – para a unidade cósmica. No fim das contas, o mesmo padrão observável nos objetos inanimados da astronomia e da física quântica.

 

A dança em torno dos objetos sagrados é o exercício da purificação do espírito. Para a libertação do poder e da energia suprema que habita a própria criatura. O universo começa e termina em cada um de nós.

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