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	<title>Palavras Órfãs de Poesia: O que Restou</title>
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		<title>timeo hominem unius libri*</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 01:11:48 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
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		<description><![CDATA[De Alessandro Teixeira Neto e André Fenili, Janeiro de 2004   Yin   A chuva que iniciara no começo da tarde ainda não havia cessado. Da janela de seu apartamento, Sandra observa o vai-e-vem aparentemente sem sentido das pessoas lá embaixo. Em noites como essa é que ela se sente mais sozinha. Em sua mente, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=966&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">De Alessandro Teixeira Neto e André Fenili, Janeiro de 2004 </span></p>
<p style="text-align:center;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"><a href="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2012/02/jorge_xerxes_timeo.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-969" title="jorge_xerxes_timeo" src="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2012/02/jorge_xerxes_timeo.jpg?w=228&#038;h=300" alt="" width="228" height="300" /></a></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Yin </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A chuva que iniciara no começo da tarde ainda não havia cessado. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Da janela de seu apartamento, Sandra observa o vai-e-vem aparentemente sem sentido das pessoas lá embaixo. Em noites como essa é que ela se sente mais sozinha. Em sua mente, idéias de solidão mesclam-se com idéias persistentes de portais para outras dimensões e curvaturas espaço-temporais. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Há aproximadamente uma hora, ela colocara um cd de uma banda estadunidense para tocar. Não que ela estivesse realmente interessada na música. Nem estava escutando. Qualquer som é melhor que o silencio quase absoluto que impera no apartamento. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra não gosta da companhia de seus pensamentos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Da mesma maneira que imagina os seres lá embaixo, Sandra também se imagina inevitavelmente presa ao non-sense que é a própria vida. Um mero peão num jogo de proporções cósmicas; um jogo no qual este peão chamado Sandra começará a ditar as regras, caso o projeto em que está envolvida evolua de acordo com as previsões. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra se sente pressionada. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Apesar de questionar as próprias atitudes e até viver propondo mudanças a cada dia, as amarras que a une a outras pessoas (amigos, colegas de trabalho, o dentista, o caixa do supermercado, o motorista do ônibus, o carteiro,… ) e que representam a base do convívio social são inevitáveis. Mesmo que sejam amarras frágeis. E essas amarras sempre a trazem de volta à mesmice. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Em suma, ao tentar otimizar o problema não linear que é a sua vida, Sandra tentava sempre levar em consideração sérias restrições. E a solução sempre divergia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Regras. Sempre regras. Regras que limitam e permitem o convívio social. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Formigas ! São como formigas. E o mais engraçado é que alguém já estava controlando essa massa contínua e randômica, apesar de sua não-linearidade e falta de robustez. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Formigas ! Sandra sabe que mesmo as formigas seguem regras. Regras impostas pela Natureza. As únicas verdadeiramente justas e não discriminatórias. As únicas regras que deveriam existir. Formigas são orientadas por ferormônios, …as abelhas… as abelhas pelas cores ou por estranhos sinais de seus companheiros, sei lá,… e nós… seres humanos… somos guiados por tendências criadas por mentes frias que estudam o comportamento humano para melhor se aproveitar de suas fraquezas e propensões, &#8230; guiados por modismos lucrativos que não nos acrescenta nada,&#8230; guiados pelo lixo que a tv vomita diariamente dentro de nossas cabeças. Sem idéias próprias, sempre nos satisfazemos com a realização de vontades e desejos que não precisávamos ter. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra espera que O Projeto realmente mude tudo isso. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Todas as coisas associadas, de alguma maneira, a esse… experimento… parecia não seguir regras racionais ou qualquer uma das pré-estabelecidas; apenas impulsos alimentados pelo espetacular inconsciente coletivo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Especialmente hoje, às vésperas do grande dia, Sandra sente-se pequena. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Realmente pequena. Muitas vezes, durante este dia, idéias absurdas passaram pela sua cabeça. E continuam vindo. Idéias suicidas. Sandra não se considera, de forma alguma, um exemplo a ser seguido. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O interfone toca para resgatá-la de seus devaneios. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela hesita em atender (quer ficar sozinha); mas sente seu corpo pulsar, vivo, em direção ao dispositivo eletrônico dependurado na parede da cozinha, perto da porta. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O porteiro informa que Fred chegou. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Porra ! Me esqueci completamente ! </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela sabe muito bem o que Fred deseja e não tem certeza se deseja a mesma coisa. Hoje. Todos os seus pensamentos estão no dia de amanhã. Em seu íntimo, Sandra espera que este seja apenas um encontro amigável e breve entre duas pessoas que se conheceram numa sala de bate-papo virtual pela Internet e que decidiram que já era tempo de se conhecerem de uma maneira menos eletrônica. Duas pessoas tentando preencher vazios. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra insistiu para que se conhecessem em carne e osso um outro dia qualquer mas Fred, por sua vez, insistiu bastante que fosse hoje. Ela tem quase certeza de que a foto que Fred lhe enviara na última vez que em que trocaram algumas linhas pode não ser necessariamente a do próprio Fred. E imagina o ridículo disso tudo; dessa expectativa criada pela solidão; pelo desespero. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Enquanto o elevador sobe, questionamentos passam pela sua cabeça. Fred é um assassino, é um estuprador, é um gordinho simpático, é um moleque adolescente, é o padeiro, é um velho, é uma lésbica,… é um espião&#8230; quem é esse cara realmente ? E por que eu preciso dele ? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Quando Sandra abre a porta, o coração já esta saindo pela boca. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Surpresa ! </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Fred é ele mesmo, o cara da foto que parecia um artista da tv. Sempre companheiro, compreensivo, e um tanto inseguro. O cara que gosta de falar sobre MPB e jazz, que anda com o celular preso na cintura e que assiste apenas ao que ele insiste em classificar como “filmes de arte”. O cara que se acha muito intelectual. Muito superior. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Como se isso fosse alguma merda ! Tudo bem. Preciso espairecer. Estou muito tensa. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sua impaciência vai se dissolvendo aos poucos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Preciso relaxar. Com o desenrolar da conversa, ao longo de alguns minutos, muitos minutos, hora e pouco, Sandra começa a desejá-lo exatamente como o playboyzinho que ele é. O cara que se julga inteligente apenas porque gosta de determinado tipo de música e porque assiste a filmes que nem mesmo entende. O cara egocêntrico. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Essa vulgaridade a excita. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Gostaria que ele a beijasse, que a agarrasse, tocasse seus seios, a fizesse arrepiar-se por todo o corpo belo e liso – bem cuidado –, e finalmente a penetrasse com o vigor de um animal insano, como ela mesma, às vezes, se sentia. Dois animais insanos em um só. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra insinua-se. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Fred é liso, esconde-se como um caramujo, na sua casa de suposta erudição e conhecimento. Inseguro. Inseguro, pensa Sandra. Inseguro, odeia Sandra. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A noite não passou daquilo que ela esperava inicialmente que fosse. Apenas papo intelectual regado por uma garrafa de vinho que ele trouxera. Nada construtivo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">E ela odiou isso. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Boa noite, Sandra. Podemos nos encontrar novamente ?”, ele diz. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra sabia que ele ia dizer isso. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___É claro”, ela responde, com um belo sorriso no rosto. Ela sabia que iria responder isso. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No fundo, tanto Fred quanto Sandra sabem que nunca mais se verão, ou que trocarão mais algum e-mail insensível. Nada será o mesmo novamente. A fantasia dera lugar à realidade. E a realidade é sempre mais impiedosa que qualquer fantasia. Para tornar a agonia de ambos ainda maior, eles sabem, no íntimo, que se desejaram naquela noite e que poderiam ter ido mais longe se não tivessem seguido (mecanicamente) tantos padrões de comportamento. Se não tivessem tanto medo de errar, de por tudo a perder. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Enfim, mais uma noite perdida. Sandra, pelo menos, conseguiu diminuir um pouco a ansiedade em relação ao dia seguinte, cujo primeiro minuto acaba de passar. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela enche um copo com água. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Toma uma dose extra de anti-depressivos (só por garantia). </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Apaga a luz do quarto. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Amanhã será um novo-velho dia. Amanhã será hoje. Hoje será ontem. Ou qualquer coisa assim. Mas será um dia inesquecível. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Regras. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Precisava fazer alguma coisa para mudar radicalmente tudo isso. Para mudar as regras. Ou acabar com todas elas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Mudar sua vida, seu mundo. As pessoas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">E, afinal, foi por isso tudo, desde o início, que aceitou o convite para integrar o grupo seleto que participaria d’O Projeto. </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">* * *</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Na mesma noite em que Sandra e Fred trocavam amenidades, do outro lado da cidade, Natália terminava de ler ‘The Iluminatus Trilogy’, a bíblia da contracultura. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">À sua frente, na escrivaninha, alguns volumes da hq “The Invisibles” e um livro caro de Hieronymus Bosch em alemão, conseguido a muito custo com um amigo que cruzara o Atlântico. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Na sala ao lado, seus pais discutiam novamente e ela sabia que alguma coisa mostrada na tv tinha começado a briga. Eles já deveriam estar dormindo. Pelo menos estariam quietos. Ela já deveria estar morando sozinha. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O telefone toca e isso faz a discussão na sala cessar por alguns instantes. O que é um alívio para Natália mas não para os seus pais, que já têm as sucessivas brigas integradas à rotina. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A mãe grita da sala que o telefone é para ela e recomeça a discutir com o pai, já levemente embriagado. Natália surpreende-se. Não esperava a ligação de ninguém àquela hora da noite, enquanto terminava suas leituras e aprontava-se para dormir. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">É Fred. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Não disse que iria sair com alguns amigos?”, pergunta ao namorado. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ele parece um tanto atrapalhado, diz que tiveram que voltar mais cedo porque um deles começou a passar mal e que sentia saudades. Insiste para que Natália vá ao apartamento dele. Mesmo não estando disposta, Natália diz que vai encontrá-lo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No seu intimo, ela quer punir os pais. Deixá-los preocupados. Talvez se tiverem alguma coisa a mais para pensar, deixem de se preocupar tanto consigo próprios. Com pequenezas do dia-a-dia. A vizinha do apartamento ao lado já reclamara diversas vezes ao síndico sobre essa gritaria tarde da noite. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Para sair, ela discute com a mãe, que aponta para o relógio e diz que isso não eram horas de sair, e com o pai, que ainda acha que ela é virgem, e segue. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela precisa encher o tanque do carro. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Fred a beija da mesma maneira, morna, dos últimos quatro anos em que estão juntos. Na verdade, só foi diferente na noite em que se conheceram. É sempre assim, pensa ela. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Fred parece frustrado. Ele recomeça a velha ladainha cine–litero–MPB–jazz–intelectualóide ao mesmo tempo em que tira a roupa da companheira peça por peça, penetrando-lhe a vagina. Ela está de quatro – posição que odeia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Coisas entrando ou saindo da bunda sempre fazem Natália se lembrar de Bosch. Ela até enumerou algumas dessas coisas que percebera nas pinturas do artista holandês. Todas elas inusitadas: moedas douradas, flechas, uma flauta, uma muleta, um galho, um bico longo de um pássaro estranho, algumas cordas de uma imensa harpa, corvos,… A única vez em que percebeu algo que fazia sentido foi um peido no quadro “O Juízo Final”. E saia da bunda de um demônio direto para a cabeça de um condenado. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália gostaria de entender Hieronymus Bosch. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália gostaria de entender Fred. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sim. Hoje alguma coisa parece diferente com ele. Está ainda mais distante. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Mais frio. Mais mecânico. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">É a gota d’água. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela termina o namoro e volta pra casa bem antes das duas da manha. Natália odeia o fato de Fred não ter insistido para que continuassem juntos. Na verdade, tanto ela quanto Fred pouco se importam com isso. O amor já fazia parte do passado distante. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A gente não tinha mesmo nada a ver, pensa Natalia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Fred continuou ali, sentado nos sofá. Talvez repassando a sua vida. Assim que o dia raiar, ele atenderá mais um de seus clientes. Geralmente cidadãos de classe média-alta, defendidos em seus “direitos” com eficácia proporcional aos seus contracheques – Fred era um doutor da lei. Considerado A Raposa entre os seus colegas de profissão, ele conhecia bem as regras jurídicas e, principalmente, as suas lacunas. Conseguia fazer com que as regras e as não-regras o favorecessem e contentava-se apaticamente com as suas possibilidades e limitações. Canalizava suas frustrações profissionais (e era frustrante tirar alguém da prisão cuja palavra CULPADO estava escrita em letras garrafais bem no meio da testa) nas relações inconstantes com as mulheres. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Os pais de Natália ainda estavam acordados quando ela chegou. Eles sempre fazem isso. O retorno da filha é um alívio e eles estão sempre prontos para consolá-la, mesmo tarde da noite; prontos para agradecer a todos os seus santos de devoção pelo retorno seguro da filha. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália valoriza o momento, gosta de ser o centro das atenções. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela sabe que as discussões não recomeçarão nas próximas horas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O telefone toca novamente. Todos se assustam. Natália pensa que é Fred, arrependido. Ela atende. É o pessoal d’O Projeto, convocando-a para o experimento que será realizado naquela manhã. Ela diz que comparecerá sem falta, mas diz isso usando outras palavras. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Quem era, minha filha, a essa hora ?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Ninguém, mãe&#8230; Era o Fred. A gente terminou. Agora eu preciso dormir um pouco” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra acorda cedo. Bem mais cedo que o habitual. Hoje ela não quer chegar atrasada sob hipótese alguma. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A chuva havia parado há pouco e a cidade ainda estava molhada. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Escorregadia. Triste. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela espera pelo ônibus. Sabe que já devia ter comprado um carro. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O ônibus chega cinco minutos atrasado e está cheio. Como sempre. Sandra tenta se equilibrar e esquecer o odor insuportável de suor a cada centímetro ao seu redor.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No banco ao lado, uma mulher termina de beber o refrigerante e atira a lata pela janela. Sandra pensa em repreender a mulher, em dizer como ela estava emporcalhando a cidade e que poderia ferir alguém. Iniciar mesmo uma discussão. Porém, antes que pudesse escolher as palavras certas para começar, um velho se aproxima das duas e, ao vê-lo, a mulher que atirou a lata pela janela cede-lhe o lugar. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra não diz nada à mulher que agora encontra-se em pé ao seu lado, mas pensa seriamente sobre a educação que essa pessoa deve ter tido. Talvez ela fosse apenas ignorante em relação ao fato de que não se deve atirar latas de refrigerante para fora de janelas de ônibus. Isso não a livraria da culpa, claro. Sandra sabe que muita gente é ignorante por pura preguiça. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Quando Sandra chega à universidade, todos os outros cientistas já estavam lá no estacionamento. Natália também já se encontrava lá, apesar das duas doutoras não se conhecerem. Amenidades formais são trocadas e todos dirigem-se aos carros que já os esperavam. Alguns desses carros possuíam vidros escuros e Sandra sabia que pelo menos dois deles (eram quatro ao todo) jamais seriam utilizados novamente. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Em quarenta minutos eles estavam chegando n’A Fazenda. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A Fazenda. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Nem todos se conhecem. Apenas mais um dos inúmeros procedimentos de segurança do complexo ultra-secreto. No entanto, cada um deles está, de alguma forma, envolvido n’O Projeto. E estão todos ansiosos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Imediatamente, grupos são organizados e iniciam-se os procedimentos para A Interação, um passo além de qualquer brainstorm já imaginado. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">As mentes mais privilegiadas são conduzidas a um lugar conhecido apenas por A Sala. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A Sala. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sentados em volta de uma imensa mesa de mármore repleta de pastas, planos e baralhos de cartas, os poucos privilegiados compartilham d’A Bebida. O líquido esverdeado os deixa mais leves, permitindo que as idéias inconscientes sejam verbalizadas sem que a inibição ou a manipulação da consciência interfira no fluxo do pensamento. Acompanhando A Bebida, eles compartilham d’A Carne, a qual, temperada por três Colaboradores com condimentos cuidadosamente selecionados e assada por outros três Colaboradores em temperaturas meticulosamente calculadas, era fatiada cuidadosamente por outros três, enquanto outros três A serviam. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Para um improvável intruso que porventura estivesse espionando aquele aglomerado de mentes ilustres, a sensação que sentiria seria a de estar em meio a um imenso mercado de peixes (em época de feriado prolongado). Todos falando ao mesmo tempo; ninguém entendendo ninguém. Cada cientista um nó n’A Rede. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Pura energia cinética. Movimento. Cada um, o louco moto-continuo que aciona engrenagens esquecidas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Na verdade, somente os ocupantes da sala conseguem vivenciar plenamente e compreender o que fora denominado de A Interação. Um estado de lucidez supra-humano que sublima o ego e estabelece, através da completa dissolução do individual, provocada pel’Os Aditivos n’A Bebida, uma fusão de diferentes criaturas em um só Ser, em uma só Mente. Formado pela algazarra induzida, O Ser Essencial, A Mente, fortalece-se n’As Gargalhadas, n’O Jogo de Baralho, n’O Casal que foge para O Canto, em busca d’A Privacidade. Todo ato resulta em algum tipo de informação. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Naquela sala não existia uma única personalidade. Existia, isto sim, A Interseção d’As Posturas, d’As Experiências, d’Os Medos. Uma Assíntota para A Energia pura d’A Vida. Para O Conhecimento. Para uma compreensão que qualquer uma das mentes isoladas não conseguiria jamais alcançar. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Enquanto alguns ainda se deliciavam com A Carne, Natália e Cassiano, depois de muito apreciarem A Bebida, buscaram a privacidade d’O Jardim. Essa era a terceira vez que Natália participava dessas reuniões. Ela havia sido selecionada para O Projeto há cinco meses. Ainda anda pelos corredores d’O Complexo com certa humildade. Todos ali parecem saber mais do que ela. No entanto, era ela a queridinha do todo-poderoso.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Dra Natália, estudiosa de lingüística, obsessiva quando o assunto é literatura (qualquer que fosse) e comunicação entre seres vivos (racionais e irracionais). </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Domina meia dúzia de idiomas. Prefere sempre ler os originais. Não acredita em traduções. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A depressão da noite anterior, o término do relacionamento com Fred, o efeito d’A Bebida, a excitação do que estava para acontecer e ela já não teme  encarar diretamente o olhar de raio-x do respeitável Dr. Cassiano. Nem a grande diferença de idade a aflige. Entre As Mulheres, comenta-se que o doutor possui a privilegiada capacidade de enxergá-Las nuas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Talvez seja algo que ele tenha aprendido naquele livro maldito, comentavam. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália não tem mais amarras para o tesão. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Dr. Cassiano, do alto de sua auto-confiança e de seus quase sessenta anos de idade, crava sua vara no cu da Dra. Natalia que, de quatro, berra de prazer. Não há tempo para pensar em Bosch. Seus corpos encontram-se fundidos, praticamente ocupando o mesmo lugar no espaço. As mulheres envolvidas n’O Projeto tinham desenvolvido esse estranho desejo e conseguiam ter visões quando eram penetradas por trás. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália sente uma corrente elétrica – um raio – atravessar-lhe o corpo e rasgá-la de cima a baixo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela vibra&#8230; quase seis minutos de gozo ininterrupto! </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela nunca havia sentido isso antes. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">E Fred possui metade da idade do doutor.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No final do processo d’A Interação (que algumas vezes durava dias), após dados terem sido cuidadosamente analisados e modelos propostos e ajustados, passava-se para a próxima fase. E a fase seguinte, a qual, até o presente momento, jamais lograra sucesso algum, envolvia o mecanismo supremo: A Faca. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A primeira vez em que O Portal foi aberto, aconteceu por acidente. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O alquimista Ambrosius, durante os anos maravilhosos e enigmáticos da Idade Média, preparava experimentos arcanos com o intuito de determinar o coeficiente de atrito entre as esferas celestes, conforme idealizado por Leonardo da Vinci. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Suas experiências foram relatadas passo a passo no proibido (e condenado pela igreja até 1966) Livro Negro do Atrito entre as Esferas Celestes. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O castelo aonde desenvolvia seus experimentos colapsou misteriosamente em uma noite de chuva e Ambrosius desapareceu da história sem deixar vestígios. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O livro foi encontrado, anos mais tarde, sobre os restos de sua mesa de trabalho mas o corpo do alquimista jamais foi descoberto. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O Livro Negro permaneceu nos porões secretos do Vaticano por décadas, até um bispo, com intenções seculares, apossar-se dele indevidamente. Alguns diziam que ele fizera um pacto com o demônio em algum momento de fraqueza; outros diziam que seu demônio foi a ganância. Seu nome era Gálio. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Gálio, tentando escapar de uma secreta perseguição levada a cabo por membros de uma ordem secreta dentro da igreja, viajou ao Brasil sob pretextos de evangelização (era a época da Contra-Reforma) e morreu poucos dias após sua chegada ao continente americano, tendo contraído uma doença nativa. O livro, que não largava sob hipótese alguma, fora enterrado com ele sob sua paróquia em algum lugar do nordeste brasileiro. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Na década de oitenta, um padre local, sem muita criatividade e entediado com a rotina da paróquia, resolveu fazer reformas na capela e encontrou, em um dos buracos sob o altar, o cadáver do bispo. E o livro proibido. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Através de canais burocráticos e acadêmicos (e de uma certa soma em dinheiro), O Livro veio parar nas mãos do físico e doutor Cassiano Pompeu Xerxes, que idealizou O Projeto a partir dessa descoberta e cuja sanidade é mantida sob suspeita pela maioria dos colegas dentro dos círculos acadêmicos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O Dr. Cassiano não larga o livro sob hipótese alguma. Anda para cima e para baixo d’O Complexo com o enorme volume debaixo do braço. Sandra sabe sobre a história envolvendo o livro (e alguns boatos também) e sempre teve curiosidade de folheá-lo. Natália tocou no livro uma única vez, e desenvolveu uma paixão doentia por Hyeronimus Bosch. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">De acordo com as teorias desenvolvidas pelo Dr. Cassiano, seria necessária uma grande quantidade de massa cerebral vibrando numa mesma freqüência para que a consciência coletiva não fosse tragada para outras dimensões do espaço-tempo e se perdesse em contextos ainda não explicados satisfatoriamente (O Outro Lado). Era preciso abrir o portal mas manter o pé fixo na própria realidade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Exatamente como fizera Ambrosius!”, frisava sempre o impaciente cientista. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Naquela época era mais fácil; havia menos distrações, lamentava-se o doutor. Apenas uma mente poderosa que valia por esse punhado ! </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O Doutor Cassiano Pompeu Xerxes, tido como um gênio precoce e de uma personalidade difícil, havia perdido muito de sua credibilidade depois de apresentar as suas idéias sobre O Projeto em congressos científicos nacionais e internacionais, discorrendo sobre o processo de seleção d’Os Candidatos que participariam d’O Projeto. Suas palestras eram consideradas obscuras. “___Perdeu o juízo !”, era a opinião dominante no meio cientifico. Exatamente como ocorrera nos primórdios da Teoria do Caos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Os Cientistas eram indicados exclusivamente pelo Dr. Cassiano e com o intuito de se atingir a tal Massa Critica Cerebral (MCC). Cada um era julgado pelas suas realizações profissionais, pelas realizações pessoais e por critérios motivacionais – conhecidos apenas pelo Doutor. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Montada sob uma estrutura treliçada carregada de sensores e atuadores desenvolvidos especialmente para esse propósito, uma enorme faca com fio de espessura quântica pende pronta para cortar pela segunda vez o tecido tênue da realidade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Os cientistas colocam seus óculos especiais e, protegidos atrás de centímetros de materiais isolantes e vidros reforçados, preparam-se para bisbilhotar a paisagem que se encontra do outro lado. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A faca desliza. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Não há som. O tecido da realidade é tênue como a seda. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No meio da sala especial, de formato octogonal e livre de qualquer outra mobília, abre-se um orifício vertical de aproximadamente seis metros de extensão. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Um rasgo na realidade pronto para ser atravessado de um dos lados para o outro. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Um rasgo pronto para gerar novos conceitos e uma nova física, uma nova matemática, uma nova engenharia, uma nova biologia,&#8230; </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Um flash de luz e a percepção expande-se. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Os Cientistas ainda estão ao redor da sala octogonal aonde deu-se A Ruptura. Mas, ao mesmo tempo, estão em muitos outros lugares. Em outros países, em outras dimensões. Talvez seja sempre assim quando alguma nova idéia nasce; quando a compreensão de algo se faz. Um cego enxergando pela primeira vez, vendo um mudo falando pela primeira vez, e sendo ouvido por um surdo a escutar pela primeira vez. Aquele instante singular é a pura emoção d’A Descoberta. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Os seres animados e os seres inanimados: as borboletas e o ar que lhes fornece a sustentação para o vôo estão tão emaranhados de Significado e Unidade que as extremidades de suas asas, ao se moverem, pareciam se dissolver – sublimar-se – numa razão inversa do acúmulo de energia de seus corpos lepidópteros. Síntese d’A Entropia, sem a necessidade do apelo às hipóteses, aos postulados e algebrismos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Os seres animados queimavam em contato com os seres inanimados. Fato: </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A Energia era visivelmente consumida. A Chama d’A Vida rumava inexoravelmente para O Esgotamento. Sete palmos abaixo d’A Terra – novamente Minerais – era O Destino de Cada Qual. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A amplitude d’A Percepção era simultaneamente libertadora e inflexível. A mesma ferramenta cortante que possibilitava a transgressão de leis naturais traga d’Eles o canal de comunicação com o mundo tal e qual o conhecemos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Eles ainda estavam lá. Mãos espalmadas sobre as paredes de vidro da sala principal d’O Complexo. Boquiabertos. Babando. Caso fosse possível, porém, ao cidadão comum, adentrar-se a esse local sem ser dizimado por algum sistema hitech de defesa, não encontrariam ninguém. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">À medida em que Os Escolhidos permitiam-se estar aqui, acolá, e simultaneamente em dimensões inimaginadas, perdiam os elos com O Lastro que os prende ao mundo aonde nasceram. Para prende-Los n’Outro mais amplo. Que engloba este e muitos outros. Como sub-conjuntos numa lição de matemática elementar de um deus. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Mas agora está claro que, n’Este Espaço, os elementos, apesar de complementares e dependentes, eram conscientemente intransponíveis. Se você é uma formiga, não entende por que o homem faz a guerra. Se você é homem, não sabe o por que do transporte de gravetos (e por que o homem faz a guerra). Num sentido mais amplo é possível compreender-se a ambos. Em contrapartida, é impossível explicar-lhes. Por que necessariamente O Conhecimento está d’O Outro Lado. E estando d’O Outro Lado, como voltar? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Seus Corpos pulsam numa freqüência pouco superior aos 3 hertz. O Coração quase saindo pela Boca. Transpiram muito. Sublimam. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">E todas as Suas Esperanças estão depositadas no Dr. Cassiano. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Todos acreditam que Ele sabe O Caminho de volta. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Na amplitude das possibilidades de percepção, sabem que uns são tão capazes quanto os outros. Sem As Amarras e As Fronteiras, são tão Loucos, Magnânimos ou Infantis. Cardume de Almas n’O Oceano Etéreo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Doutor Cassiano fez passar pela corrente de almas a sensação de que eles estariam de volta em breve. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Nessa nova condição, eles podem ser aquilo que sempre desejaram ser. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Completamente ensandecido, e com uma vontade cada vez maior de comer o cu dos outros, o doutor insaciável explicou ao grupo que todos voltariam para casa assim que ele fosse presidente dos Estados Unidos pelo menos uma vez. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Nasce uma nova ciência. </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">* * *</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O rasgo permaneceu aberto por apenas alguns segundos (mas o tempo, então, não possuía significado algum). Assim que o portal se fechou e todos os dados foram corretamente coletados, os cientistas voltaram uma vez mais à própria realidade (embora já não soubessem mais o que isso significava). Estão exaustos. Por uma fração insignificante de suas vidas, experimentaram apenas o que os deuses experimentam. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sem perceberem, haviam trazido consigo O Vírus. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Possuindo e não possuindo seus corpos ao mesmo tempo, O Vírus deseja entrar em contato com esta realidade. Transformá-la. Moldá-la. Tornar única todas As Realidades. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No final do dia, quando todos se preparavam para voltar as suas insuspeitas rotinas, um bule de café curva-se com toda delicadeza e diz Até amanhã para A Servente. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">E ela desmaia. </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Yang </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália sabe que alguma coisa saiu errado. Ela tentou se informar, mas todos os canais de comunicação com O Projeto haviam sido cortados. Não havia mais acesso a’O Complexo e até o Dr. Cassiano preferiu não falar no assunto. Ele mal teve tempo para ela. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A humanidade enlouqueceu completamente. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela jamais esqueceu o dia em que o aparelho de tv levantou-se da cômoda aonde havia sido depositado e começou a andar pela casa. Com braços e pernas finos e aquele cabeção sintonizador. Ela estava sozinha e pensou que ainda estava dormindo. O aparelho de tv andou para lá e para cá, brincou com o cachorro e depois escutou um pouco de rádio. Ou será que estavam conversando ? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Desde então, seus pais pareciam estar cada vez mais dispostos a seguir ordens ou a tentar satisfazer os caprichos desse novo membro da família. Eles ficam sentados um de frente para o outro por horas, seus pais e Tv. A maior parte do tempo, apenas Tv fala alguma coisa. Natália espera que eles não estejam pensando em casá-la com o eletrodoméstico. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Tv nunca teve muita influência sobre Natália. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ela corre para a janela ao ouvir alguém saindo do prédio. Sim. O Velho Antônio está saindo novamente para levar seu urinol quadrúpede para passear. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Eles são inseparáveis. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Em um dos apartamentos no prédio em frente, uma mulher conversa carinhosamente com o vibrador que dança freneticamente dentro dela. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Então, Natália acorda em um outro dia e parece estar tudo em ordem de novo. Ou pelo menos a velha ordem a que estamos nos acostumando há décadas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Fred passa os seus dias conversando com os seus livros de Direito; livros que o ensinam a tripudiar sobre os humildes e os ignorantes e a extorquir grandes quantias dos incautos. Eram livros astutos e egocêntricos, manipulavam as idéia de Fred e forneciam-lhe O Poder que ele, por si próprio, seria incapaz de obter. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Divertiam-se com isso. Sentiam prazer em manipular o advogado como a um fantoche. Dia e noite. Certo dia, um livro sobre Direito Penal cagou em sua boca enquanto dormia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Fred pensava muito sobre a noite em que encontrara Sandra. Isso tem feito com que ele saia cada vez mais com prostitutas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ele acha que está ficando louco. Sempre que mentaliza Sandra, esta transmuta-se em Natália. Quando lembra da ex-namorada, logo a garota que conhecera via internet ocupa o seu pensamento. Era como se as duas estivessem fundidas numa só. E ambas haviam descartado-o de suas vidas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Fred imagina se algum dia irá conseguir fugir dos livros. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Então, Fred acorda no dia seguinte e Sandra é Sandra e Natália é Natália. Os livros nem falam nem cagam e não existe justiça sobre a face da Terra. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália comunica-se constantemente com o Dr. Cassiano. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A experiência sexual que haviam desfrutado n’O Churrasco havia deixado um vinco em seu coração. O mesmo parecia não ter ocorrido com o Dr. Cassiano, que sempre aparenta demasiado interesse pelas suas pesquisas, acrescido de um semblante de preocupação desde Aquele Dia. Ele parece estar sempre procurando por algum Elo Perdido. Vez por outra eles encontravam-se para furtivas noites de prazer. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Dr. Cassiano ainda nutre grande predileção pelo cu de Natalia e, embora esta ainda fosse arredia à idéia, no fundo sabia que este era o único elo que os unia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Essa tara permite que o Dr. Cassiano a penetre com todo o seu vigor, e faz com que ela vibre entre urros de uma dor insuportável e gemidos tórridos de prazer. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Nestes encontros, jamais comentavam nada sobre O Projeto. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália não conseguia se acostumar à idéia de que o doutor fosse completamente ignorante quanto ao que estava acontecendo em todo o planeta. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ele, com certeza, a teria contado. Ela suspeita que o eminente cientista sofrera algum tipo de lavagem cerebral. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Mas se o poderoso Dr. Cassiano não era realmente a mente por trás d’O Projeto… quem ? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Esse pensamento assusta Natalia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No dia seguinte, ela acordou e ainda era virgem. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra continua sozinha. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Estranhamente, depois d’O Churrasco, a consciência da falta de atividade sexual já não a abatia como antes. Em algumas manhãs, logo após o despertar, ainda sentia um ardor sensual partindo do seu ânus virgem que a deixava toda arrepiada por quase quinze minutos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Há duas semanas, o lixo acumulado na cozinha atraiu uma fileira de formigas vindas, talvez, do apartamento ao lado. Imediatamente, molhou um pano qualquer e tentou erradicá-las. Ao abaixar-se, ouviu uma voz vindo lá do chão que a fez mudar de idéia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A voz veio de uma minúscula mandíbula e dizia algo sobre um deus. No mesmo instante em que a voz começou a se propagar pela cozinha, de mandíbula em mandíbula, todas as formigas pararam suas atividades e se reuniram ao redor de Sandra. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">As formigas oravam. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A partir desse dia, Sandra tornou-se o Deus das formigas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Desde então, mais formigas vêm chegando a cada dia, em peregrinação, ao apartamento de Sandra e ela pensa seriamente sobre a questão. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">As formigas não a machucam e saem do caminho quando ela passa. Se, inadvertidamente, ela pisa em algumas, as demais entendem como destino. E rezam com mais força ainda. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra queria saber como essa loucura toda começou. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">E por que não encontra alguém que possa lhe dar alguma explicação. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Um outro dia, Sandra acorda e o único objeto de adoração em sua casa é a imagem de Santa Bárbara que sua mãe insiste para que ela deixe em uma das prateleiras da estante. </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">* * * </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Certa manhã, quando vai às compras, Sandra depara-se com uma bela mulher na prateleira ao lado. Mesmo sendo mulher, ela sabe reconhecer e valorizar um belo exemplar da espécie. Acena com a cabeça. Natália corresponde ao cumprimento com um gesto leve e doce. As doutoras nunca haviam se percebido como naquele momento. Perceptivelmente, existe uma grande identificação entre as mulheres, um forte sentimento de respeito, anseio pelo diálogo, conhecimento mútuo e troca de experiências pessoais. Desencadeia-se um processo puramente platônico. Um exercício das possibilidades sobre o eventual colóquio. Mas ambas estão muito ocupadas com os seus afazeres cotidianos (e mundanos). A aquisição de bens de consumo para a higiene do lar e a delícia de pequenas gulas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Cada uma delas toma o seu próprio rumo, por entre as prateleiras. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Num determinado momento, conduzindo o carrinho displicentemente de um corredor a outro, Natália esbarra em Sandra. Assustada, Sandra deixa cair das mãos uma caixa de ovos, que despedaçam-se no chão, respingando clara e gema. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália pede desculpas pelo inconveniente, ajuda a limpar a calça jeans de Sandra e a convida para um café. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Neste mesmo momento, na Universidade, o Doutor Cassiano encontra-se solitário e triste em seu cubículo. Ele não sabe de onde vem Aquilo que o move em sua busca incansável pela superação em suas atividades, que de tão específicas, são proporcionalmente herméticas. O conhecimento de um homem só para si mesmo. E daí a sua frustração. Daí a sua insatisfação, daí a necessidade de comer o cu de Natalia com tanta fúria como que para manter-se vivo. Dr. Cassiano há muito não conversa descontraidamente. Sempre que se dirige a alguém é para expor o seu ponto de vista cientifico, solicitar auxilio em alguma atividade de extrema urgência para o Laboratório ou simplesmente para dar aulas para as paredes. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No momento, ele reza para que suas suspeitas em relação ao desastre com a fenda espaço-temporal sejam infundadas. Ele não dorme há duas noites. E mal se alimenta. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ele espera que Natália não suspeite de nada. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Desculpe-me novamente, não tive a intenção. Vou pedir um cappucino para mim. O que você quer tomar?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Não se preocupe. Está tudo bem. A calça já estava meia suja. Nossa ! </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Precisava tomar alguma coisa quente&#8230; esta fazendo muito frio! Qual é mesmo o seu nome?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Natália. Sandra, certo ?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Certo. Você não me é estranha. A gente já se conhece ?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A garçonete se aproxima da mesa, anota os pedidos e sai. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Agora que você falou, também acho que já te vi em algum lugar. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Talvez seja no supermercado. Eu sempre compro lá.” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___É a primeira vez que eu fui lá. O que você faz ?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Eu sou doutora em lingüística. Curto bastante estudar essas línguas antigas que quase ninguém entende. E dou umas aulas de vez em quando. E você&#8230; ?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Eu também sou doutora. Em física. Também estudo coisas que ninguém entende&#8230;” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra pára no meio do pensamento e dá indícios de que não o terminará. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália aproveita a ocasião e, para restabelecer o fluxo da conversação, diz: </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Deus não joga dados com o universo.” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___O quê ?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Einstein.” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Nesse instante, a garçonete reaparece com duas xícaras esfumaçantes. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Deposita-as na mesa e novamente volta ao balcão. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Ambas tomam um gole e, quando Sandra volta a falar, sua expressão está alterada. Sua voz está bem mais baixa e seu corpo reclina-se sobre a mesa em direção à sua companhia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Eu me lembrei. O Projeto. Foi lá que eu te vi.” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A compreensão logo chega a Natalia também, e seu tom de voz também é baixo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Tem razão. Mas a gente nunca se falou antes. Era tanto segredo que a gente suspeitava da própria sombra. E todo mundo vigiando todo mundo&#8230;” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">“___Natália, alguma coisa saiu errado com aquele experimento. Alguma coisa que está&#8230; alterando a nossa realidade.” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Natália imediatamente lembra-se do urinol quadrúpede e do vibrador falante e estremece. Do outro lado do café-bar, a garçonete se aproxima de uma mesa plantando bananeira e anotando os pedidos com os pés. O homem a quem estava atendendo olha para o bloco nos pés da garçonete e, ao ver uma xícara de café e um pão com manteiga escritos de cabeça para baixo, começa a cantar em uma língua que jamais havia aprendido. A sua canção era a chave para o enigma da transformação de metal em ouro mas ninguém entendeu. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">No dia seguinte, ao acordarem, Natália e Sandra jamais terão se encontrado. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Nesse mesmo dia seguinte, sentado a sua mesa, no cubículo, Dr. Cassiano digita ao computador os últimos parágrafos de seu artigo, definitivo e estarrecedor: </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Os fenômenos naturais fluem em diversas dimensões. Usualmente, a análise do fluxo de um fenômeno natural dá-se a partir de três dimensões espaciais e uma dimensão temporal. As leis físicas descrevem determinados fluxos de fenômenos naturais a partir do estabelecimento de relações – equações diferenciais parciais – entre taxas de variação do fenômeno específico em relação a diferentes níveis dimensionais de evolução observáveis num determinado domínio. Na análise de um fenômeno natural específico são levantadas hipóteses – condições de contorno – que procuram desvincular o fenômeno de uma ação mais abrangente e definem os níveis dimensionais segundo os quais são estabelecidas as relações. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Os fenômenos naturais processam-se de forma a garantir a mínima variação do fluxo dentro do universo de possibilidades que satisfaz as equações. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Conseqüentemente, a solução de um problema desta natureza é o fluxo que apresenta a continuidade máxima. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Entende-se como nível dimensional de evolução de um fenômeno as ordens e as dimensões que caracterizam determinada derivada deste fluxo. Assim, a derivada de nível dimensional mais baixo é aquela capaz de reconstruir todas as demais derivadas que aparecem na equação diferencial, por integração exata, supondo-se conhecidas as constantes de integração. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Este conjunto formado pela derivada de nível dimensional mais baixo, juntamente com as constantes de integração, contém todas as informações das relações estabelecidas na análise de um fenômeno natural, onde os diversos níveis dimensionais apresentam-se na configuração de menor vínculo entre si. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Por sua vez, o próprio fluxo de um fenômeno natural contém toda a informação das relações estabelecidas na análise dele mesmo – sua identidade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Porém, nesta situação, os níveis dimensionais apresentam-se numa configuração compacta. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Depois de digitado o texto, Dr. Cassiano sente-se infinitamente vazio. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Tudo corre exatamente como ele havia planejado. E naquele momento fica evidente qual a única forma de reverter O Processo Catastrófico e eliminar O Vírus. Essa era a sua pesquisa. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Serve a si mesmo uma xícara de café quente. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Degusta-a com prazer. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Depois tira a arma do fundo da gaveta e dispara seis tiros contra o céu da boca, encerrando a sua vida em todos os seis planos nos quais desdobrava a sua existência. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O funeral ocorreu num dia ensolarado e suas cinzas foram jogadas ao mar, de cima de um penhasco. Ventava muito. E há quem diga que nenhuma partícula sequer atingiu a superfície de água salgada. Sua alma nunca descansou. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">O artigo foi publicado pelos seus colegas de trabalho. Teve grande repercussão nos meios acadêmicos, embora jamais tenha sido compreendido – por imaturidade, egoísmo, preguiça&#8230; i.e., a conjunção de todas as mazelas humanas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Foi considerado mais como uma obra poética que propriamente cientifica, como de fato era. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Sandra passou a dedicar parte do seu tempo às corridas matinais pelo parque, à musculação e aos alongamentos. Despertou-se numa mulher virtuosa e desejada pelos homens. Fez uma discreta tatuagem na virilha. O rosto de Cristo, coroa de espinhos e o semblante acalentador com a língua de fora, em direção à vagina. Alguns disseram que ela veria os fogos arderem no Inferno. Bem, de Inferno ela entendia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Desiludido, Fred rumou para a Inglaterra, onde cursou pós-graduação em direito internacional. Nunca teve certeza se era isso que realmente queria. Dizem que se tornou grande amigo do tal Príncipe Charles e, numa noite de bebedeira, ficou sabendo de toda a verdade sobre a morte de Lady Diana. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Que mundo louco é este onde umas poucas pessoas decidem sobre o destino de bilhões de almas? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Depois da morte do Dr. Cassiano, Natália nunca mais deu o cu. </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Apêndice – <em>Livro Negro d’O Atrito Entre as Esferas Celestes</em></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Este estudo trata do levantamento dos coeficientes de atrito entre as esferas celestes. A introdução pressupõe a experiência simultânea de uma potente capacidade de concentração e sintonia com o ambiente em suas diversas escalas. Perceba os prótons colados aos nêutrons enquanto os elétrons estão a girar em órbitas probabilísticas. O universo está em constante transformação. No extremo oposto, as estrelas com os planetas a orbitar. Rotas de um contexto em expansão. Sinta agora a humanidade girar n’outro plano. O plano das idéias. Permitindo vislumbrar simultaneamente as diversas escalas de percepção do atrito entre as esferas. Neste contexto, define-se o céu como o domínio de todas escalas de esferas. Incluindo a própria humanidade, girando em planos ortogonais da consciência. O atrito – nos níveis sub-atômicos, planetários, das galáxias ou mesmo do pensamento – gera calor. É caracterizado como um processo exotérmico. A sua transformação de fase essencial é a sublimação. Esferas celestes em atrito necessariamente perdem energia. Irradiada em diferentes contextos. Simultaneamente. Caracterizam flashs da percepção celeste. Troca de informação. A energia dissipada através da sublimação das esferas celestes – inclusive das esferas animadas, como aquelas dos vegetais, dos animais e dos seres humanos – flui num outro contexto para o acúmulo da percepção. Reflexo disso é a lei termodinâmica do equilíbrio generalizada para uma reação química entre as esferas inanimadas e animadas. As primeiras acumulam energia gerada do atrito de esferas animadas. As segundas liberam energia, sublimada em flash celeste instantâneo, cuja contrapartida é a expansão da consciência. Logo, os dois extremos de esferas destes diversos contextos – a pura energia e a plena percepção – representam assíntotas intangíveis. Uma forma de atrito caracterizada pelo processo termodinamicamente instável ou etéreo. Entretanto, existe uma fenda na freqüência essencial de vibração celeste. Esta pode ser obtida pela potencialização do fio de uma faca de massa idêntica ao seu contrapeso no contexto da consciência das esferas animadas com as quais dá-se o atrito. A potencialização é teoricamente viável pelo movimento pendular da faca quântica. A tênue sintonia do amor sublimada na abertura do portal. </span></em></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">* <em>Deve-se temer não quem lê muitos livros, mas quem lê muito um só livro</em> São Tomás de Aquino </span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/966/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/966/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/966/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=966&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Um sonho e sua análise</title>
		<link>http://jorgexerxes.wordpress.com/2012/01/22/um-sonho-e-sua-analise/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 23:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[análise]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[sonho]]></category>

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		<description><![CDATA[(I) Prólogo: Ao longo de toda uma semana estive envolvido numa discussão com sujeitos de indiscutível capacidade intelectual e cultural, além de poderosa capacidade de persuasão – o que não implica, necessariamente, em elevação moral e de padrões éticos. Esses debates deram-se num sítio de literatura. Confesso que a discussão revolveu o meu conteúdo emocional [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=956&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2012/01/sonho_e_analise.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-963" title="sonho_e_analise" src="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2012/01/sonho_e_analise.jpg?w=300&#038;h=235" alt="" width="300" height="235" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">(I) Prólogo:</p>
<p style="text-align:justify;">Ao longo de toda uma semana estive envolvido numa discussão com sujeitos de indiscutível capacidade intelectual e cultural, além de poderosa capacidade de persuasão – o que não implica, necessariamente, em elevação moral e de padrões éticos. Esses debates deram-se num sítio de literatura.</p>
<p style="text-align:justify;">Confesso que a discussão revolveu o meu conteúdo emocional de tal forma que cheguei mesmo a ponto de determinadas atitudes que fugiram ao controle consciente, tendo por vezes reagido instintivamente, como um animal ao se sentir acuado.</p>
<p style="text-align:justify;">A proposta desse artigo não é a de defender pontos de vista, nem o julgamento de valores; sendo o objetivo tão somente aquele da descrição de um sonho e posterior análise pelo sujeito que vos escreve.</p>
<p style="text-align:justify;">Prossigamos ao sonho.</p>
<p style="text-align:justify;">(II) Sonho:</p>
<p style="text-align:justify;">Na noite do dia 20 para o dia 21 de Janeiro desse ano de 2012 tive o sonho cuja narrativa segue abaixo.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu e alguns poucos familiares havíamos sido convidados para uma festa por uma pessoa rica e eminente. Junto ao convite veio a observação explícita de que estávamos sendo convidados com o propósito de sermos figurantes, não devendo nos envolver com nenhuma das demais pessoas, identificadas como importantes políticos e autoridades, que estariam também presentes. Por se tratar de grande e refinada recepção, o que era uma oportunidade pouco comum, decidimos participar, apesar de a recomendação ter sido encarada como leve ofensa.</p>
<p style="text-align:justify;">Chegando à festa, era fácil identificar os políticos e autoridades pelas suas roupas de gala, em distinção de uma parcela dos outros convidados que era a dos convidados figurantes. Os políticos e autoridades ocupavam mesas grandes em salas menores e separadas, também eram tratados de forma diferenciada, apesar de alguns deles circularem em meio ao grande salão ocupado pelos figurantes.</p>
<p style="text-align:justify;">De repente percebi a presença de pequeno felino, um gato, que acompanhava a mim e aos meus familiares. Percebi, de súbito, que aquele era meu animal de estimação. O gato, por vezes, insistia em penetrar as salas menores destinadas às autoridades. Os garçons vinham então me repreender para que eu retirasse o animal daqueles ambientes restritos. Noutra ocasião eram os próprios anfitriões que vinham recomendar para que eu cuidasse de meu gato, mantendo-o distante dos políticos e pessoas eminentes. Aquela situação me causava grande constrangimento.</p>
<p style="text-align:justify;">O sonho culminou quando o gato caiu em um bueiro, ficando a princípio preso às grades pelas suas patas dianteiras. Ele clamava por socorro. Tentei resgatá-lo, mas ele caiu dentro do bueiro. Com grande esforço, consegui alcançá-lo no fundo do bueiro e resgatá-lo. Lembro que isso me trouxe um grande alívio, e mesmo felicidade.</p>
<p style="text-align:justify;">Despedimo-nos dos anfitriões e retornamos para casa. O sentimento era aquele de satisfação.</p>
<p style="text-align:justify;">(III) Conexões:</p>
<p style="text-align:justify;">Partiremos da definição das instâncias essenciais do sujeito. Os verbetes apresentados abaixo foram extraídos de: Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “Novo Dicionário da Língua Portuguesa”, Editora Nova Fronteira, 1a Impressão (9a Edição).</p>
<p style="text-align:justify;">Consciência. S. f. 1. Filos. Atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se define por uma oposição básica: é o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo (e, posteriormente, em relação aos estados interiores, subjetivos) aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração.</p>
<p style="text-align:justify;">Inconsciente. S. 2 g. 9. Psicol. O conjunto dos processos e fatos psíquicos que atuam sobre a conduta do indivíduo, mas escapam ao âmbito da consciência e não podem a esta ser trazidos por nenhum esforço da vontade ou da memória, aflorando, entretanto, nos sonhos, nos atos falhos, nos estados neuróticos ou psicóticos, i.e., quando a consciência não está vigilante. Inconsciente coletivo. Psicol. Parte do inconsciente individual que procede da experiência ancestral e transparece em certos símbolos encontrados nas lendas e mitologias antigas, constituindo os arquétipos.</p>
<p style="text-align:justify;">Alma [Do lat. anima.] S. f. 2. Filos. Entidade a que se atribuem, por necessidade de um princípio de unificação, as características essenciais à vida (do nível orgânico às manifestações mais diferenciadas da sensibilidade) e ao pensamento: as faculdades da alma.</p>
<p style="text-align:justify;">Espírito [Do lat. spiritu.] S. m. 11. Filos. O pensamento em geral, o sujeito da representação, com suas atividades próprias, e que se opõe às coisas representadas: a matéria ou a natureza.</p>
<p style="text-align:justify;">Consideremos, a seguir, as conexões básicas estabelecidas entre estas instâncias a partir do meu entendimento ou interpretação pessoal. Observe que se trata de opinião subjetiva; logo, não é uma verdade, nem pretende ser; é tão somente a expressão de uma única alma.</p>
<p style="text-align:justify;">Dito isso, entendo que a alma de um sujeito (a entidade a que se atribuem, por necessidade de um princípio de unificação, as características essenciais à vida) compreende a sua consciência (o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo) mais o seu inconsciente (o conjunto dos processos e fatos psíquicos que atuam sobre a conduta do indivíduo, mas escapam ao âmbito da consciência e não podem a esta ser trazidos por nenhum esforço da vontade ou da memória, aflorando, entretanto, quando a consciência não está vigilante).</p>
<p style="text-align:justify;">Faço a distinção entre alma (a entidade a que se atribuem, por necessidade de um princípio de unificação, as características essenciais à vida) e espírito (o pensamento em geral, o sujeito da representação, com suas atividades próprias, e que se opõe às coisas representadas); sendo o espírito um conjunto mais amplo, do qual a alma é tão somente uma parcela desse conjunto, que atua no mundo da representação, ou seja, da matéria.</p>
<p style="text-align:justify;">Repetindo, para a clareza da ideia: Entendo que a alma de um sujeito compreende a sua consciência mais o seu inconsciente (alma = consciência + inconsciente). E faço a distinção entre alma e espírito; sendo o espírito um conjunto mais amplo, do qual a alma é tão somente uma parcela desse conjunto, que atua no mundo da representação, ou seja, da matéria.</p>
<p style="text-align:justify;">(IV) Análise:</p>
<p style="text-align:justify;">Posteriormente, já em estado de vigília, e tendo recordado de um sonho com tal riqueza de detalhes, decidi dedicar algum tempo a sua análise. Para tanto, levei em conta a contextualização, apresentada em (I); e as conexões entre as instâncias essenciais do sujeito, descritas em (III).</p>
<p style="text-align:justify;">Essa foi a minha interpretação: Eu e minha família representávamos o meu espírito – o sujeito da representação. O gato era a minha alma, i.e. a minha consciência mais o meu inconsciente (uma parcela de meu próprio espírito), que estava se metendo em contradições e antagonismos por invadir o espaço dos outros (interagindo com outros espíritos). A partir do momento em que eu consegui resgatar o gato – entenda-se por retirar-me da discussão que estava me causando o desgaste emocional – o conflito se desfez. Voltei a minha habitual paz de espírito e ao saudável alinhamento da consciência com o inconsciente (ou, ao menos, a redução dos conflitos para um grau minimamente aceitável).</p>
<p style="text-align:justify;">(V) Por que eu escrevo?</p>
<p style="text-align:justify;">Por que eu leio? Por que eu escrevo? Bem, eu leio porque sinto sede de conhecimento e do aprendizado; pelo desejo de autoconhecimento; pela vontade de saber mais sobre a natureza e entender dos processos de interação entre as criaturas – tanto aqueles de natureza objetiva, quanto aos outros fenômenos, mais sutis. Escrever é uma forma de organizar minhas próprias ideias. Posso concluir, portanto, que escrevo para mim. É mesmo, antes de tudo, uma atividade egoísta.</p>
<p style="text-align:justify;">Dessa experiência resultou a minha decisão de não mais me reportar ou dirigir àqueles sujeitos que estavam me desgastando. Pura e simplesmente desfazer todos os laços emocionais. No meu parco entendimento se tratam de espíritos com os quais eu não tenho afinidade (diga-se de passagem, sem qualquer julgamento de valor).</p>
<p style="text-align:justify;">Pode ser que sejam muito avançados para a minha compreensão. E uma criança de poucos meses não costuma sair por aí andando sobre os dois pés antes de aprender a engatinhar; i.e. precisarei, nesse caso, de mais tempo e bagagem para uma interação saudável. Ou podem se tratar de espíritos de natureza distinta à minha. Nesse caso, sendo os valores éticos e morais diferenciados, faz-se também necessária manutenção de certo distanciamento, de forma a se evitar os atritos demasiados.</p>
<p style="text-align:justify;">Importante é o respeito às diferenças; a compreensão de si mesmo; e o aprimoramento de cada criatura, que é distinto e inerente às suas próprias vivências pregressas.</p>
<p style="text-align:justify;">3 53gu3 4 v1d4 0 53u f1ux0 1n3x0r4v31&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/956/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/956/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/956/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=956&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jorge Xerxes</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Química, vida e alquimia</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 15:15:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[alquimia]]></category>
		<category><![CDATA[química]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[“Et sic Philosophus non est Magister lapidis, sed potius minister.” Hermes Trismegistus * Deixe suas roupas Esqueça o que você já sabe Seu medo Jogue-o para o alto Seus pensamentos devem ser colocados no bolso da calça A calça no cesto Para lavar Erradicar os maus pensamentos Ponha um chapéu a sua frente Sapato à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=950&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p align="right">“Et sic Philosophus non est Magister lapidis, sed potius minister.”</p>
<p align="right">Hermes Trismegistus *</p>
<p>Deixe suas roupas</p>
<p>Esqueça o que você já sabe</p>
<p>Seu medo</p>
<p>Jogue-o para o alto</p>
<p>Seus pensamentos devem ser colocados no bolso da calça</p>
<p>A calça no cesto</p>
<p>Para lavar</p>
<p>Erradicar os maus pensamentos</p>
<p>Ponha um chapéu a sua frente</p>
<p>Sapato à esquerda</p>
<p>Você no meio</p>
<p>Agora tome em uma das mãos o coração</p>
<p>E o que restou</p>
<p>No meio ainda há você</p>
<p>E ao seu lado</p>
<p>Tudo pode ser você</p>
<p>Sapato à esquerda</p>
<p>Seu medo</p>
<p>Jogue-o para o alto</p>
<p style="text-align:justify;">“De todos os campos da química, o estudo dos ácidos nucleicos é, talvez, o mais emocionante, uma vez que estes compostos são a substância da hereditariedade. Examinemos muito sumariamente a estrutura dos ácidos nucleicos para ver depois, na secção seguinte, que relação ela deve ter com o papel literalmente vital que desempenha na hereditariedade.”</p>
<p style="text-align:justify;">“Embora, quimicamente, sejam bastante diferentes das proteínas, os ácidos nucleicos assemelham-se-lhes num ponto fundamental: existe uma longa cadeia – uma espinha dorsal – que é a mesma em todas as moléculas do ácido nucleico; ligados a esta espinha existem vários grupos, cuja natureza e ordem de seqüência caracterizam cada um dos ácidos nucleicos.”</p>
<p style="text-align:justify;">“Enquanto a espinha dorsal da molécula da proteína é uma cadeia poliamídica (uma cadeia polipeptídica); a espinha dorsal da molécula do ácido nucleico é uma cadeia de poliéster (denominada cadeia polinucleotídica). O éster é derivado do ácido fosfórico (a parte ácida) e de um açúcar (a parte alcoólica).”</p>
<p>O éster é ao mesmo tempo maior e menor que tua mente,</p>
<p>se consideras, simultaneamente,</p>
<p>o tamanho dela</p>
<p>e do que ela</p>
<p>pensa.</p>
<p>E se pensares no éster desprezível,</p>
<p>tanto menor será o pensamento.</p>
<p>E aí te enganas.</p>
<p>O éster será tão pequeno</p>
<p>que terás pena</p>
<p>E visto do lugar dele,</p>
<p>tua mente nunca se acaba.</p>
<p style="text-align:justify;">“Trabalhando com modelos moleculares, Watson e Crick montaram uma estrutura em que todas as unidades estruturais se encaixavam umas nas outras sem estorvo, e primordialmente importante, permitindo a maior estabilização possível por meio de ligações de hidrogênio, mas ligações de hidrogênio da espécie que Pauling tinha mostrado serem as mais fortes, aquelas que permitiam uma disposição linear de N&#8212;H&#8212;N ou de N&#8212;H&#8212;O. Em Abril de 1953, Watson e Crick publicaram a estrutura a que tinham chegado, a agora famosa hélice dupla, e em 1962, foi-lhes conferido um prêmio Nobel.”</p>
<p style="text-align:justify;">“O DNA está constituído por duas cadeias polinucleotídicas enroladas à volta uma da outra, formando uma hélice dupla, de 2nm de diâmetro. Tanto uma hélice como a outra são dextrorsas e tem cada uma dez resíduos nucleotídicos por espira, sendo o passo correspondente de 3,4nm ao longo do eixo. As duas cadeias correm em sentidos opostos; quer dizer, as unidades de desoxiribose estão orientadas em sentidos opostos.”</p>
<p>Das curvas verdes e velhas,</p>
<p>penso sempre nas redes atadas a abismos.</p>
<p>Todo o resto é supérfluo.</p>
<p>Tenha uma mão</p>
<p>e a outra te dando adeus</p>
<p>e você terá qualquer outra coisa que quiser.</p>
<p style="text-align:justify;">“Até o momento tratamos apenas da estrutura secundária dos ácidos nucleicos. No nível terciário e superiores considera-se o modo como eles se ligam a proteínas, e como estas nucleoproteínas se enovelam e dobram, constituindo o cromossoma – como, por exemplo, quatro metros de DNA se podem acomodar numa única célula com uma espessura de 0,2mm apenas.”</p>
<p style="text-align:justify;">As curvas que existem numa reta serão sempre retas se não nos livrarmos dos antigos preconceitos. E se é monótono o que une o começo e o fim, não se justifica o meio. As cabeças olham torto o que vêem e por isso pensam torto. Eles já sabem o que dirão e o que verão no inverno. As cabeças olham retas curvas e vêem retas retas. Não existe prova maior.</p>
<p style="text-align:justify;">“Todavia no centro de tudo isto está uma hélice dupla, não só obedecendo aos postulados estruturais enunciados por Watson e Crick, como fazendo-o ainda com uma simplicidade e beleza imprevisíveis, a qual é responsável pela capacidade do DNA para desempenhar o seu duplo papel: repositório da informação hereditária e diretor da síntese das proteínas.”</p>
<p>O dia ou a hora que for</p>
<p>seja hoje e já</p>
<p>neste momento.</p>
<p>E que a partir de agora</p>
<p>e intermitentemente</p>
<p>o futuro seja presente</p>
<p>e o presente passado</p>
<p>do que é agora.</p>
<p>Que o que ontem foi vá.</p>
<p>E amanhã,</p>
<p>o que hoje é,</p>
<p>seja ontem também.</p>
<p style="text-align:justify;">“Como é que a estrutura da parte constituída por ácidos nucleicos desempenha, porém, a sua função de hereditariedade? Os ácidos nucleicos controlam a hereditariedade no nível molecular. A hélice dupla do DNA é o repositório da informação sobre a hereditariedade do organismo. A informação é armazenada na forma da seqüência das bases ao longo da cadeia polinucleotídica; é uma mensagem escrita numa linguagem que só tem quatro letras.”</p>
<p>49u4, f090, 73rr4, 4r</p>
<p>51n7353 d4 v1d4</p>
<p style="text-align:justify;">“Em primeiro lugar, o assunto da auto-duplicação. A ordem por que se dispõem as bases numa cadeia governa a ordem por que elas se dispõem na outra cadeia. Segundo as próprias palavras de Crick: as duas cadeias assentam uma na outra como a luva sobre a mão. Quando se separam, sobre a mão forma-se nova luva e, debaixo da luva, nova mão.”</p>
<p style="text-align:justify;">O artigo primeiro garante a estabilidade do pensamento. E sendo ele leve, é possível que seja bom e útil aos outros. É interessante que este tipo de ideia tenha como premissa a iniciativa atuante no exato sentido da necessidade das pessoas e indo de encontro aos objetivos comuns do inconsciente coletivo. Só assim é possível ter-se certeza de tudo aquilo que está sendo proposto. Qualquer outra vertente ou deslize pode ser tarde demais. E o inferno está cheio de boas intenções.</p>
<p>Referências aos excertos (entre aspas):</p>
<p>Morrison, R. T., Boyd, R. N., “Organic Chemistry”, 4th edition, Allyn and Bacon, Inc., Boston, 1983.</p>
<p align="right">* “And thus the philosopher is not the master of the Stone but rather its minister.”</p>
<p align="right">Hermes Trismegistus</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/950/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=950&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Oculto sob o chapéu</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 13:24:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[ideia]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[oculto]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[uma parte do céu guia a cabeça do matuto a cabeça do m47u70 dirige um pedaço do céu &#160; tão simples quanto automático pode até passar d354p3rc3b1d0 como a sublimação &#160; a cr147ur4 deve atentar às minúcias: &#160; os raios de Sol são cachoeiras a revolverem minhocas duma mente caipira e dessa mesma cabeça agreste [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=940&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2012/01/jorge_xerxes_matuto1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-945" title="jorge_xerxes_matuto" src="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2012/01/jorge_xerxes_matuto1.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p>uma parte do céu guia a cabeça do matuto</p>
<p>a cabeça do m47u70 dirige um pedaço do céu</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>tão simples quanto automático</p>
<p>pode até passar d354p3rc3b1d0</p>
<p>como a sublimação</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>a cr147ur4 deve atentar às minúcias:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>os raios de Sol são cachoeiras</p>
<p>a revolverem minhocas duma mente caipira</p>
<p>e dessa mesma cabeça agreste</p>
<p>depreendem-se vapores à fervura das 1d3145</p>
<p>vão elevar aos céus os causos da Terra</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>antes de descaminhos são trocas inconscientes</p>
<p>remoinhos de ideias</p>
<p>síntese do movimento na n47ur3z4</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/940/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=940&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Regar as plantas</title>
		<link>http://jorgexerxes.wordpress.com/2011/12/26/regar-as-plantas/</link>
		<comments>http://jorgexerxes.wordpress.com/2011/12/26/regar-as-plantas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 11:51:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[botânica]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[realismo-mágico]]></category>
		<category><![CDATA[sonho]]></category>
		<category><![CDATA[velho]]></category>
		<category><![CDATA[verde]]></category>

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		<description><![CDATA[4 c0nv3r54 c0m 0 v31h0   Que morram as plantas, foi o que ele disse. Essa frase até poderia soar natural vindo da boca de outro; mas ele, aos noventa e sete anos de idade, ocupara-se da incumbência de cultivá-las desde o dia em que sua amada deixou de acompanhar-nos nessa viagem à crosta desta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=925&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_926" class="wp-caption aligncenter" style="width: 466px"><a href="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2011/12/the_garden_of_earthly_delights_by_hieronymus_bosch.jpg"><img class=" wp-image-926" title="The_Garden_of_Earthly_Delights_by_Hieronymus_Bosch" src="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2011/12/the_garden_of_earthly_delights_by_hieronymus_bosch.jpg?w=456&#038;h=272" alt="" width="456" height="272" /></a><p class="wp-caption-text">The Garden of Earthly Delights by Hieronymus Bosch</p></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter"></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:justify;">
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">4 c0nv3r54 c0m 0 v31h0</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Que morram as plantas, foi o que ele disse. Essa frase até poderia soar natural vindo da boca de outro; mas ele, aos noventa e sete anos de idade, ocupara-se da incumbência de cultivá-las desde o dia em que sua amada deixou de acompanhar-nos nessa viagem à crosta desta estranha pedra celeste, no ano de um mil novecentos e noventa e oito. Assim, as verdes folhagens que habitam a varanda da casa dele tornar-se-ão, aos poucos e gradualmente, tênues, amareladas, sem viço pela falta de água e dos demais cuidados despendidos a terra. Enfim, morrerão como todas as outras plantas que inexistem nas casas de outros velhos.</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Antes dessa revelação desconcertante, conversávamos tranquilamente. Ele contava, por detrás de um sorriso enigmático, que passava alguns dias na casa de um de seus filhos, que quando esse primeiro se enfadava pela sua presença, botava-o num ônibus interurbano e mandava-o para outra cidade, onde outro de seus filhos ansiava por recebê-lo. Mas em breve, passados alguns dias, quebrava-se o encanto, num passe de mágica o seu segundo filho se sentia importunado, botava-o num transporte interurbano e mandava-o para uma terceira cidade. Essa sim, era sua morada, e as verdes folhagens aguardavam-no sedentas, saudosas, complacentes de sua companhia. </span><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">De um sorriso imperceptível, que vazava mínimo de um dos cantos de sua boca, ele dizia que essa era sua rotina, a história de sua vida. E devido a esses e outros detalhes menores, não era possível inferir sobre a veracidade ou não daquilo que ele contava sendo, nessa última hipótese, reminiscência da mais fina ironia.</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">um d3v4n3i0 0níric0</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Enquanto isso, noutra cidade, à varanda de uma casa singela, era puro o devaneio. Naquela tarde escaldante de verão, samambaias desciam, com os peitos de fora, a Marquês de Sapucaí. Cactos, com a barba por fazer, fumavam charutos, usavam óculos de Sol e fingiam ler o jornal para observarem, atentos, as curvas de uma bromélia a desfilar, em minúsculo biquíni, pela praia. Orquídeas faziam compras num shopping.</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A papoula, o peiote e outras plantas psicotrópicas bebiam e fumavam demasiadamente.  Suspeitava-se que cola bebia café e cheirava coca à calada da noite, quando as vincas e as trombeteiras faziam serão na ala de oncologia de um hospital do SUS. Requisitaram o guaraná, com seus olhos esbugalhados, para averiguar, mas faltaram-lhe as provas. E por isso é que, todo o dia primeiro do ano, o maracujá deixa um ramalhete de flores para Iemanjá.</span><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">As gramíneas querem o poder, não baixam os olhos dos indicadores da bolsa, passam a vida em busca de acumular riquezas, sem nunca terem mirado o próprio umbigo. Plantas carnívoras comem frango e arrotam peru, roncam enquanto dormem largadas nas redes. Malditas plantas egoístas. Mas nem em sonho superam a espada-de-são-jorge no tocante àquela sua loucura desmedida de fatiar a Lua, como se esta fosse queijo. Sorte grande é a das trepadeiras, gozam plenas das delícias desse mundo. </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p align="center"><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">05 7r35 5i13nci05</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Um silêncio paira no ar. As plantas são melhores que os seres humanos; deixo escapar alto, de minha boca, num pensamento. O segundo silêncio perpassa o ambiente. Sinto um calafrio percorrer a minha espinha. Arrependo-me do comentário até o último fio de cabelo. Não, não são; diz o velho, enfim. Mas é tarde e o processo, irreversível: o terceiro silêncio soa infinito.</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">Dias depois o velho toma novamente o ônibus interurbano. Ao chegar a casa, ele rega as plantas de sua varanda. Verdes folhagens.</span><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">A vida habita inextricável o verde da matéria.</span></p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/925/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/925/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/925/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=925&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jorge Xerxes</media:title>
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			<media:title type="html">The_Garden_of_Earthly_Delights_by_Hieronymus_Bosch</media:title>
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		<title>Trama e urdidura</title>
		<link>http://jorgexerxes.wordpress.com/2011/11/28/trama-e-urdidura/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 14:18:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[letras-et-cetera]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[trama]]></category>
		<category><![CDATA[urdidura]]></category>

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		<description><![CDATA[uma homenagem ao segundo aniversário do Letras et cetera<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=901&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2011/11/trama_e_urdidura1.png"><img class="alignnone  wp-image-908" title="trama_e_urdidura" src="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2011/11/trama_e_urdidura1.png?w=309&#038;h=680" alt="" width="309" height="680" /></a></p>
<p>uma homenagem ao segundo aniversário do <a title="Letras et cetera" href="http://nanquin.blogspot.com/">Letras et cetera</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/901/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/901/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/901/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/901/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/901/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/901/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/901/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/901/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/901/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/901/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/901/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/901/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/901/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/901/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=901&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jorge Xerxes</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Papoula</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 00:25:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[degradação]]></category>
		<category><![CDATA[humana]]></category>
		<category><![CDATA[papoula]]></category>
		<category><![CDATA[retrato]]></category>

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		<description><![CDATA[ – um retrato da degradação humana  O menino Jorge nasceu em berço abençoado de classe média alta (que é como se autodenominam os ricos quando querem passar desapercebidos), seus pais faziam as suas vontades e ele sempre teve a oportunidade de estudar num dos melhores colégios da cidade em que moravam. Era extrovertido e cobiçado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=896&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><em> – um retrato da degradação humana</em></p>
<p style="text-align:justify;"> O menino Jorge nasceu em berço abençoado de classe média alta (que é como se autodenominam os ricos quando querem passar desapercebidos), seus pais faziam as suas vontades e ele sempre teve a oportunidade de estudar num dos melhores colégios da cidade em que moravam. Era extrovertido e cobiçado pelas adolescentes da escola.</p>
<p style="text-align:justify;">Jorge gostava especialmente de participar das reuniões de formatura, dava muitas ideias, e como era relativamente inteligente, chamava a atenção pela sua desenvoltura e presença de espírito. Jorge lia muito, especialmente economia e política, era atento ao que acontecia em sua comunidade, em sua cidade, em seu país.</p>
<p style="text-align:justify;">Helena era sua colega de turma, estudaram juntos desde tenra idade. Helena era um pouco mais reservada, chamava a atenção pela sua beleza natural, longos cabelos louros, seus olhos azuis vibrantes e pelos seus doces modos; muito carinhosa com todos.</p>
<p style="text-align:justify;">Como era natural, Helena sentia-se atraída pelos meninos da turma acima, eles eram mais desenvolvidos, já tinham pêlos no peito e se davam melhor no futsal. Mas era uma admiração reservada, porque Helena era um tanto romântica e sua mãe lhe dizia para ter cuidado com os assuntos do coração, nem todos os meninos são tão bonzinhos de perto como parecem ao longe – e ela sabia ouvir.</p>
<p style="text-align:justify;">Helena e Jorge tornaram-se bons amigos. Jorge contava à Helena sobre as suas paqueras, ela ajudava-o dando dicas de como flertar com as meninas, vez por outra até fazia o papel de cupido, ajeitando os encontros ou apresentando-o a alguma colega. Helena e Jorge comemoraram muito quando Fernando finalmente se apercebeu dos encantos da menina e os dois começaram a namorar.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando formaram um grupo de teatro na escola, foi Helena quem convidou Jorge para tomar parte. Fizeram apresentações hilárias, divertidas, às vezes sarcásticas; enfim, foram tempos de sincera amizade e companheirismo. No último ano da escola Helena decidiu-se por prestar vestibular para arquitetura enquanto Jorge encantou-se com a ideia de estudar ciências sociais. Discutiam animadamente a respeito.</p>
<p style="text-align:justify;">Àquela época, Helena seguia o seu namoro com Fernando; e Jorge tinha vários rolinhos, era como a letra da canção: de tanto brincar de médico, se tornara professor. Foi Jorge quem fez o discurso na noite de formatura e Helena quem recebeu a distinção pelas melhores notas da classe.</p>
<p style="text-align:justify;">Cada um seguiu o seu caminho, mudaram de cidade para cursar a faculdade; com o passar do tempo, se falavam cada vez menos. Certa noite, Helena ligou em prantos para Jorge, contou o que Fernando havia feito e aquele ombro amigo soube ouvi-la e confortá-la. Mas como tudo na vida acaba, os laços de longa amizade foram se esfacelando, até que perderam definitivamente o contato.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi num fim de semana prolongado pelo feriado, na mesma cidade dos tempos de adolescência, uns três ou quatro anos depois, que ambos se reencontraram na Elektro Dance. Helena sentiu-se atraída por aquele corpo másculo, pujante, que fervia ao ritmo frenético da música, whiskey e energético. Quando chegou perto, tomou um susto ao perceber que se tratava de Jorge. A atração foi instantânea, e recíproca: não descolaram mais a noite toda. Helena pensava em como era doce o toque daquele menino enquanto se beijavam. Como é que não havia se dado conta disso? Quanto tempo desperdiçado!</p>
<p style="text-align:justify;">Decidiram terminar a deliciosa noite num motel. Jorge não foi nada atencioso às preliminares: tirou a calcinha de Helena, botou-a de quatro, cuspiu em suas mãos, esparramou a saliva pastosa de bebida em seu pau duro e latejante, cravou-o todo dentro do cu de Helena de uma estocada só. Ela urrava de dor. Helena pedia: ‘pare Jorge, pare!’ mas ele parecia ensandecido. Segurava-a com força. Helena estava aos prantos e tinha uma péssima sensação quando aqueles ovos peludos se chocavam fortes contra a sua boceta, em movimentos rudes, descompassados. Não havia se sentido tão humilhada assim em toda a sua vida. E quando terminou com aquilo, Jorge não disse uma palavra sequer. Cada um botou suas próprias roupas, pegou o seu carro e foi embora para casa – nunca mais se falaram.</p>
<p style="text-align:justify;">Na faculdade de ciências sociais, Jorge envolveu-se em negócios escusos com tal de Jacinto, que lhe soprava ideias estranhas dentre outras fumaças a sua cabeça. Nada ou muito pouco restou dessa fase obscura da vida dele. É certo que o sujeito era chegado às garrafas, mas tudo veio do pó e ao pó retornou: as dunas, as estrelas, as nuvens; não é tudo constituído da mesma essência etérea das flores? Daquela mesma da papoula?</p>
<p style="text-align:justify;">Ao final da faculdade Jorge mudou de time. Não, você não entendeu errado: ele virou viado; dessas bichas que falam fino, que exigem os seus direitos, dadas às afetações e jactâncias. Obcecado por forjar-se uma celebridade. Afinal, foi essa a leitura que Jorge fez dos valores que lia nos jornais: competição, ser melhor que o outro, aparecer mais, diferenciar-se a qualquer custo, pavão esvoaçante. “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Distorção de valores, um ser politicamente correto, sua palavra de ordem é ‘bullying’, outras frases de efeito fora do contexto. Quando, em verdade, a pequena esfera celeste, já comportando sete bilhões de cabeças animais, daquelas da pior espécie, vem aceitando, de bom grado, muito mais do que deveria.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não percamos o foco, voltemos nossa atenção aos desdobramentos desse novelo que representa a vida pictórica desta personagem, que bem poderia ser eu (ou, quiçá, poderia ser você). Por melindres do destino, a essa altura, Jorge já não era assim tão popular e, nem sempre, bem quisto; e não foi ele o orador da turma na formatura da faculdade de ciências sociais.</p>
<p style="text-align:justify;">Jorge era tenaz e não desistiria assim tão facilmente – todos bem o sabemos. Encerrado em seu mundo interior e tramando se tornar um verdadeiro ‘big brother’, ele maquinou com seus botões a melhor forma de valer-se de suas habilidades de comunicação. Entrou num portal de literatura e começou a postar desenfreadamente os seus textos e vídeos que varriam olhares diferenciados sobre todo o espectro do conhecimento humano: desde as artes marciais, passando pela poesia, a música, o cinema, a política, a economia, o humor, a religião, ciências naturais e tendências culinárias.</p>
<p style="text-align:justify;">O cara não era fraco não! Para maximizar o seu efeito midiático, passou a lançar mão de heterônimos virtuais, cada um deles com personalidade distinta, estilo diferenciado e outras especificidades de interação. Jorge passou a comentar e a ‘curtir’ as suas próprias postagens, valendo-se duma miríade de heterônimos virtuais. Estes assumiam os prenomes de homens ou mulheres, dependendo do caso, com os seus respectivos ‘avatares’ e perfis: Jorge (o próprio), Roberto, Vânia, Alex, Lílian, Hugo, Socorro, André, Alícia, Diogo, Jorge (o xará), Sandra, Milton e a lista segue por aí afora&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Estava feliz; Jorge passava os seus dias e noites muito ocupado; cuidando de ‘postar’, ‘curtir’ e comentar a sua própria e extensa produção; mas era, enfim, um ser humano realizado (a bem da verdade, vários deles). E, isso sim, era o sucesso!</p>
<p style="text-align:justify;">Até que, certo dia, sofreu um surto psicótico. Jorge já não dava conta de alimentar a fornalha de seu Ego. Percebeu que, apesar de estar por trás de tudo o que rolava de ‘bacana’ nas redes sociais, só era conhecido de si mesmo. Aquela súbita percepção foi demais para ele; espécie de implosão ou ‘zip’ de sua personalidade multifacetada.</p>
<p style="text-align:justify;">Jorge foi internado num manicômio e lá permaneceu por oito meses. Um dia vestia-se de Jorge (o próprio), outro dia de Alícia, a noite era Milton e a lista segue por aí afora&#8230; Uns dizem que morreu de desgosto (outros de tanto dar a bunda) e foi enterrado num grande jazigo, do tamanho enorme de seu Ego.</p>
<p style="text-align:justify;">Há quem pense que a história termina aí, mas se engana: Oito meses se passaram quando do solo fértil de seus despojos (de seus dejetos) germinou uma pequena planta da família das Papaveraceae. Foi preciso, então, que outros oito meses transcorressem. Desabrochou, enfim, pequena e bela flor vermelha próxima ao epitáfio de Jorge. E apenas naquele dia tive a curiosidade de ler as palavras grafadas ao frio da pedra:</p>
<p align="center">A Merda Abunda</p>
<p align="center">E Não É de Hoje.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/896/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/896/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/896/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/896/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/896/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/896/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/896/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/896/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/896/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/896/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/896/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/896/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/896/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/896/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=896&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jorge Xerxes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A (in)certeza do naufrágio</title>
		<link>http://jorgexerxes.wordpress.com/2011/11/17/a-incerteza-do-naufragio/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 11:26:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[naufrágio]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[profundeza]]></category>
		<category><![CDATA[submarino]]></category>

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		<description><![CDATA[o Pequeno submarino a exPlorar águas gélidas, Profundas       Por quê?       o tênue brilho de seu sonar não consegue alumiar a Proa mira o fundo sem o saber       sos dePressão x     x     x                    Noite passada despertei por volta das duas da madrugada com esse poema na cabeça. Anotei numa folha de papel [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=890&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>o Pequeno submarino</p>
<p>a exPlorar águas gélidas,</p>
<p>Profundas</p>
<p><em>     </em></p>
<p>Por quê?</p>
<p><em>     </em></p>
<p>o tênue brilho de seu sonar</p>
<p>não consegue alumiar a Proa</p>
<p>mira o fundo sem o saber</p>
<p><em>     </em></p>
<p>sos dePressão</p>
<p style="text-align:center;">x     x     x</p>
<p><strong>                   </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Noite passada despertei por volta das duas da madrugada com esse poema na cabeça. Anotei numa folha de papel e, pela manhã, foi só fazer alguns ajustes. Trata-se de um poema singelo; mas quem já passou pela experiência há de concordar comigo: ele a descreve sem meias palavras. Para aqueles que nunca passaram por isso, os meus votos de que nunca avancem essas perigosas fronteiras. Mais importante: para quem se identifica, é hora de buscar ajuda de um médico especialista.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/890/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/890/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/890/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/890/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/890/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/890/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/890/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/890/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/890/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/890/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/890/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/890/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/890/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/890/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=890&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jorge Xerxes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Recado aos navegantes</title>
		<link>http://jorgexerxes.wordpress.com/2011/11/01/recado-aos-navegantes/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2011 16:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[navegante]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[recado]]></category>

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		<description><![CDATA[– mensagem deixada numa garrafa se teus olhos buscam apreender o leito mas não possuem garras de estancar e segue o corpo ao sabor dos remoinhos ocupa-te de sobrenadar o éter viver prescinde de todo o resto<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=880&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><em> <em>– </em>mensagem deixada numa garrafa</em></p>
<p><a href="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2011/11/bottle3.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-886" title="bottle" src="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2011/11/bottle3.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">se teus olhos buscam apreender o leito</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">mas não possuem garras de estancar</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">e segue o corpo ao sabor dos remoinhos</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">ocupa-te de sobrenadar o éter</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;font-size:small;">viver prescinde de todo o resto</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/880/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=880&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jorge Xerxes</media:title>
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			<media:title type="html">bottle</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Quarenta motivos para te amar</title>
		<link>http://jorgexerxes.wordpress.com/2011/10/31/quarenta-motivos-para-te-amar/</link>
		<comments>http://jorgexerxes.wordpress.com/2011/10/31/quarenta-motivos-para-te-amar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 17:28:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jorgexerxes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Vishnu]]></category>

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		<description><![CDATA[O dia amanheceu frio e chuvoso, apesar de plena a primavera. Tomei o meu carro, segui pela estrada sinuosa, através da paisagem bucólica, o verde vivo a eclipsar a cor cinza do céu, cercavam-me os montes aqui e acolá, com a estrada a desvencilhar-se deles, em vã tentativa. Um caminhão lento a minha frente carregava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=868&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O dia amanheceu frio e chuvoso, apesar de plena a primavera. Tomei o meu carro, segui pela estrada sinuosa, através da paisagem bucólica, o verde vivo a eclipsar a cor cinza do céu, cercavam-me os montes aqui e acolá, com a estrada a desvencilhar-se deles, em vã tentativa.</p>
<p style="text-align:justify;">Um caminhão lento a minha frente carregava folhas secas como se estas fossem barras de ouro, leves como penas, a circunscreverem fluidos remoinhos no ar, espalhavam a bondade dessa riqueza aos mais pobres – provavelmente ele chegaria vazio ao seu destino. Imaginava que não houvesse nada tão triste quanto à faixa dupla, contínua, amarela: não ultrapasse!</p>
<p style="text-align:justify;">Foi quando me apercebi de uma árvore a captar, inerte, a lúgubre paisagem. Encerrada ao silêncio de seu tronco, acenando lenços vivos de folhas verdes, intensas, sabe-se lá por que, através dos seus múltiplos ramos, quantos são os braços de Vishnu. E aquilo me deu um aperto no peito, que é como deve se sentir o velho poeta, sem inspiração já há quase um mês.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando isso acontece, é comum achar que o mundo se parece mesmo com o branco e o preto dos jornais, numa sucessão das mesmas coisas, que as pessoas não vão mudar, que a poesia não tem sentido, que ninguém quer saber da luz dos vagalumes, ou do rastro de uma estrela cadente. Acredito: estão todos enganados. Posso provar isso enquanto sopro o dente-de-leão. Mas a minha certeza é efêmera, num segundo, ela desvanece.</p>
<p style="text-align:justify;">Então me dei conta de que hoje é segunda-feira, que estou indo para o trabalho. Só pode ser isso, como naquela sequência de caricaturas de um carinha com os dias da semana anotados embaixo; porque entendi que ela vai melhorando, à medida que os dias passam. E eu não posso ficar parado.</p>
<p style="text-align:justify;">Há tanta coisa por fazer, para te dizer, dessas coisas urgentes, como uma nuvem, samba num boteco em dia de chuva ou quanto aos poderes afrodisíacos dos bigodes de um gato. Hoje percebi que precisarei ficar até mais tarde, que precisarei fazer serão do fim de semana. Dou um cavalo de pau na pista, a poeira sobe, os motoristas se assustam, metem a mão na buzina. Acho que quase os despertei.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora me lembro da noite de ontem: enquanto eu e você estávamos acordados, todos os outros dormiam.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2011/10/lord_vishnu_jorge_xerxes.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-870" title="lord_vishnu_jorge_xerxes" src="http://jorgexerxes.files.wordpress.com/2011/10/lord_vishnu_jorge_xerxes.jpg?w=216&#038;h=300" alt="" width="216" height="300" /></a></p>
<p>estrada sinuosa</p>
<p>o coração</p>
<p>aquele verde insuportável</p>
<p>a cor amarela</p>
<p>a cor vermelha</p>
<p>montes aqui e acolá</p>
<p>barras de ouro leves como penas</p>
<p>remoinhos no ar</p>
<p>diamantes comestíveis</p>
<p>a bondade</p>
<p>pernas longas de um grilo</p>
<p>a riqueza</p>
<p>as guelras de um peixe</p>
<p>a inspiração</p>
<p>cartas de baralho</p>
<p>o destino</p>
<p>lenços vivos</p>
<p>folhas imensas</p>
<p>bolinhas de sabão</p>
<p>um poema sem sentido</p>
<p>vagalumes indicando o caminho</p>
<p>tronco de uma árvore</p>
<p>o longo rastro da estrela cadente</p>
<p>nuvem</p>
<p>uma certeza efêmera</p>
<p>dente-de-leão</p>
<p>os bigodes de um gato</p>
<p>a eterna dúvida</p>
<p>samba num boteco em dia de chuva</p>
<p>esticar o fim de semana</p>
<p>cavalo de pau na pista</p>
<p>muita poeira</p>
<p>e mão na buzina</p>
<p>o mar</p>
<p>o sol</p>
<p>uma paisagem bucólica</p>
<p>rede de descansar</p>
<p>um barco distante</p>
<p>vaga lembrança</p>
<p>o movimento dos braços de Vishnu</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jorgexerxes.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jorgexerxes.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jorgexerxes.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jorgexerxes.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jorgexerxes.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jorgexerxes.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jorgexerxes.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jorgexerxes.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jorgexerxes.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jorgexerxes.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jorgexerxes.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jorgexerxes.wordpress.com/868/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jorgexerxes.wordpress.com/868/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jorgexerxes.wordpress.com/868/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jorgexerxes.wordpress.com&amp;blog=5729332&amp;post=868&amp;subd=jorgexerxes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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